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domingo, 29 de abril de 2012

Criticando os outros


Um conferencista muito experimentado foi convidado a falar, num grande auditório, sobre o papel destrutivo das críticas no convívio humano.
Esperado por todos, o palestrante foi recebido com vivo interesse pelo público. Após os cumprimentos de praxe, não falou nenhuma palavra, apenas abriu uma grande mala de couro e dali tirou uma bela coroa, resplandecente de pedras preciosas e colocou-a em cima da mesa.
 


        No mesmo silêncio tirou da maleta um belíssimo vaso de porcelana chinesa com mais de mil anos, todo folheado a ouro e cravejado de rubis e diamantes.
A curiosidade do público era atiçada por seu silêncio. Mais uma bela maravilha saía de sua sugestiva mala: um instrumento de navegação utilizado pelos fenícios, muitos anos antes da vinda de Cristo sobre a terra.


      Não paravam de sair coisas belas e curiosas... o bastão de comando de César Augusto, Um rolo com os manuscritos do Primeiro Evangelho, Jóias pertencentes à Czarina Alexandra da Rússia, um cálice de ouro utilizado pelo Papa São Gregório Magno.
No momento em que todos já estavam a ponto de gritar pelo sugestivo silêncio do conferencista, ele tirou um vidro onde se contorcia uma nojenta serpente e colocou-a sobre a mesa.
 

         Pouco a pouco foi colhendo tudo e colocando de volta na mala. Tomando o vidro com a serpente, mostrou-o ao público e disse: 
 
- A crítica é assim, fala-se só da serpente e se esquece de todas as maravilhas que estavam sobre a mesa. Obrigado e uma boa noite a todos!
Sob fortes aplausos despediu-se da audiência.

 
Que acha de pesarmos nisso antes de criticar alguém?


terça-feira, 15 de novembro de 2011

O vendedor de conselhos

out 12th, 2011 by Arão O. Mazive.
A memória é a capacidade que tem o ser humano de evocar recordações vividas. Isso me ocorreu quando, numa conversa com um amigo de longa data, fugi um pouco do contexto de nosso assunto e comecei a relembrar algo sobre o tema que tratávamos.

Lembrei-me da entrada da pequena cidade de Genazzano, que leva esse nome por causa de um milagre ocorrido no século XV. Um afresco destacou-se da parede de uma igreja na Albânia, atravessou o mar Adriático, acompanhado por dois soldados que andavam sobre as águas, como fez São Pedro, até Roma. E lá está a linda imagem da Virgem com seu Divino Menino, invocada como a Mãe do Bom Conselho.


Aconselhar é um dom do Espírito Santo: o dom do conselho. É a luz Divina que ilumina nossa consciência e aperfeiçoa a virtude da prudência, e assim, nos leva a evitar o erro e a amar o bem.

Ícone de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano
Nós também podemos fazer bem a terceiros, quando temos a palavra certa, na hora certa…


Voltei a pegar o fio da conversa. Aliás, a divagação da memória tinha relação com esse fato.

Meu amigo continuava narrando-me um episódio ocorrido com ele naquele dia.

Ele havia deixado uma clínica onde fora fazer um exame de sangue. E como é natural, depois de um longo jejum exigido pelas regras médicas, dirigiu-se a uma lanchonete para comer alguma coisa. Estava saboreando seu sanduíche, quando dois jovens abordaram-no pedindo ajuda.

Agora, não! Respondeu. Os rapazes afastaram-se e na esperança de conseguir algo. Esperaram um pouco e na saída, novamente insistiram:

- O senhor pode dar-nos algo, algum dinheiro?

- Não! Não dou nada, só vendo! Respondeu meu amigo.

- Vende? Mas vende o quê? Perguntou um deles.

- Vendo conselhos!

- E quanto custa? Indagou o mais esperto e intuitivo.

- Vinte centavos!

O jovem, então, procurou em seu bolso uma moeda e entregou a meu conhecido. Dizendo:

Eu quero um conselho!

Foi aí que meu amigo disse:

- Eu não possuo nada! Tudo que tenho vem de Deus. Quando necessitarem de algo, peçam sempre a Ele!

Boquiabertos com a resposta olhavam ao meu amigo que lhes disse:

- Vamos lá! Entrando novamente na confeitaria comprou-lhes dois saborosos lanches.

Pensei com os meus botões: isso sim que é opção preferencial pelo social, mas passando antes pelo espiritual.

Tenho certeza que eles ganharam muito mais com a lição do “meu vendedor de conselhos”, do que se tivessem apenas saboreado os lanches…

Lucas Miguel Lihue