terça-feira, 13 de março de 2012

A história de «San Gennaro»




São Gennaro nasceu de pais muito pobres e ainda criança, tornou-se órfão de mãe. O pai, tendo contraído segundas núpcias, por causa da extrema pobreza, mandou seu filho ainda muito jovem a trabalhar como guardião de porcos.
O jovem conheceu um eremita da aldeia e começou a frequentar sua capela, recebendo dele instrução cultural e religiosa. Um dia o eremita convidou Gennaro a seguí-lo.
Neste ponto da vida do Santo encontramos um vazio na história da vida do Santo, longe de sua nação, e só o vamos encontrar depois como Bispo de Benevento e como mártir em Pozzuoli. São Gennaro derramou seu sangue por Cristo ao início do século IV. Em uma nota hagiográfica si lê de fato que Gennaro «Bispo de Benevento, foi martirizado em Nápoles, junto com seus companheiros, durante a perseguição de Deocleciano». Condenado «às feras» no anfiteatro de Pozzuoli, junto com os companheiro de fé católica, por causa do retardo de um juiz foi decapitado e lançado às feras para um divertimento gratuito e macabro dos pagãos.
Mais de um século depois, em 432, por ocasião da transladação das relíquias do Santo, de Pozzuoli a Nápoles, uma senhora entregou entregou ao Bispo João duas ampolas contendo o sangue coagulado e seco e São Gennaro.
Como uma garantia da autenticidade da afirmação desta senhor o sangue se liquefez diante dos olhos do Bispo e de uma grande multidão de fiéis. O evento singular agora se repete constantemente todos os anos em determinado dia, que é o sábado precedente ao primeiro domingo de maio e durante oito dias sucessivos; em 16 de dezembro e em 19 de setembro e por toda a oitava da celebração em sua honra.
As evidências deste fenômeno começaram em 1329, e são tão numerosas e concordes que não deixam margem a dúvidas. O prodígio, porque assim o considera a ciência, tem merecido a admiração afetuosa com que o segue toda a população de Nápoles. A sincera devoção dos napolitanos por este mártir é historicamente pouco identificável. O fato é que a memória de São Gennaro é celebrada liturgicamente já desde 1586, tendo sido conservada no novo calendário. Porque não existe nenhuma explicação natural para o fenômeno não dependendo nem da temperatura nem do ambiente. No entanto, podemos atribuir-lhe um significado simbólico de vivificante testemunho do sangue de todos os mártires na vida da Igreja, nascido do sangue da primeira vítima que foi Jesus Crucificado.
Fonte: http://www.san-gennaro.it

domingo, 11 de março de 2012

Pecador inveterado se converte ao ler «O Segredo de Maria»




Certo dia os Padres Jesuítas de Bilbao, na Espanha, receberam uma carta anônima muito interessante:




Bilbao, 27 de noviembre 1911,

«Tenho vivido durante vinte e três anos cheio de todos os tipos de pecados e contra todos os Mandamentos. No dia dedicado a Nossa Senhora (há um ano atrás) eu tive a graça de ler o livro «Segredos de Maria», de São Luís Maria Grignion de Montfort, editado pelos senhores naquele tempo. Profundamente movido pela graça de Deus me consagrei a Maria Santíssima como escravo de amor e já está próximo de completar-se um ano que, por intercessão dela, não cometi nenhum pecado mortal.
«Os senhores podem calcular meu agradecimento à Santíssima Virgem Maria, de quem cada vez me considero mais indigno escravo, e a quem cada vez quero mais com toda minha alma e, por Ela, a Nosso Senhor Jesus Cristo.
«Ao escrever estas linhas o faço por entusiasmo de manifestar meu agradecimento à Santa Virgem Maria e ao mesmo tempo para consolo de outros pecadores.
«Mil graças pela publicação do livro de São Luís que é o tesouro mais precioso que guardo para meus filhos e lhes suplico que me digam que posso fazer para mostrar-me cada vez mais agradecido à Santa Virgem Maria, fico muito agradecido».
«Um escravo de Maria».

Para baixar o livro «O Segredo de Maria», clique no link:

O Segredo de Maria

Fonte: Santiago Vanegas Cáceres. Reina, Senhora y Madre. Con Licencia Eclesiástica. Prólogo a la 1.0 edición del Cardenal Bernardino Echeverria Ruiz, OFM. Guayaquil   Ecuador. Cap. XI. Relatos, Episodios, Leyendas y Sucesos.

sábado, 10 de março de 2012

Oração a São José


Composta por Santa Teresa de Ávila



Ó glorioso São José, cujo poder sabe fazer possível as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nesses momentos de angústia e de dificuldade. Tomai sob vossa proteção as situações tão sérias e difíceis em que me encontro.

Meu benigno Pai, que não se diga que eu vos invoquei em vão. E já que podeis tudo ante Jesus e Maria, mostrai-me que vossa bondade é tão grande quanto vosso poder e alcançai me o que vos rogo. Amém.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Estranho


Enviado por Mónica Bosa
Poucos anos depois que havia nascido, meu pai conheceu a um estranho, recém-chegado a à nossa pequena população. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a que vivesse com nossa família.
O Estranho aceitou e desde então vive conosco. Enquanto eu crescia, nunca perguntei seu lugar em minha família~em minha mente jovem já tinha um lugar muito especial. Meus pais eram instrutores complementários: minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer. Porém o Estranho era nosso narrador. Mantinha-nos fascinados por horas com aventuras, mistérios e comédias. Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséramos saber de política, história ou ciência. Conhecia todo do passado, do presente e até podia prever o futuro. Levou minha família pela primeira vez a uma partida de futebol. Fazia-me rir e me fazia chorar. O Estranho nunca parava de falar, porém a meu pai isso não importava.
Às vezes minha mãe se levantava cedo e calada — enquanto que o resto da família estava pendente para escutar o que ele tinha a dizer —, ia-se à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Hoje me pergunto se ela terá rezado alguma vez para que o Estranho se fosse).
Meu pai dirigiu nosso lar com certas convicções morais, porém o Estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las. As blasfêmias, as más palavras, por exemplo, não eram permitidas em nossa casa... nem por parte de nós, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Sem embargo, nosso visitante de longo prazo, lograva sem problemas usar sua linguagem imprópria que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia com que papai se retorcesse e mamãe se enrubescesse.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Porém o Estranho nos animou a tentar e depois a faze-lo regularmente. Fez com que os cigarros parecessem inofensivos e que os charutos e cachimbos parecessem coisas de pessoas importantes e distintas. Falava livremente sobre assuntos de sexo dentro de nossa casa e na frente de nossos pais, avós irmãos e irmãs por menores que fossem. Seus comentários às vezes eram evidentes, outros sugestivos e sempre vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre estes temas foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo Estranho. Repetidas vezes o criticaram, mas nunca fez caso aos valores de meus pais e mesmo assim, permaneceu em nossa casa.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o Estanho se mudou para viver em nossa família. Desde então mudou muito, já não é tão fascinante como era no princípio, mas mesmo assim, agora acompanha todo mundo até dentro do quarto, da cozinha, em várias partes da casa.
Não obstante, ele continua sentado em seu lugar, esperando se alguém queira escutar suas palavras ou dedicar seu tempo a fazer-lhe companhia.
Seu nome?



Nós o chamamos Televisor, na intimidade, gostava de ser chamado pelo apelido «TV».

Nota:
É salutar que este texto seja lido em conjunto em cada família.
OBS.: Agora o Estranho tem um amigo íntimo que se chama computador, «amigado» com uma pessoa que nunca teve boa reputação, uma tal de Internet. Eles têm dois filhos: Celular e BlackBerry...


sábado, 3 de março de 2012

Rosário ou Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora



Fonte: Associação Senhor Jesus. Pesquisa: equipe EAD.




Em 1929, em Campinas SP, a Irmã Amália de Jesus Flagelado aprendeu de Jesus as orações do Rosário das Lágrimas de Maria Santíssima. No ano seguinte, Nossa Senhora entregou a Irmã Amália um Rosário (ao qual chamou 'coroa') de quarenta e nove contas brancas, divididas em sete partes por sete contas brancas grandes, semelhante ao Rosário das Sete Dores de Maria. Tem também três pequenas contas e uma medalha de Nossa Senhora das Lágrimas.

Posição oficial da Igreja: as orações e divulgação dos eventos relacionados a esta revelação têm aprovação da Igreja.
Mensagem principal: nenhuma graça é negada se pedida pelas lágrimas de Maria Santíssima.
Sinais e eventos: conversões através da medalha de Nossa Senhora das Lágrimas. Irmã Amália recebeu os estigmas de Cristo.
Profecias: por meio do Rosário de Lágrimas, o demônio será derrotado e o poder do inferno destruído.
Devoção relacionada à aparição: Nossa Senhora das Lágrimas.
Orações: Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora (com aprovação eclesiástica).
Rosário ou Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora
Oração Inicial: Eis nos aos Vossos pés, ó dulcíssimo Jesus Crucificado, para Vos oferecer as Lágrimas d’Aquela que, com tanto amor, Vos acompanhou no caminho doloroso do Calvário. Fazei, ó bom Mestre, que nós saibamos aproveitar a lição que elas nos dão, para que, realizando a Vossa Santíssima Vontade na terra, possamos um dia, nos Céus, Vos louvar por toda a eternidade. Amém.
Nas contas maiores: Vede, ó Jesus, que são as lágrimas d’Aquela que mais Vos amou na terra... E que mais Vos ama nos Céus.
Nas contas menores: Meu Jesus, ouvi os nossos rogos, Pelas lágrimas de Vossa Mãe Santíssima.
No final: Vede, ó Jesus, que são as lágrimas d’Aquela que mais Vos amou na terra... E que mais Vos ama nos Céus. (03 vezes)
Oração Final: Virgem Santíssima e Mãe das Dores, nós Vos pedimos que junteis os Vossos pedidos aos nossos, a fim de que Jesus, Vosso Divino Filho, a Quem nos dirigimos, em nome das Vossas Lágrimas de Mãe, ouça as nossas preces e nos conceda, com as graças que desejamos, a coroa eterna. Amém.
Jaculatórias: Coração de Jesus Crucificado, fonte de amor e de perdão! Por Vossa mansidão divina renovai a face da terra, e reinai em nossos corações. Ó Virgem dolorosíssima! As Vossas lágrimas derrubaram o império infernal.

Imprimatur:
+ Francisco, Bispo de Campinas
Campinas, 8 de março de 1934.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Novena da Graça


Para rezar-se de 4 a 12 de março.

É conhecida com o nome de Novena da Graça «por sua grande e comprovada eficácia nas necessidades da vida presente»
(São Pio X).


Origem desta Devoção
Quando estava adornando um altar em Nápoles, para uma festa em homenagem à Imaculada Conceição, em 1613, o Padre Marcelo Mastrilli, jesuíta, recebeu uma forte pancada na têmpora direita, de um martelo de quase um quilo de peso que caiu do alto dos andaimes, destruindo o lado direito do seu rosto. Com o passar dos dias o ferimento infeccionou e ia piorando a cada dia. Quando já contavam com sua morte próxima, recebeu a Unção dos Enfermos mas não pode receber a Sagrada Comunhão porque não podia tomar uma gota sequer de água.
«Enquanto seus irmãos de hábito pensavam como fazer para que ele pudesse receber o Corpo de Cristo, o Padre Mastrilli se levantou de repente, totalmente curado. A ferida havía desaparecido, a cicatriz nem se notava, o Padre se sentia restabelecido de um minuto para o outro.
«Bem cedo celebrou a Santa Missa e deu a comunhão a muitas pessoas que concorreram para ver o milagre de sua cura. Subiu em seguida ao púlpito e com sua própria voz explicou ao povo de Nápoles o segredo: vendo-se ferido e sem esperança de vida, havia feito um voto de honra a São Francisco Xavier de ir ºas Missões nas Índias, se lhe concedesse a saúde.
«Na noite anterior o Santo lhe apareceu animando-o a cumprir seu voto e receber o martírio no Japão, o que de fato aconteceu. O Padre mastrilli prometeu a especial ajuda do santo a quantos o invoquem e também recomendou a todos os fiéis fazerem esta Novena».
Santa Terezinha e a Novena da Graça
Há um fato muito singular de Santa Terezinha do Menino Jesus, que reforça essa opinião geral em favor da Novena da Graça: sua irmã Luísa (Madre Maria do Sagrado Coração) manifestou no processo de beatificação da Santa carmelita o seguinte:
- A caridade lhe fazia desejar o bem depois de sua morte. Este pensamento lhe preocupava. Em 1886 (morreu a Santa em 1897), de 4 a 12 de março fez a Novena a São Francisco Xavier. Ela me disse: «Eu pedi a graça de fazer o bem depois de minha morte, e agora estou segura de haver conseguido, porque por meio desta Novena se obtém tudo aquilo que se solicita».
Oração
Amabilíssimo e amantíssimo Santo: adoro convosco humildemente à Divina Majestade e lhe dou graças pelos singulares dons de graça que vos concedeu em vida e pela glória de que já gozais. Vos suplico com todo o afeto de minha alma, que me consigais por vossa poderosa interecessão, a graça importantíssima de viver e morrer santamente. Vos rogo também que me alcanceis a graça especial que peço nesta Novena (aqui se pedem as graças espirituais e temporais que se desejam). E, se o que peço não convém para a maior glória de Deus e bem de minha alma, quero alcançar o que para isso for mais conveniente. Amém.
Reza-se: Um Pai-nosso, uma Ave Maria e um Gloria ao Pai.
Obs.: Recomenda-se a confissão e comunhão em algum dia da Novena.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Cristo Redentor

Fotos de O Globo, 29.02.12 (fotos de Marcos Estrella)

        Não posso me esquecer da noite em que eu estava no Rio de Janeiro, noite em que a neblina levantada do mar cercava a estátua do Cristo Redentor no Corcovado. Durante algum tempo era apenas um foco de luz; em determinado momento, batia o vento, fazia-se um pouco de claridade, eu percebia um dos braços e depois uma das mãos do Cristo Redentor, iluminado com aquela luminosidade especial que a pedra de que é revestido o monumento.


Pouco depois era a face do Cristo Redentor que aparecia, em seguida era o seu peito onde pulsa o seu Sagrado Coração, mais adiante eram os seus pés divinos que todos gostaríamos de oscular. Em nenhum momento a luz deixava de encontrar um certo ponto de apoio no monumento, em nenhum momento a neblina conseguiu apagar a figura do Redentor.

Está é a fé com que caminhamos para o futuro. Poderá ser que provações muito difíceis toldem a nossos olhos as perspectivas da vitória; mas, para além das névoas, para além de tudo aquilo que pode ocultar a verdade, no horizonte visual do brasileiro há algo que nada tira: é a imagem do Cristo Redentor, a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Está fé há de nos salvar!



(Trechos de um discurso de Plinio Corrêa de Oliveira, em 17 de outubro de 1978)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Uma frase interessante, um pensamento profundo

De Santo Agostinho de Hipona


 O primeiro passo na busca da verdade é a humildade. 
   
O segundo, a humildade. 
  
 O terceiro, a humildade. 
   
E o último, a humildade. 
     
         Naturalmente, isto não significa que a humildade seja a única virtude necessária para o encontro e gozo da verdade; mas se as demais virtudes não estiverem precedidas, acompanhadas e seguidas da humildade, a soberba abrirá caminho e destruirá suas boas intenções.
        Quem anda à caça de milagres para cimentar sua própria fé faz de si mesmo o maior dos milagres ao recusar-se a crer no que todo mundo crê.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O papagaio que sabia dizer “Ave Maria”




Por Madre Mariana Morazzani Arráiz

O ambiente alegre e festivo de uma antiga feira medieval era contagiante: centenas de pessoas, adultos, jovens e crianças, moviam-se continuamente, falavam, cantavam, gesticulavam, discutiam preços ou simplesmente se distraíam. Iam lá para comprar? Para comer? Ou só para ver as novidades? Tudo isso e algo mais. Nessas feiras podia-se encontrar de tudo.


Em uma tenda, um estrangeiro de longa barba escura vendia tecidos preciosos das mais variadas cores; ao lado, um ferreiro demonstrava a qualidade de suas facas ("Veja, freguesa, nunca perdem o fio!"); mais adiante, um gordo e bonachão açougueiro, com avental todo salpicado de vermelho, pesava uma porção de carne numa balança de precisão duvidosa.


E além das vozes e idiomas que se misturavam, das crianças que choravam e dos vendedores que apregoavam suas mercadorias, sons de todos os instrumentos enchiam os ares, pois música é o que não faltava nessas ocasiões...
Naquele dia, caminhava em meio à colorida e movimentada multidão um homem barbado de meia-idade, baixa estatura, um tanto calvo e bem magro. Trajava uma surrada túnica marrom, com um cordão atado à cintura, e parecia ser muito estimado na região, pois quase todos o cumprimentavam cordialmente, e ele respondia da mesma forma. Por uns instantes, parava para conversar com o padeiro e metia dois pães na grande sacola que trazia; pouco além, pegava um queijo; mais alguns passos, uma dúzia de maçãs; noutra tenda, três repolhos.
Mas - coisa curiosa! - ele a ninguém pagava um centavo sequer.
 Como explicar isso? É que o bom homem, um irmão leigo franciscano conhecido pelo nome de Frei Bartolomeu, recolhia doações para seu mosteiro.


Depois de percorrer boa parte da feira e ter sua sacola quase cheia, foi despedir-se de um antigo conhecido. O velho Simão não comercializava alimentos nem tecidos, mas sua loja estava sempre cheia de gente curiosa. Ele vendia aves canoras e decorativas.


- Bom dia, Simão! Que novidades você tem hoje? 


- Olá, Irmão Bartolomeu! Infelizmente o senhor chegou tarde... Hoje cedo vendi um belo pavão para a senhora condessa.
Que animal mais lindo! Estou certo de que o senhor teria ficado encantado de vê-lo.


Enquanto falava, o velho tirava um pequeno papagaio de dentro de uma gaiola e o punha sobre a mesa. O pássaro, no entanto, ficou parado, sem fazer qualquer tentativa de fuga. Parecia um pouco tonto, pois balançava- se para um lado e para outro.


- E este bichinho? - perguntou o monge.
- Ah, este está muito doente, acho que vai morrer, e não tenho paciência nem tempo para cuidar dele. Estou pensando em torcer-lhe o pescoço, para abreviar-lhe o sofrimento.


- Oh, não faça isso! Por que não o dá para mim? 


- Ora, Irmão, sei que muitas vezes falta comida aos pobres monges, mas o senhor estará querendo cozinhar um papagaio? - perguntou surpreso o velho Simão.


- Claro que não! Dê-me a avezinha, eu vou alimentá-la e tratar dela.


- Pois não, pois não, Irmão. Nada tenho a perder com isso. Aqui está. É até um favor levá-lo.


Isto dizendo, entregou-lhe o pássaro enfermo.

Sob os cuidados do bondoso irmão, o papagaio refez-se e cresceu, revestindo-se de uma nova e vistosa plumagem verde. E logo, fazendo jus aos atributos de sua raça, começou a imitar o que falavam os monges. Animado, irmão Bartolomeu começou a ensinar-lhe a Ave Maria.


- Que é isso, Irmão? Quer ensinar catecismo ao pássaro? - gracejou outro monge.


- Ora, não é bonito ver o animalzinho repetir a Saudação Angélica? 


E falava alto: "Ave Maria!" E o papagaio repetia com seu "sotaque" característico: "Ave Maria!" 


Passando por ali nesse momento, o Padre Guardião do convento também sorriu ao ver o Irmão Bartolomeu no seu labor de ensinar o pássaro. E o preveniu:


- Cuidado com seu "aluno", Irmão, pois esta tarde anda pelo vale Jacques, o falcoeiro!


De fato, olhando pela janela, Irmão Bartolomeu pôde vê-lo à distância. Ele tinha sérias razões para não gostar do falcoeiro. Jacques sabia que em volta do mosteiro franciscano sempre voavam pássaros de várias espécies, pois o lugar silencioso e pacífico lhes servia de abrigo. Assim, quando a caça andava fraca nos vales da região, ele terminava seu percurso próximo ao convento, certo de encontrar presas fáceis e desavisadas nos telhados dos frades.

Muitas vezes Bartolomeu tinha visto as mais brancas pombas perecerem despedaçadas nas garras dos falcões. Mas o que mais lhe doía era o fato de Jacques ser um mau cristão que freqüentava tabernas e escarnecia da fé popular.

Estava o frade imerso nessas lembranças, quando de repente um aviso o chamou de volta à realidade: 

- Cuidado, Irmão Bartolomeu, o papagaio fugiu! 

Ao voltar-se surpreso, viu o vulto verde saindo pela janela oposta. Ainda gritou, chamando-o de volta, mas ele já voava contente por cima das árvores. Péssima hora para escapar... O bom frade já via, ao longe, um grande falcão que, voando em círculos à procura de alguma presa, subitamente avistou o papagaio e se precipitou sobre ele como uma flecha. Em vão o Irmão Bartolomeu procurou adverti-lo, o pequeno pássaro nem sequer ouvia sua voz.


Quando este, afinal, deu-se conta do perigo, já era tarde demais: o falcão já estava sobre ele. Apavorado, o papagaio não teve senão a reação instintiva de gritar tão forte quanto podia:



- Ave Maria! 






Qual não foi a surpresa de todos quando, mal esse brado saíra do bico da espavorida ave, viram o falcão precipitar-se morto por terra, como se tivesse sido fulminado por um raio!..



(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2006, n. 53, p. 46-47)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O santo e o Carnaval


Santo Afonso de Ligório


Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que Jesus Cristo, especialmente nestes dias de carnaval, é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria.
Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o Divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas.
Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.
É por isso que os Santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem Amado.
No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o Sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia as com brandura e exortava as à Comunhão frequente.
Numa palavra, todos os Santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os Santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.
O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do Céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer Lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!

São mentirosos os que dizem que o carnaval é só uma brincadeira


Fonte: Santo Afonso de Ligório, Meditações.

Inverno das Quatro Estações de Vivaldi


Antonio Vivaldi foi um compositor barroco, sacerdote e grande violinista. Teve seu nascimento e criação na República de Veneza (Itália). Vivaldi compôs mais de 500 concertos instrumentais, obras sacras para coral e mais de 40 óperas. 
As Quatro Estações (Le quattro Stagioni) é um conjunto de quatro concertos para violino composto por ele em 1723. Esta é sua obra mais conhecida e está entre as peças mais populares da música barroca.
A textura de cada concerto é variada, cada um se assemelha a sua respectiva época. Por exemplo, “Winter” (inverno) chama a atenção para a chuva gelada, enquanto “Summer” (verão) evoca uma tempestade em seu movimento final, razão pela qual disse que o movimento é muitas vezes chamado de “Storm” (tempestade).
Os concertos foram publicados pela primeira vez em 1725 como parte de um conjunto de doze concertos, os quatro primeiros foram denominados “Le quattro Stagioni“, sendo nomeados pelas estações. Cada concerto é composto por três movimentos, um movimento lento entre dois rápidos.
Neste vídeo você poderá escutar a execução de um trecho de «Inverno» das famosas Quatro Estações de Vivaldi. Clique no Link abaixo ou em qualquer das fotos e assista o vídeo.

Texto de Laize Kasmirsk