quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Stabat Mater dolorosa




Estava a Mãe dolorosa,
Junto da cruz, lacrimosa,

Enquanto Jesus sofria.

Uma longa e fria espada,

Nessa hora atribulada,

O seu coração feria.

Oh quão triste e quão aflita

Padecia a Mãe bendita,

Entre blasfémias e pragas.

Ao ver o Filho amado,

De pés e braços pregado,

Sangrando das Cinco Chagas!

Quem é que não choraria,

Ao ver a Virgem Maria,

Rasgada no seu coração.

Sem poder em tal momento,

Conter as fúrias do vento

E os ódios da multidão!

Firme e heróica no seu posto,

Viu Jesus pendendo o rosto,

Soltar o alento final.

Ó Cristo, por vossa Mãe,

Que é nossa Mãe também,

Dai-nos a palma imortal.

Maria, fonte de amor,

Fazei que na vossa dor

Convosco eu chore também.

Fazei que o meu coração

Seja todo gratidão
A Cristo de quem sois Mãe.

Do vosso olhar vem aluz

Que me leva a ver Jesus

Na sua imensa agonia.

Convosco, ó Virgem, partilho

Das penas do vosso Filho,

Em quem a minha alma confia.

Mãos postas, à vossa beira,

Saiba eu, a vida inteira,

Guiar por Vós os meus passos.

E quando a noite vier,

Eu me sinta adormecer

No calor dos vossos braços.

Virgem das Virgens, Rainha,

Mãe de Deus, Senhora minha,

Chorar convosco é rezar.

Cada lágrima chorada

Lembra uma estrela tombada

Do fundo do vosso olhar.

No Calvário, entre martírios,

Fostes o Lírio dos lírios,

Todo orvalhado de pranto.

Sobre o ódio que O matava,

Fostes o amor que adorava

O Filho três vezes santo.

A cruz do Senhor me guarde,

De manhã até à tarde,
A minha alma contrita.

E quando amorte chegar,

Que eu possa ir repousar

À sua sombra bendita.

Amém.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

As dores da Alma


J. DE DRIESCH
Sacerdote da Arquidiocese de Colônia

As dores da alma são muitas vezes mais difíceis de suportar que as do corpo. A contrição é uma dor da alma e uma detestação dos pecados cometidos. Deve acompanhá la o propósito, quer dizer, uma firme vontade de emendar a vida e de não mais pecar. Para que a contrição seja legítima, deve ser interna, e estar na alma, isto é, que não seja uma mera expressão feita com os lábios e sem reflexão: isto seria apenas contrição de boca.
Não é necessário manifestar exteriormente a contrição interna por meio de suspiros, lágrimas, etc.; tudo isto pode ser sinal de contrição, não é, porém, sua essência. A essência da contrição está na alma, na vontade, em afastar se deveras do pecado e converter se para Deus.
Além disso, a contrição deve ser geral, quer dizer, deve estender se a todos os pecados cometidos ou, pelo menos, a todos os mortais. Deve, finalmente, ser sobrenatural e, e não meramente natural, pois esta nada aproveita.
Segue se que a contrição, como todo o bem, deve proceder de Deus desenvolver se na alma. Porém, não tenhas receio; basta que a peças, basta que tenhas boa vontade e te arrependas por alguma motivo legítimo, sobrenatural, e Deus te dará a graça necessária.
Se o motivo se funda na natureza ou somente na razão (por exemplo, nos danos temporais, na vergonha, doença, etc.), é muito fácil que a dor seja puramente natural e sem mérito, porém, se o motivo da contrição é alguma verdade da Fé, por exemplo: o Inferno, o Purgatório, o Céu, Deus, etc., então a contrição é legítima, sobrenatural.
E esta contrição legítima e sobrenatural pode, por sua vez, ser de duas classes: perfeita e imperfeita; e com isto temos chegado à nossa matéria da contrição perfeita.
Em poucas palavras, contrição perfeita é a contrição que procede de amor; imperfeita, a que procede de temor de Deus.
É contrição perfeita quando procede de amor perfeito de Deus. Pois bem, o nosso amor a Deus é perfeito quando o amamos porque Ele é em Si infinitamente perfeito, formoso e bom (amor de benevolência), e porque nos há mostrado de uma maneira tão admirável o seu amor (amor de agradecimento).
É imperfeito o amor de Deus quando o amamos porque esperamos alguma coisa d'Ele. De modo que, com o amor imperfeito, pensamos, sobretudo, nos dons; com o perfeito, na bondade do doador; com o amor imperfeito, amamos mais os dons; com o perfeito amamos mais o doador, e isto não tanto pelos seus dons como pelo amor e bondade que nos dons se manifesta.
Do amor nasce a contrição. Será, pois perfeita a contrição se nos arrependermos do pecados por amor perfeito de Deus, quer seja de benevolência, quer de agradecimento. Será imperfeita se nos arrependermos dos pecados por temor de Deus, porque pelo pecado perdemos a recompensa de Deus, o Céu, e merecemos seu castigo, o Inferno ou o Purgatório.
Na contrição imperfeita, fixamo nos principalmente em nós e nas desgraças que, segundo a Fé nos ensina, nos acarretou o pecado. Na contrição perfeita, fixamo nos sobretudo em Deus, na sua grandeza, na sua formosura, amor e bondade, vendo quanto o pecado O ofende, e que foi o pecado que Lhe ocasionou tantos sofrimentos e dores para nos redimir. Na contrição perfeita, não queremos unicamente o nosso bem, senão o bem de Deus.
Com um exemplo o verás melhor. Quando S. Pedro negou o divino Salvador, saiu fora e “chorou amargamente”.   Porque chora S. Pedro? É porventura, pensando na vergonha que vai ter diante dos outros apóstolos? Se assim fosse, a sua dor teria sido puramente natural e sem mérito. É porque receia que seu Divino Mestre lhe tire, como ele merece, o cargo de Apóstolo e Superior e o expulse do seu reino? Então se ia boa contrição, mas somente imperfeita. Mas, não; Pedro arrepende se e chora, antes de tudo porque ofendeu a seu amado Mestre, tão bom, tão santo, tão digno de ser amado e por ser tão desagradecido ao seu imenso amor por ele. Tem, pois, verdadeira e perfeita contrição.
Agora dize me: tens tu também, cristão de minha alma, algum fundamento, algum motivo, parecido com o S. Pedro, para te arrependeres dos teus pecados por amor e por amor perfeito e agradecido? Sim, certamente, pois os benefícios que Deus te tem feito, são mais que os cabelos da tua cabeça, e, considerando os podes dizer, em cada um deles, o que dizia S. João: “Amemos a Deus já que Ele nos amou primeiro “ (S. João, Epist. I, c. 4, v. 19).

E como te amou?
“Com amor eterno te amei, disse Ele, e me compadeci de ti e te atraí a mim”. (Jerem. 31,3.).
Sim, “com amor eterno te amou”. Desde quando ainda mão havia nem um átomo de ti sobre a terra, te olhou com aqueles seus olhos amorosos e que tudo penetram, e te preparou alma e corpo, Céu e Terra, como amor com que uma mãe prepara todo o necessário para o filhinho que ainda não nasceu. Ele deu te a saúde e a vida, Ele te deu e te dá, em cada dia todos os bens naturais.
Consideração é esta que, até aos pagãos, pode fazê los chegar ao conhecimento e amor perfeito de Deus; quanto mais a ti, cristão, que conheces outro gênero muito diferente de amor e de bondade, o amor e bondade sobrenatural de Deus para contigo; porque Deus “se compadeceu de ti”; e quando, com todo o gênero humano, estavas condenado pela culpa original, Deus enviou o seu unigênito Filho, e Ele se fez teu Salvador e te remiu com seu sangue, morrendo na Cruz. E em ti pensava com entranhado amor quando agonizava no horto das Oliveiras, e quando derramava o seu sangue com os açoites e os espinhos, e quando subia arrastando a pesada Cruz pelo longo e áspero caminho do Calvário; e quando, cravado nela, se desfazia em sangue entre indizíveis tormentos. Em ti pensava com entranhado amor, como si tu foras o único homem da Terra. Que tens a concluir daqui? “Amemos a Deus já que Ele nos amou primeiro”.
E Deus “te atraiu a Ele” pelo batismo, graça capital e primeira da tua vida, e pela Igreja, em cujo seio foste então admitido. Quantos há que, só à força de trabalhos e canseiras, conseguem encontrar a verdadeira fé, e a ti a ofereceu Deus desde o berço, por puro amor. Atraiu te a Ele e te atrai sempre pelos sacramentos e pelas inumeráveis graças interiores e exteriores de que te enche todos os dias, pois em verdade, estás nadando, como em imenso mar, na bondade a amor de Deus. E este amor, quer ainda coroá lo colocando te consigo no Céu e fazendo te eternamente feliz. Que lhe deves, por tanto, amor? Não é verdade que deves corresponder a ele? “Amemos também a Deus já que Ele nos amou primeiro”.
Pois, vamos a contas e dize me: Como tens pago a Deus, tão bom e amoroso, o seu amor e bondade para contigo? Dir me ás, sem dúvida, que com ingratidão e pecados. E pesa te dessa ingratidão? Sem dúvida que sim e queres ressarcir a tua pesada ingratidão, amando quanto possas tão grande e amoroso benfeitor. Pois, olha, se assim é, já tens contrição perfeita, contrição de amor de Deus. Para facilitar, chama se a esta contrição de amor de Deus, contrição de amor ou de caridade.
Na mesma contrição de caridade, há uma, levantada, que é quando alguém ama a Deus porque Ele é em si infinitamente formoso, glorioso, perfeito e digno de amor, prescindindo do seu amor e misericórdia para conosco. Há estrelas, e com esta comparação julgo que entenderás melhor, que, por estarem muito longe de nós, não as podemos distinguir, e, contudo, são tão grande e formosas como o Sol, que tão prodigamente nos dá o calor e a vida. Pois assim, ainda quando o homem não tivesse visto nem gozado nunca do amor de Deus, eterna estrela do Céu, ainda quando Deus não tivesse criado o mundo nem criatura alguma, seria apesar disso, grande, formoso, glorioso e digno de ser amado, porque é em si mesmo e para si, o bem mais excelente, o mais perfeito e digno de amor. Isto e não outra coisa quer dizer essa expressão que, mais de uma vez, terás encontrado nos devocionários e nas fórmulas do ato de contrição e te terá parecido talvez algum tanto obscura.
Detém te, pois, agora e contempla o amor de Deus; contempla o, sobretudo, nos amargos sofrimentos do Salvador, a cuja luz o compreenderás tão facilmente como facilmente te arrebatará o coração. Eis aqui o modo de alcançar praticamente a contrição perfeita.

Perfeições do Criador


12/09/2011 - 10h29
REINALDO JOSÉ LOPES EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE



     Um estudo na última edição da revista americana "Science" explica a delicada aerodinâmica por trás das canções de amor dos beija-flores --frequentemente produzidas com as penas da cauda dos bichos, e não com seus órgãos vocais.




     
     A pesquisa liderada por Christopher Clark, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), colocou as penas de 14 espécies de beija-flor num túnel de vento, a mesma estrutura que serve para estudar a viabilidade de protótipos de aviões.
     O experimento mostrou que as canções são produzidas quando o vento faz as penas dos bichos tremularem, mais ou menos como uma bandeira hasteada, fenômeno que pode ser perigoso para aviões, mas que as aves conseguem tirar de letra.







     Penas vizinhas umas das outras podem produzir tons sonoros diferentes, gerando uma espécie de sinfonia, misturada à voz do animal.

Fonte: Folha.com

ECCE HOMO




=== Eis aqui o homem”.

Essas palavras de Pilatos atrai a atenção de quem lê atentamente a Paixão. São palavras muito sugestivas para os que crêem em Jesus e no valor de seu sacrifícios.
É um momento em que o Salvador leva uma coroa de espinhos e um manto de púrpura. Pilatos estava convencido da inocência de Jesus. Ele não encontrava culpa nAquele homem. Por isso ordena a flagelação para tentar acalmar o povo, porém ele tinha consciência clara que estava cometendo uma injustiça.
Depois da flagelação Pilatos, contemplando o próprio Filho de Deus no estado miserável que o deixou os golpes infligidos, o mostrou ao povo. Sua intenção não era de provocar um movimento de piedade, mas para dizer que um homem neste estado não tem nada de perigoso.
Pilatos então o apresenta e diz: «Eis o homem». Que encontramos por trás disto?
Em primeiro lugar, á um convite a olhar: Ecce
É um reclamo de um olhar que normalmente é mais para um espetáculo, para um acontecimento.
O que significa aqui o homem?
A intenção de Pilatos era afirmar: «Eis aqui este pobre homem, um impotente a quem ninguém pode temer, reduzido à condição mais deplorável».
Depois, quando a multidão responde de forma diferente do que ele esperava, Pilatos, sempre indeciso e nunca tomando a posição verdadeira e coerente com a verdade e com o seu dever de zelar pela ordem e defender a vida de Jesus, que ele tinha certeza de que era inocente, vai lançar outra expressão:

Jn 19, 14: “Eis aqui o vosso rei”. O que há detrás de tudo isso?

Ele vai usar este título de rei como uma provocação a aquele que obrigam a que Jesus vá ao suplício. Antes ele disse eis aqui o homem, agora o apresenta como rei.
Pilatos pergunta a Jesus o que é a verdade. Ele que era pagão, um romano que queria viver a vida de uma maneira fácil, sem sentido do transcendente, um relativista, por isso pergunta, que é a verdade? No fundo, juntado a pergunta pela verdade com o ecce homo, Pilatos nos põe a pergunta: Que vale o ser humano?

Qual pode ser o sentido do Ecce Homo no desígnio divino?

A ideia é clara. Umas palavras ditas por Pilatos podem ser objeto de uma revelação divina, como a famosa profecia de Caifás: “vale mais que morra um homem pelo povo”.
Os termos “eis o homem”, ainda sendo uma expressão perfeitamente natural, sem embargo, não somente tem um sentido dado por Pilatos. Poderíamos pensar que estas expressões são o cumprimento de um desígnio divino.
O significado superior de uma intenção divina é sublinhado pelo diálogo precedente de Jesus com Pilatos.

Pilatos pergunta: “És rei?”.
Jesus responde: “Tu o dizes, eu sou rei”.

Porém Jesus faz uma precisão: “meu reino não é deste mundo”.
Pilatos sabe que Jesus não é rei terreno, mas pergunta. Esta pergunta serve para que o Senhor faça uma revelação.
Pode-se presumir que aqui se apresenta um novo modelo de homem, na obra divina da salvação. O modelo é totalmente inesperado. O que vem proposto como o homem, não é o produto do êxito humano, mas é o homem humilhado, escarnecido, golpeado, não é o homem que alcançou desenvolver todas suas faculdades humanas.
É o homem reduzido a um estado miserável. No Antigo Testamento, o justo aparece como o exitoso. Homem bendito por Deus era sinônimo de êxito.
Aqui vemos ao mais inocente, colocado na desgraça. O bem que realizou não o livrou da prova.
Pilatos disse que não encontrava culpa em Jesus, mas apesar disso manda matá-lo. É o homem marcado pela injustiça, pela falta de êxito humano, é o homem que vai alcançar a vitória. Da injustiça, Jesus leva sinais em sua carne. As chagas da flagelação.
A multidão que havia recebido milagres não manifesta gratidão mas odeia a Jesus, o homem justo, que sofreu a injustiça de ser preso, flagelado, etc., mas que recebe ainda a ingratidão do povo a quem serviu.
Nestas cenas não há nenhum gesto de condescendência, de amor, nada. Tudo é humilhação, desprezo, injustiça sofrida pelo inocente. Jesus aparece desprovido de tudo aquilo que nós exigimos e reivindicamos como nossos direitos pessoais. Não há agradecimento, não há estima, há só injustiças.
Nos planos divinos, se percebe que o Criador tenha em seus desígnios que esta afirmação de Pilatos, eis aqui o homem, estaria revelando um novo modelo de humanidade.
A autoridade civil que podia dar leis, sem querer declara o sentido da nova humanidade, enquanto no processo religioso, as autoridades religiosas também atuaram num quadro de desígnio divino, por exemplo a frase de Caifás, que dava o sentido do sacrifício do Senhor. A teologia chama isto de profecia ex eventum.
Jn 11, 50-52: “Sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus ia morrer pela nação”.
Caifás era um interesseiro, mas sem querer se transformou em um profeta.
Jesus reconhece logo uma pergunta que Caifás lhe faz: “te conjuro: Diz-nos se és filhos de Deus
Jesus responde: “tu o dizes”.
O Sumo sacerdote faz uma pergunta que traz o problema fundamental. Jesus se apresenta como Filho de Deus.

  • O processo religioso termina dizendo: Sou Deus!
  • O processo civil termina dizendo: És homem, homem autêntico.

Assim fica claro a verdadeira Personalidade de Jesus: Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, em uma só Pessoa divina, como afirmaria, muitos séculos depois o Concílio de Calcedônia.
Os adversários acusam Jesus ante Pilatos porque se quis declarar rei. “Se tu não o condenas não és amigo de Cesar”. Colocam como se Jesus fosse um rival perigoso ao governador. Esta manobra absurda, de alguma maneira estava guiada pelo poder de Deus revelador.
Jesus diz: “Meu reino não é deste mundo”.
Para estabelecer seu reino, Jesus vem instituir um novo gênero de sociedade. Uma sociedade que acolhe a Deus, que acolhe ao reino e destinada a desenvolver-se pela relação com a verdade.
Neste sentido há um novo tipo de sociedade, a sociedade da verdade. A esta sociedade corresponde um novo tipo de homem, o autêntico homem.
Eis aqui o homem, são palavras que se referem ao homem que não duvidou em dizer que era rei.
Pilatos simplesmente constatou exteriormente a situação humana de Jesus, mas sem querê-lo, ao dizer «eis o homem», mostrou a Jesus como modelo da humanidade.
Na humanidade de hoje há numerosas situações geradoras de desprezo e que atingem um valor surpreendente. Bastaria ver o aparente “fracasso humano” das vidas dos santos.
A revolução da santidade não vem dos grandes do mundo. São poucos os grandes do mundo que fazem algo pelo mundo. A verdadeira santidade não estar em procurar a realização pessoal e a vitória pelos bens terrenos, mas em pôr os olhos na eternidade e servir a Deus.
Não podemos esquecer, porém, que vivemos na terra e que é nossa vida terrena que definirá nossa eternidade. Assim, a busca da glória terrena é dar passos no vazio para alcançar o nada.
Por outro lado, lutar, esforçar-se, propagar a glória de Deus é dar passos verdadeiros para alcançar a glória eterna prometida por Aquele que é o único e verdadeira Criador e Senhor de todas as coisas.


Texto baseado em apontamentos de classe: Mons. Pedro Hidalgo Díaz, Cuestiones Actuales de Cristología, Facultad de Teología Pontificia y Civil de Lima – Perú.

sábado, 10 de setembro de 2011

Expressão vazia do pensamento



Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que «sempre se fala mal quando não se tem o que dizer». A falta de reflexão é um dos grandes problemas na sociedade atual, impregnada pelo excesso de informação, pela baixeza de certo tipo de imprensa escrita, falada e sobretudo televisiva, pela escassez de leitura de textos com profundidade e seriedade, capazes de proporcionar a formação de opiniões.
Neste sentido é interessante a história de um certo pai, muito sábio, que levou seu filho a um passeio pelo vale serpeado por um belo riacho e delimitado por brancas montanhas cobertas de neve no inverno, de flores na primavera e de verde relva no verão. Era uma radiosa manhã em que os raios de sol pareciam brincar entre a neblina que persistia em manter-se sobre as flores do vale.
Sentaram-se os dois sobre um banco de madeira que ali havia, ao som do trinar harmonioso dos pássaros que saudavam o «Astro Rei».
O pai perguntou ao filho:
- Além dos pássaros, ouves mais alguma coisa?
Atento às palavras do pai, o filho prestou atenção em qualquer outro ruído que seus ouvidos pudessem captar e percebeu algo diferente:
- Sim pai, respondeu, escuto algo que parece uma carroça, puxada por um cavalo.
O pai esboçou um sorriso e perguntou:
- Mas uma carroça carregada ou vazia?
- Como posso saber, pai? Foi a imediata resposta do jovem que já estava curioso pela pergunta do pai.
Com muita calma o pai afirmou:
- Esta carroça está vazia.
O jovem, intrigado, perguntou ao pai:
- Como o senhor sabe que está vazia, se ainda não é possível divisá-la no meio das brumas?
- Isto é fácil, meu filho – disse o pai com certa solenidade. Quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz.
O jovem cresceu e depois difundiu para todo o mundo aquele singelo ensinamento de seu pai:
Quando vemos uma pessoa falar demais, gritar, tratar o próximo sem o devido respeito, prepotente, interrompendo os outros para falar daquilo que lhe interessa, ou pior, para louvar suas qualidades, verdadeiras ou imaginadas, querendo demonstrar que é dono da verdade... lembremo-nos da voz daquele sábio pai dizendo a seu filho:





- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

São Bonifácio, padroeiro da Alemanha

Papa Bento XVI


     Profundamente radicado no cristianismo da sua terra natal, São Bonifácio forjou a sua vida na fortaleza e no júbilo espirituais.
Transmitiu com ardor esta herança também às pessoas às quais anunciou o Evangelho. Aquilo que ele tinha recebido na sua pátria havia de tornar-se comum também na Alemanha e dar frutos. A fundação tão amada por São Bonifácio, o mosteiro de Fulda, tornou-se juntamente com outros um centro de difusão da vida religiosa e espiritual. Com efeito, o Santo promoveu o encontro decisivo entre cultura romano-cristã e cultura germânica, cuja importância para a História foi manifestada ao longo dos séculos sucessivos:  é a ele que se deve  agradecer a fundação cristã da Europa.
     O que plasmou a vida e as obras de São Bonifácio, de modo particular, foi o seu estreito relacionamento com os Sumos Pontífices romanos, os Sucessores de Pedro, pelos quais nutria uma profunda veneração.
Para ele, as palavras de Pedro, Príncipe dos Apóstolos eram tão preciosas, que chegou a pedir aos amigos na pátria, que transcrevessem as Cartas de Pedro com tinta dourada. Ele empreendeu três viagens cansativas a Roma. 
     Pediu e obteve ao Papa Gregório III que lhe enviasse para junto dos germânicos, e por ele mesmo foi ordenado Bispo. O Papa Gregório III concedeu-lhe o Pálio de Metropolita e, sobretudo, atribuiu-lhe a dignidade e o poder de Legado Pontifício para a erecção de Sedes episcopais e para a consagração de Bispos. Por conseguinte, a estrutura hierárquica da Alemanha contemporânea deve-se, nas suas características essenciais, à sua obra. Menos missionário entre os pagãos do que pensara, tornou-se o edificador da Igreja no Reino dos Francos. Comprometeu-se na instauração das relações eclesiais, segundo o modelo e as directrizes de Roma.
     Sínodos significativos serviram esta causa. De tal maneira, São Bonifácio conseguiu revigorar os vínculos, até então frágeis, das populações germânicas com o centro romano da Igreja e a uni-las mais intimamente à Igreja universal. Por fim, desejou infundir vida espiritual nas estruturas eclesiais que ele mesmo tinha criado. Com vigor, São Bonifácio empenhou-se em reforçar os fundamentos da moralidade cristã e comprometeu-se numa celebração da Eucaristia e numa administração dos Sacramentos que fossem dignas e correspondessem às normas eclesiais em vigor. Os Sucessores de Pedro ajudaram-no e fortaleceram-no neste empreendimento. No contexto de uma missiva, o Papa Zacarias pediu a "todos aqueles que vivem na Gália e nas Províncias dos Francos", que seguissem as reformas promovidas por São Bonifácio. Assim, o embaixador da fé, proveniente da Inglaterra, conseguiu lançar os fundamentos para um extraordinário florescimento religioso-cultural, que se verificou depois da sua morte, e cujos frutos ainda hoje estão presentes.
      O 1250º aniversário da morte de São Bonifácio pode ser interpretado como um estímulo a dar testemunho de uma Igreja viva e animada por uma fé sólida. Repleta de graça que o Senhor Deus, em conformidade com o desígnio imperscrutável da sua Providência, concede em todos os tempos, e portanto também nos dias de hoje, à comunidade santa dos seus fiéis, a Igreja implantada por São Bonifácio primeiro na Alemanha e depois na Europa caminhará rumo a um futuro mais luminoso.

Carta do Papa aos Chineses




Papa Bento XVI     
     « Duc in altum » (Lc 5,4). Estas palavras ressoam aos nossos ouvidos, convidando-nos a lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente e a abrir-nos com confiança ao futuro: “Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje e sempre” (Hb 13,8) ».[7] Também na China a Igreja é chamada a ser testemunha de Cristo, a olhar em frente com esperança e a tomar consciência — no anúncio do Evangelho — dos novos desafios que o Povo chinês deve enfrentar.
     A Palavra de Deus ajuda-nos, uma vez mais, a descobrir o sentido misterioso e profundo do caminho da Igreja no mundo. De facto, « uma das principais visões do Apocalipse tem por objecto [o] Cordeiro no acto de abrir um livro, primeiro fechado com sete selos que ninguém tinha sido capaz de abrir. João é inclusivamente apresentado na atitude de chorar, porque não se encontrava ninguém digno de abrir o livro e de o ler (cf. Ap 5,4). A história permanece indecifrável, incompreensível. Ninguém a pode ler. Talvez este pranto de João diante do mistério da história tão obscuro expresse a perturbação das Igrejas asiáticas pelo silêncio de Deus diante das perseguições a que estavam expostas naquele momento. É uma perturbação na qual se pode reflectir bem o nosso horror face às graves dificuldades, incompreensões e hostilidades que também hoje a Igreja sofre em várias partes do mundo. São sofrimentos que a Igreja sem dúvida não merece, assim como o próprio Jesus não mereceu o seu suplício. Contudo eles revelam quer a maldade dos homens, quando se abandonam às sugestões do mal, quer a orientação superior dos acontecimentos por parte de Deus ».[8]
     Hoje, como ontem, anunciar o Evangelho significa proclamar e testemunhar Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, o Homem novo, vencedor do pecado e da morte. Ele permite aos seres humanos entrar numa nova dimensão, onde a misericórdia e o amor oferecidos mesmo ao inimigo testemunham a vitória da Cruz sobre qualquer fraqueza e miséria humana. Também no vosso País, o anúncio de Cristo crucificado e ressuscitado será possível na medida em que com fidelidade ao Evangelho, na comunhão com o Sucessor do Apóstolo Pedro e com a Igreja universal, souberdes pôr em prática os sinais do amor e da unidade (« como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: Se vos amardes uns aos outros. [...] Como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste »: Jo 13,34-35; 17,21).

Santos Mártires Chineses


Por: DANIEL CEREZO, Missionário Comboniano



José Zhang Dapeng, nascido em 1754 e martirizado em 1815, é um dos 120 mártires chineses proclamados santos por João Paulo II na Basílica de São Pedro no passado dia 1 deste mês.

Zhang é, de certa forma, um protótipo, singelo mas ao mesmo tempo eloquente, dos outros mártires. Na sua breve biografia sobre os 120 mártires chineses, D. José Wang Yu-Jung, bispo em Taiwan e presidente da Comissão Episcopal para a Canonização dos Santos Mártires Chineses, relata alguns episódios da vida de Zhang Dapeng que vale a pena recordar.
«Nascido na província de Guizhou – relata o livro –, desde muito novo se sentiu atraído pelo taoísmo. Aos 20 anos, montou um negócio de seda com um sócio chamado Wang. Foi precisamente através do filho mais velho de Wang que Zhang teve o primeiro contacto com Cristo. Aceitou Jesus Cristo, mas não pôde receber o baptismo, porque tinha uma concubina. Três anos mais tarde, um catequista, Hu Shilu, persuadiu-o a deixar a concubina, sendo então baptizado com o nome de José, apesar da enérgica oposição dos seus irmãos. A partir de então, a sua vida transformou-se numa frenética actividade missionária, anunciando o Evangelho de Jesus e a Boa Nova. Comprou uma casa para dar aulas de religião e catequese. Em 1808, o padre Tang pediu-lhe para ser director de uma escola e simultaneamente catequista. Tudo corria bem. Mas chegaram os tempos das revoltas e sublevações da seita Lódão Branco (Bailianjiau) e inicia-se a perseguição religiosa. A seita Lódão Branco, fundada em 1133, tinha por finalidade a adoração do Buda Amitabha. Foi fundada por Mao Ziyuan, na província de Suzhou. Os seus adeptos eram, em geral, camponeses pobres, na maioria vegetarianos, que se negavam a pagar impostos. Este tipo de sublevações eram, na maior parte dos casos, uma resposta da população camponesa e mais pobre da sociedade à corrupção dos funcionários do Governo, às desigualdades sociais, à escassez de terras de que os camponeses podiam dispor e às medidas autoritárias exercidas sobre a população, sem esquecer a natural aversão para com os estrangeiros. Pouco a pouco, os cristãos foram condenados como suspeitos. José fugiu, mas o seu filho foi preso e morreu na prisão dois anos mais tarde. Apesar de tudo, Zhang não esmoreceu no seu zelo missionário. Mas em 1814 foi traído por um cunhado e posteriormente preso. Na cadeia encontrou-se com outro dos 120 mártires agora canonizados, Pedro Wu Guosheng. Ambos animavam os cristãos a sofrer pela sua fé e a manterem-se fiéis a Deus. Mais ainda: na cadeia, conseguiu instruir na fé alguns companheiros não cristãos. No ano seguinte deram-lhe a possibilidade de ser solto se renunciasse à sua fé, mas ele permaneceu fiel até ao fim. Horas antes do seu martírio, os seus irmãos e familiares suplicaram-lhe de joelhos e com as lágrimas nos olhos que renunciasse à sua fé. Em vão. No dia 2 de Fevereiro de 1815 foi assassinado e enterrado em Xijiaotang. Depois da sua morte, muitos cristãos começaram a venerá-lo. A 2 de Maio de 1909 foi beatificado por Pio X e a 1 deste mês canonizado por João Paulo II.»

O exagero do amor


São Pedro Julião Eymard
Nosso Senhor Jesus Cristo quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele.
Toda virtude, todo pensamento que não termina numa paixão, que não acaba por tornar-se uma paixão, nada de grande produzirá jamais. (...)
O amor só triunfa quando é em nós uma paixão vital. Sem isso, podem produzir-se atos isolados de amor, mais ou menos freqüentes; a vida não é tomada, não é nada (...).
Nosso amor, para ser uma paixão, deve sofrer as leis das paixões humanas. Falo das paixões honestas, naturalmente boas; pois as paixões são diferentes em si mesmas; nós as tornamos más quando as dirigimos para o mal, mas só de nós depende utilizá-las para o bem.
Ora, a paixão que domina o homem, concentra-o.
Tal homem quer chegar a uma determinada posição honrosa e elevada. Só para isso trabalhará dez, vinte anos, não importa. Chegarei, diz ele; faz unidade: tudo se acha reduzido a servir esse pensamento, esse desejo, deixa de lado tudo quanto não o conduzir a seu objetivo.
Eis como se chega no mundo ao que se deseja; essas paixões podem tornar-se más, e ai! Muitas vezes não são mais que um crime contínuo; mas enfim podem ser e são ainda honoríficas.
Sem uma paixão, nada se alcança: a vida carece de objetivo; arrasta-se uma vida inútil.
Pois bem, na ordem da salvação, é preciso ter também uma paixão que nos domine a vida e a faça produzir, para a glória de Deus, todos os frutos que o Senhor espera.
Amai tal virtude, tal verdade, tal ministério apaixonadamente. Devotai-lhe a vossa vida, consagrai-lhes os vossos pensamentos e trabalhos; sem isso, nada alcançareis jamais, sereis apenas um assalariado, jamais um herói (...)
Ah! no Juízo, não serão tanto os nossos pecados que nos aterrorizarão e nos serão censurados; estão irrevogavelmente perdoados.
Mas Nosso Senhor nos censurará por seu amor!
Vós me amastes menos que às criaturas! Vós não fizestes de Mim a felicidade de vossa vida! Vós me amastes bastante para não me ofender mortalmente; mas não para viver de Mim! (...)
Dizem: Mas é exagero tudo isso.
Mas que é o amor, senão exagero? Exagerar é ultrapassar a lei; pois bem, o amor deve exagerar! (...)
Vamos! Entremos em Nosso Senhor! Amemo-Lo um pouco por Ele; saibamos esquecer-nos e dar-nos a esse bom Salvador! Imolemo-nos um pouco! Considerai estes círios, esta lâmpada, que se consomem sem deixar vestígios, nada reservar”.

São Pedro Julião Eymard, “O Santíssimo Sacramento”, Coleção “Os grandes autores espirituais”, nº 24, Ed. Paulinas, São Paulo, 1956, pp. 27 a 32.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

AVC faz mais de 100 vítimas por dia em SP


Pacientes com idades entre 30 e 49 anos responderam por 14% das internações em 2010, aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde.

Fonte: Agência da Fundação de Apoio ao Ensino e Pesquisa do estado de São Paulo, em 6/9/2011.

Agência FAPESP – Um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que, em média, 106 pessoas são internadas por dia em hospitais públicos do Estado de São Paulo com acidente vascular cerebral (AVC) ou acidente vascular encefálico (AVE).

Em 2010, houve 38,9 mil internações por AVC no Sistema Único de Saúde (SUS) paulista, número acima das 36,1 mil registradas no ano anterior. De acordo com a Secretaria, pacientes com mais de 70 anos são os mais acometidos pela doença no estado, com 15,9 mil internações em 2010. A segunda faixa etária com mais hospitalizações é a de 50 a 59 anos, com 7,3 mil registros. Já as pessoas entre 30 e 49 anos responderam por 5,5 mil internações em 2010.

Segundo Reinaldo Teixeira Ribeiro, neurologista do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) "Dr. Luiz Roberto Barradas Barata", em Heliópolis, zona sul da capital paulista, as principais causas para a ocorrência de derrames são hipertensão arterial sistêmica (conhecida popularmente como pressão alta), diabetes mellitus (níveis altos de açúcar no sangue), dislipidemias (colesterol e triglicerídeos altos), tabagismo, obesidade, sedentarismo e estresse.

Além disso, o especialista ressalta que os principais fatores de risco, que costumavam aparecer apenas em pessoas acima de 40 anos, estão se manifestando cada vez mais cedo.

"O estilo de vida urbano atual favorece com que as pessoas sejam estressadas, sedentárias, consumam alimentos ricos em gorduras, fiquem acima do peso e desenvolvam pressão alta e diabetes antes do que acontecia antigamente", disse Ribeiro.

Para o neurologista, um estilo de vida mais saudável com a redução do estresse, prática regular de atividades físicas e alimentação balanceada podem evitar que fatores de risco como a pressão alta e o diabetes apareçam.

O médico afirma ser importante também que a população saiba reconhecer os sinais da doença para que haja socorro imediato, favorecendo o tratamento. "Deve-se suspeitar que a pessoa esteja sofrendo um acidente vascular cerebral ou encefálico quando, de repente, ela fica com a boca torta para um lado; com um braço e/ou uma perna dormentes, pesados, difíceis de levantar, e dificuldade para falar", disse Ribeiro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011