domingo, 21 de agosto de 2011

É verdade que existe o Inferno?


      Padre André Beltrami, S. D. B.


     Muita gente pergunta se Deus, sendo tão bom poderia ter criado o Inferno. Vejamos um pouco o que Ele mesmo diz através de seu Filho que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e portanto o mesmo Deus, que se encarnou e viveu entre nós.
   Jesus Cristo pelo menos quinze vezes proclama a existência deste lugar de tormentos. Para causar em nós um saudável temor e dar-nos uma idéia justa do inferno, Ele o chama: Fogo inextinguível, trevas exteriores, onde haverá pranto e ranger de dentes, lugar de tormentos, fornalha de fogo, Geena de fogo.
     A Geena era um vale perto de Jerusalém, onde alguns maus hebreus, apóstatas de sua religião, sacrificavam ao ídolo Moloc os seus filhinhos, expondo-os antes ao fogo. O piedoso rei Josias, para abolir esse bárbaro costume, mandou aterrar o vale, ordenando que se lançasse aí o lixo da cidade e os cadáveres aos quais fosse negada a sepultura; e, como medida profilática, o fogo era mantido sempre aceso nele. Nosso Divino Salvador, para tornar mais sensível a idéia do inferno, tomou a imagem desse vale, que os hebreus abominavam, dando-lhe precisamente o nome de Geena.
     Na parábola do rico epulão, tão cheia de ensinamentos, e que tanto incomoda aos ricos gozadores do mundo, Jesus nos ensinou que o mau uso das riquezas leva inevitavelmente ao inferno, enquanto as dificuldades e as privações suportadas por amor de Deus conduzem ao lugar de eterna felicidade.
“Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um mendigo, chamado Lázaro, o qual recoberto de chagas, estava deitado à sua porta, desejando saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico, e ninguém as dava para ele; mas os cães vinham lamber-lhe as feridas.
     “Ora, aconteceu morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Faleceu também o rico, e foi sepultado no inferno. E, quando estava nos tormentos, levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro em seu seio; e, gritando, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo, para refrescar a minha língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão disse-lhe: Filho, lembra-te que recebeste os bens em tua vida e Lázaro, ao contrário, males, por isso agora ele é consolado e tu és atormentado. E, além disso, há entre nós e vós um grande abismo; de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de aí passar para cá. E disse: Rogo-te pois, ó pai, que o mandes a casa de meu pai. Pois tenho cinco irmãos para que os advirta disto e não suceda virem também eles parar neste lugar de tormentos. E Abraão disse-lhe: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Ele, porém, disse: Não, pai Abraão, mas se algum dos mortos for ter com eles, farão penitência. E ele disse-lhe: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscitasse algum dos mortos”. (S. Lucas, XVI, 19-31).
     Aqui está, descrito com cores vivas, aquele reino de dor, onde um fogo abrasador e horrível atormentará, sem um instante de trégua, o mísero condenado: Uma gota, uma única gota de água pedia o epulão para mitigar os insuportáveis ardores da sede, e essa gota lhe foi negada sem dó! Ai! Quem de vós, brada aos ímpios o Profeta Isaías, cheio de espanto, quem de vós poderá habitar nesse fogo devorador? Nesses ardores eternos?
Ao final da parábola, acena-se à repugnante incredulidade de tantos infelizes que vivem mergulhados nos vícios, não se importando com as verdades eternas, nas quais não creriam nem mesmo se aparecesse algum condenado para lhes atestar a existência do inferno. Qual não será o seu desespero quando se virem, um dia, sepultados naquele abismo de tormentos, sem a menor esperança de saírem de lá?
     Em outra parte, Jesus Cristo descreve o juízo universal que Ele fará no fim do mundo, e a sentença de condenação eterna que proferirá contra aqueles que não praticarem as obras de misericórdia para com os seus irmãos, e que serão precipitados no fogo que nunca se acaba, preparado para o demônio e seus sequazes. Quanto temor não causa à alma a consideração deste trecho do Evangelho! Ah! Se os libertinos, que negam com tanto atrevimento a vida futura, refletissem um pouco, certamente mudariam de vida! Foi fruto desta meditação aquela tão sublime poesia do Dies irae, que é o gemido de uma alma toda compenetrada do terror do juízo divino e do destino eterno que a espera depois.
     “Quando vier o Filho do homem em Sua majestade, e todos os anjos com Ele, então se sentará sobre o trono da Sua majestade, e serão todos os povos congregados diante dEle, e separará uns dos outros como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à Sua direita, e os cabritos à esquerda.
     “Então dirá o Rei aos que estiverem à Sua direita: Vinde benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo; porque tive fome, e destes-Me de comer; tive sede, e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; estava no cárcere e fostes Me visitar. Então Lhe responderão os justos, dizendo: Senhor, quando é que nós Te vimos faminto e Te demos de comer; com sede e Te demos de beber? E quando Te vimos peregrino, e Te recolhemos; nu, e Te vestimos? Ou quando Te vimos doente, ou no cárcere e fomos visitar-Te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Na verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.
     “Então dirá também aos que estiverem à esquerda: Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos; porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino, e não Me recolhestes; nu, e não me vestistes; enfermo e no cárcere e não Me visitastes. Então eles também Lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós Te vimos faminto, ou sequioso, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e não Te assistimos? Então lhes responderá, dizendo: Na verdade vos digo: todas as vezes que não o fizestes a um destes mais pequeninos, a Mim não o fizestes. E estes irão para o suplício; e os justos para a vida eterna.” (S. Mateus, XXV, 31-46).
     E para tornar mais familiar, quase visível, ao povo o pensamento do inferno, usa a comparação dos rebentos e da videira.
    “Eu sou a videira e vós os rebentos. O que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem Mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora como o rebento, e secará, e o enfeixarão, e o lançarão no fogo, e arderá.” (S. João, XV, 5-6).
     Depois, falando dos escândalos, nosso bendito Salvador, geralmente tão cheio de doçura e mansidão, toma um tom terrível e os ameaça de condenação eterna.
     “Ai do mundo por causa dos escândalos! Porque é necessário que sucedam escândalos; mas ai daquele homem pelo qual vem o escândalo! E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor te é entrar na vida maneta, do que, tendo duas mãos, ir para o inferno, para o fogo inextinguível, onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.
     “E se o teu pé te escandaliza, corta-o; melhor te é entrar na vida eterna coxo, do que, tendo dois pés, ser lançado no inferno, num fogo inextinguível, onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.
     “E se o teu olho te escandaliza, lança-o fora; melhor te é entrar no reino de Deus sem um olho, do que tendo dois, ser lançado no fogo do inferno, onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga. Porque todo o homem será salgado pelo fogo, e toda vítima será salgada com sal.” (S. Marcos, IX, 42-48).
     Explica São Tomás que esse verme que não morre é o remorso da consciência, que há de atormentar o condenado no inferno para sempre; remorso pelo grande bem que perdeu, ele que tinha tantos meios de se salvar.
      A expressão será salgado pelo fogo significa que, assim, como o sal conserva as coisas, assim o fogo, no qual os condenados serão imersos, ao mesmo tempo que faz sofrer atrozmente, os conserva sempre em vida. Aí o fogo consome, diz São Bernardo, para conservar sempre. Neste trecho faz-se clara alusão aos sacrifícios legais que os hebreus tinham sempre diante dos olhos, e nos quais estava prescrito que se aspergisse com sal a vítima que era oferecida a Deus: Na verdade, os condenados são como vítimas da justiça divina.
    Eis como Jesus Cristo proclama continuamente no Evangelho o dogma do inferno, prevendo os assaltos que os incrédulos e libertinos dariam ao mesmo. Quanto a nós, permaneçamos inabaláveis em nossa crença, certos da existência do inferno, como da existência do Sol, da Lua e das outras coisas que nos cercam. Deus o revelou a nós e o ensina por meio da Igreja, e a palavra de Deus não falha.


Do livro “O Inferno Existe”

Vídeo sobre a vida de São Pio X



      

      No último post sobre São Pio X, pudemos conhecer a grandeza de alma deste Santo representante de Cristo que nos albores do século XX guiou a «Barca de Pedro». Neste vídeo, poderemos conhecer mais detalhes da vida deste grande Santo.

São Pio X



SPIO X_2.jpgEra o segundo de dez filhos de uma família rural da província de Treviso. Ordenado em 1858, estudou direito canónico e a obra de São Tomás de Aquino. Em 10 de Novembro de 1884 foi elevado a Bispo de Mântua, e em 1896 a Patriarca de Veneza sendo eleito Papa em 4 de Agosto de 1903 com 55 dos 60 votos possíveis no conclave.
O seu lema era "Renovar todas as coisas em Cristo", expresso na sua encíclica Ad Diem Illum [1]. Por esta razão, foi um defensor intransigente da ortodoxia doutrinária e governou a Igreja Católica com mão firme numa época em que esta enfrentava um laicismo muito forte e diversas tendências do modernismo, encarado por ele como a síntese de todas as heresias nos campos dos estudos bíblicos e teologia.
Pio X introduziu grandes reformas na liturgia e codificou a Doutrina da Igreja Católica, sempre num sentido tradicional e facilitou a participação popular na Eucaristia. Foi um Papa pastoral, encorajando estilos de vida que reflectissem os valores cristãos. Permitiu a prática da comunhão eucarística frequente e fomentou o acesso das crianças à Eucaristia quando da chegada à chamada idade da razão. Promoveu ainda o estudo do canto gregoriano e do catecismo (ele próprio foi autor de um catecismo, designado por Catecismo de São Pio X). Criou a Pontifícia Comissão Bíblica e colocou as bases do Código de Direito Canônico, promulgado em 1917 após a sua morte. Publicou 16 encíclicas.
Pio X não receou provocar uma crise com a França quando condenou o presidente francês por visitar Victor Emmanuel III, Rei de Itália, com quem a Igreja estava de más relações desde a tomada dos Estados Papais na unificação italiana, em 1870. Entre as consequências deste embate cita-se a completa separação entre Igreja e Estado em França e a expulsão dos Jesuítas. Teve como secretário de Estado o famoso cardeal Merry del Val.
Na lápide do seu túmulo na Basílica de São Pedro no Vaticano, lê-se: A sua tiara era formada por três coroas: pobreza, humildade e bondade. Foi beatificado em 1951 e canonizado em 3 de Setembro de 1954 por Pio XII. A Igreja celebra a sua memória litúrgica no dia 21 de Agosto. É actualmente o patrono dos peregrinos enfermos e é considerado um dos maiores dos Papas da Igreja.
Foi o único Papa do século XX a ter tido extensa experiência pastoral ao nível da paróquia. Favoreceu o uso de termos BRASAO_SPIOX............jpgvernaculares na catequese. O seu estilo directo e as denúncias de atropelos à dignidade humana não lhe trouxeram grande apoio por parte das sociedades aristocráticas europeias na época pré-Primeira Guerra Mundial.

Brasão e Lema

Descrição: Escudo eclesiástico. Campo de blau, com uma âncora de três ganchos de sable, filetada de argente, encordada de goles, posta em banda, pescante num mar de blau ondado argente, posto em ponta. A âncora encimada por uma estrela de seis pontas de jalde. Em chefe, as armas patriarcais de São Marcos de Veneza, que é de argente com leão alado e nimbado, passante ao natural, sustentando um livro aberto que traz a legenda: PAX TIBI MARCE EVANGELISTA MEVS. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre duas chaves decussadas, a primeira de jalde e a segunda de argente, atadas por um cordão de goles, com seus pingentes. Timbre: a tiara Papal de argente com três coroas de jalde. Sob o escudo, um listel de blau com o mote: INSTAVRARE OMNIA IN CHRISTO, em letras de jalde. Quando são postos suportes, estes são dois anjos de carnação, sustentando cada um, na mão livre, uma cruz trevolada tripla, de jalde. 

Interpretação: O escudo obedece ás regras heráldicas para os eclesiásticos. O campo de blau (azul) representa o firmamento celeste e ainda o manto de Nossa Senhora, sendo que este esmalte significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A âncora é símbolo de esperança, estabilidade e resistência, sendo de sable (preto), traduz sabedoria, ciência, honestidade e firmeza. A corda de goles (vermelho) simboliza: o fogo da caridade inflamada no coração do Soberano Pontífice pelo Divino Espírito Santo, que o inspira diretamente do governo supremo da Igreja, bem como valor e o socorro aos necessitados, que o Vigário de Cristo deve dispensar a todos os homens. 

S PIO X_3.....jpgO mar ondado representa as águas revoltas da vida, por onde o Soberano Pontífice tem que conduzir a Igreja, a Barca de Pedro; seus esmaltes são blau (azul) que tem o significado acima descrito, e argente (prata) que traduz inocência, castidade, pureza e eloqüência. A estrela representa a Virgem Maria, Estrela da Manhã, que orienta os navegantes nos mares bravios da vida, sendo de jalde, simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. O chefe com as armas do Patriarcado de Veneza relembra o tempo feliz que o pontífice passou como seu patriarca; sendo que a expressão "ao natural" é um recurso para se colocar o leão, naturalmente dourado sobre o campo de argente (prata), sem ferir as leis da heráldica.
Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do papa. As duas chaves "decussadas", uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata) são símbolos do poder espiritual e do poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro , relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que Nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19). Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores. A tiara papal usada como timbre, recorda, por sua simbologia, os três poderes papais: de Ordem, Jurisdição e Magistério, e sua unidade na mesma pessoa. No listel o lema "Renovar todas as coisas em Cristo" é uma expressão do propósito do pontificado de São Pio X, que empreendeu numerosas e admiráveis as obras para defender a Civilização Cristã, gravemente ameaçada.

Referências:

1. Ad diem illum 5 (http://www.vatican.va/holy_father/pius_x/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_02021904_ad-diem-illum-laetissimum_en.html

2. MONDIN, Battista. The popes of the modern ages: from Pius IX to John Paul II (em inglês). Cidade do Vaticano: Urbaniana University Press, 2004. ISBN 8-84015099-4

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Pio_X

sábado, 20 de agosto de 2011

A loucura dos pecadores

Fonte: Pe. Thiago Maria Cristini, C. SS. R., “Meditações para todos os dias do ano tiradas das obras de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja”, Herder e Cia., tomo III, págs. 264 - 267, Friburgo em Brisgau, Alemanha, 1921.

Melior est puer pauper et sapiens rege sene et stulto, qui nescit praevidere in posterum – “Melhor é um moço pobre e sábio, do que um rei velho e insensato, que não sabe prever nada para o futuro” (Eccles. 4, 13).

Pobres pecadores! Trabalham, afadigam-se para adquirir as ciências humanas ou a arte de granjearem os bens da vida presente, que em breve acaba, e não cuidam dos bens da outra vida, que nunca termina; ou, antes, renunciam a eles por uma satisfação passageira. Não sejamos tão loucos. Lembremo-nos que o Senhor nos pôs neste mundo tão somente para merecermos a vida eterna, e digamos muitas vezes conosco: Para que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a alma? Perdida a alma, tudo está perdido.
I. Pobres pecadores! Trabalham e afadigam-se para adquirirem os bens mundanos ou a arte de granjearem os bens da vida presente, que acabará em breve, e não cuidam dos bens da outra vida, que nunca terá fim. Os infelizes perdem de tal forma a razão, que não só se tornam insensatos, mas brutos. Sim, porque, como diz São João Crisóstomo, ser homem é ser racional, é agir segundo a razão, e não segundo o apetite sensual. Assim como de um animal que agisse conforme a razão, se diria que age como homem, assim se deve dizer que o homem age como animal, quando, contra a razão, se deixa guiar unicamente pelos sentidos. É exatamente o que fazem os pecadores, que não consideram o que é bem nem o que é mal, seguem unicamente o instinto animal dos sentidos, prendendo-se apenas ao que atualmente lisonjeia a carne, sem pensarem no que perdem e na ruína eterna que atraem sobre si.
Oh! Como é mais sábio o simples aldeão que se salva, do que um monarca que se condena! Melhor é um moço pobre e sábio, do que um rei velho e insensato, que nada sabe prever para o futuro. Não se consideraria como louco aquele que, para ganhar presentemente uma pequena quantia, se expusesse ao risco de perder todos os seus haveres? E não deverá ser tido por louco o que, por uma pequena satisfação, perde a alma e se arrisca a perdê-la para sempre? O que faz a desgraça de tantas almas que se condenam, é o ocuparem-se unicamente dos bens e dos males presentes, sem cuidarem nos bens e nos males eternos.
Deus certamente não nos colocou no mundo para alcançarmos riquezas, adquirirmos honras ou contentarmos os nossos sentidos, mas sim para ganharmos a vida eterna. A única coisa importante para nós deve ser a realização deste fim: unum est necessarium 1 “Só uma coisa é necessária”. Ora, é este fim o que mais desprezam os pecadores. Só pensam no presente, caminham para a morte, estão próximos da eternidade e não sabem para onde caminham. Que diríeis do piloto, pergunta Santo Agostinho, que, perguntado para onde vai, respondesse que o ignora? Toda a gente diria que levaria a embarcação ao naufrágio certo. Tais são os sábios do mundo, que sabem ganhar dinheiro, gozar dos divertimentos, adquirir dignidades, mas não sabem salvar a alma.
O mau rico conheceu a arte de enriquecer, mas morreu e foi sepultado no inferno: Mortuus est, et sepultus est in inferno 2. Alexandre Magno soube conquistar muitos reinos, mas, depois de poucos anos, morreu e se perdeu eternamente. Henrique VIII de Inglaterra sustentou-se habilmente no trono, apesar de sua revolta contra a Igreja; mas no fim, reconhecendo que perdia a alma, fez esta confissão: “Tudo para mim está perdido” – Perdidimus omnia.

II. Ante hominem vita et mors: Quod placuerit ei, dabitur illi 3 – “Diante do homem estão a vida e a morte: o que lhe agradar, ser-lhe-á dado”. Meu irmão, neste mundo tens diante de ti a vida e a morte, isto é, a privação dos prazeres proibidos com a vida eterna, ou o gozo desses prazeres com a morte eterna. Que dizes? Qual é a tua escolha? Escolhe como homem e não como bruto. Escolhe como cristão iluminado pela fé e dize: Quid prodest homini, si universum mundum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur? 4 - Para que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se depois vier a perder a alma? Oh! Quantos desgraçados estão chorando no inferno e dizem: Quid nobis profuit superbia? 5 – “De que proveito foi para nós o orgulho?” Eis que para nós todos os bens do mundo passaram qual sombra, e nada mais nos resta senão lamentos e penas eternas.
Ó meu Deus, destes-me a razão, destes-me a luz da fé e, todavia, no passado, comportei-me qual bruto, sacrificando a vossa graça a miseráveis prazeres sensuais, que passaram como o vento, e só me deixaram remorsos de consciência e contas para dar à vossa divina Justiça. Non intres in iudicium cum servo tuo 6 – “Não entres em juízo com o teu servo”. Ah, Senhor, não me julgueis pelo que mereci; mas tratai-me segundo a vossa Misericórdia. Iluminai-me; dai-me dor das ofensas que Vos fiz, e perdoai-me.
Erravi sicut ovis, quae periit: Quaere servum tuum – Sou a ovelha tresmalhada; se não me procurardes, continuarei perdida. Pelo Sangue que derramastes por meu amor, tende piedade de mim. Ó meu soberano Bem, pesa-me de Vos ter abandonado, e de ter renunciado voluntariamente à vossa graça. Quisera morrer de dor; dignai-Vos aumentar ainda essa dor. Fazei que eu vá ao Céu para cantar as vossas misericórdias. – Ó Maria, minha Mãe, Vós sois o meu refúgio, rogai a Jesus por mim; rogai-Lhe que me perdoe e me dê a santa perseverança.

1 Luc. 10, 42.
2 Luc. 16, 22.
3 Ecclus. 15, 18.
4 Matth. 16, 26.
5 Sap. 5, 8.
6 Ps. 142, 2.

Notícias da visita do Papa à Espanha





    Acompanhe a visita do Papa Bento XVI à Espanha, onde quase dois milhões de fiés seguem o sucessor de São Pedro.



http://www.arautos.org/tv/interna.html?id=4513&title=O+Papa+chega+à+Espanha

A origem do Ângelus




por Alexandre de Hollanda Cavalcanti



No século XV, o Soberano Pontífice, vendo que nenhum cruzado se resolvia a socorrer os católicos da Hungria cercados pelos inimigos da Santa Igreja, ordenou que os sinos de todas as paróquias da Cristandade tocassem todos os dias à mesma hora, e que a este chamamento todos os fiéis recitassem a Oração Dominical e três Ave-Marias, para que sejam ajudados, pelo menos pelas orações, os que continuavam quase isolados na sua luta pelo Ocidente: tal é a origem do Ângelus.

A oração do Ângelus se faz da seguinte maneira:


Em Latim:

V. Angelus Domini nuntiavit Mariæ,

R. Et concepit de Spiritu Sancto.

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus.
Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.

V. "Ecce Ancilla Domini."
R. "Fiat mihi secundum Verbum tuum."
Ave Maria, gratia plena...

V. Et Verbum caro factum est.

R. Et habitavit in nobis.
Ave Maria, gratia plena...

V. Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix.

R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.


Oremus: Gratiam tuam quæsumus, Domine, mentibus nostris infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui Incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem, ad resurrectionis gloriam perducamur.
Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

Em Português:

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria…

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.
Ave Maria…

V. E o Verbo divino encarnou.
R. E habitou no meio de nós.
Ave Maria…

V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.
Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas, para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

De Bénouville, Guillain, A São Luís ou A primavera de França, Livraria Chardron de Lello e Irmão - Editores, Porto, 1984.

O Culto à Virgem Maria







Beato Papa João Paulo II
   Caríssimos Irmãos e Irmãs:

1. Na Exortação Apostólica Marialis cultus o Servo de Deus Paulo VI, de venerada memória, apresenta a Virgem como modelo da Igreja no exercício do culto. Essa afirmação constitui como que um corolário da verdade, que indica em Maria o paradigma do Povo de Deus na via da santidade: «A exemplaridade da bem-aventurada Virgem Maria, neste campo, é consequência do facto de Ela ser reconhecida como modelo excelentíssimo da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, isto é, daquelas disposições interiores com que a mesma Igreja, Esposa amadíssima, intimamente associada ao seu Senhor, O invoca e, por meio d’Ele presta o culto ao eterno Pai» (n. 16).
2. Aquela que na Anunciação manifestou total disponibilidade ao projecto divino, representa para todos os crentes um modelo sublime de escuta e de docilidade à Palavra de Deus.
Ao responder ao anjo: «Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38), e ao declarar-se pronta a cumprir de modo perfeito a vontade do Senhor, Maria entra a justo título na bem-aventurança proclamada por Jesus: «Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 28).
Com essa atitude, que abraça a sua existência inteira, a Virgem indica a via-mestra da escuta da Palavra do Senhor, momento essencial do culto, que se tornou típico da liturgia cristã. O seu exemplo faz compreender que o culto não consiste, antes de tudo, em exprimir os pensamentos e os sentimentos do homem, mas em pôr-se à escuta da Palavra divina para a conhecer, assimilar e tornar operativa na vida quotidiana.
3. Toda a celebração litúrgica é memorial do mistério de Cristo na Sua acção salvífica para a inteira humanidade, e quer promover a participação pessoal dos fiéis no Mistério pascal, expresso de novo e actualizado nos gestos e nas palavras do rito.
Maria foi testemunha dos eventos da salvação no seu desenvolvimento histórico, culminado na morte e ressurreição do Redentor, e conservou «todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Ela não se limitava a estar presente em cada um dos eventos, mas procurava captar o seu significado profundo, aderindo com toda a alma a quanto neles se cumpria de modo misterioso.
Maria mostra-se, portanto, como supremo modelo de participação pessoal nos mistérios divinos. Ela guia a Igreja na meditação do mistério celebrado e na participação no evento de salvação, promovendo nos fiéis o desejo de um íntimo envolvimento pessoal com Cristo, para cooperar na salvação universal com o dom da própria vida.
4. Maria constitui, além disso, o modelo da oração da Igreja. Com toda a probabilidade Maria estava recolhida em oração, quando o anjo Gabriel entrou na casa de Nazaré e a saudou. Esse contexto de oração certamente sustentou a virgem na sua resposta ao anjo e na generosa adesão ao mistério da Encarnação.
Na cena da Anunciação, os artistas quase sempre representaram Maria em atitude orante. Recordamos entre todos o Beato Angélico. Daí provém para a Igreja e para cada crente a indicação do clima que deve presidir ao desenvolvimento do culto.
Podemos depois acrescentar que Maria representa para o Povo de Deus o paradigma de toda a expressão da sua vida de oração. Em particular, Ela ensina aos cristãos como se dirigir a Deus, para d'Ele invocar a ajuda e o apoio nas várias situações da vida.
A sua intercessão materna nas bodas de Caná e a sua presença no Cenáculo ao lado dos Apóstolos em oração, à espera do Pentecostes, sugerem que a oração de súplica é uma forma essencial de cooperação no desenvolvimento da obra salvífica no mundo.
Seguindo o seu modelo, a Igreja aprende a ser audaz ao pedir, a perseverar nas suas intercessões e, sobretudo, a implorar o dom do Espírito Santo (cf. Lc 11, 13).
5. A Virgem constitui, além disso, para a Igreja o modelo na participação generosa no sacrifício.
Na apresentação de Jesus no templo e, sobretudo, aos pés da cruz, Maria faz o dom de si que a associa, como Mãe, ao sofrimento e às provas do Filho. Assim, tanto na vida quotidiana como na Celebração eucarística a «Virgem oferente » (Marialis cultus, 20) encoraja os cristãos a «oferecerem sacrifícios espirituais que serão agradáveis a Deus, por Jesus Cristo» (1 Pd 2, 5).

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Confiança em Deus


Pe. Alonso Rodríguez, S.I.

Um excelente meio para aproveitar aos próximos, que é desconfiar de nós mesmos e por toda nossa confiança em Deus.


Tem confiança em Deus de todo teu coração, e não estribes em tua prudência. Outro meio muito principal, que nos ajudará muito para conseguir o fim de nosso instituto, é o que disse o Sábio nestas palavras, e nos põe também nosso Santo Padre, e a bula b de nosso instituto, naquelas duas breves palavras: Diffidens suis viribus, et divinis fratus. Sabeis, diz, como fazeis muita fazenda e muito fruto nas almas?
Desconfiando de vós mesmos, de vossas forças, prudência e indústria, e de todos os meios humanos, e pondo toda vossa confiança em Deus: esse é um dos mais principais e eficazes meios necessários para alcançar muito fruto nas almas; e assim esta é uma das melhores disposições que pode ter um obreiro de Deus, que entenda, que ele de si mesmo não é para fazer coisa que valha de algo, senão que toda sua confiança a ponha em Deus: porque a estes toma este Soberano Senhor por instrumentos para fazer por seu meio grandes coisas, grandes conversões e maravilhas: assim o disse o Apóstolo São Paulo: c Fiduciam autem talem habemus per Christum ai Deum: non qubd suficientes simus cogitare aliquid á nobis, quzsi ex nobis; sed sufficientia nostra ex Deo est, qui et idoneos nos fecit ministros novi Testamenti:
Temos uma tal confiança em Deus, que entendemos que de nossa parte não somos suficientes, nem mesmo para ter um bom pensamento; senão que toda nossa suficiência nos tem que vir de Deus. Por isso, diz São Paulo, faz Deus ministros de seu Evangelho.
Santo Agostinho g, tratando dos louvores de Natanael, a quem elogia o mesmo Cristo no Evangelho, dizendo: Ecce vere Israelita, in quo dolus non est: Vês aqui um israelita no qual não há duplicidade ou engano nenhum, disse: Parece que um homem como este tinha que ser chamado ao apostolado primeiro que todos, pois tal testemunho dá dele o Filho de Deus; e vemos que não somente não é chamado o primeiro, porém nem ao meio, nem ao fim; qual será a causa disso? Sabe qual é? Diz Santo Agostinho: Natanael era homem douto, era letrado da lei; e por isso não o escolheu Cristo entre seus apóstolos; porque não quis escolher letrados para a pregação de seu Evangelho, e converter o mundo, senão uns pobres pescadores, ignorantes e sem letras, como disse São Paulo. e
São Gregório f traz a este propósito aquela história do livros dos Reis, quando os amalecitas encenderam a Siceleg, e haviam levado cativas as mulheres de Davi e de seus companheiros, e suas crianças. Um deles deixando-se no caminho um criado egípcio, porque caiu doente, e não lhe pode seguir: encontra-se Davi com este pobre enfermo, já quase para expirar, porque havia três dias e três noites que não comia nem bebia: dá-lhe de comer, e volta a si, e o toma por guia de seu caminho, e com esse guia vai atrás dos amalecitas, e encontrados comendo e banqueteando-se com grande festa e regozijo; e dá sobre eles, mata-os, e lhes tira a presa que levavam. Pois esta, diz São Gregório, é a condição do verdadeiro Davi, Cristo nosso Redentor, que escolhe os rechaçados e desprezados do mundo, e com o manjar de sua palavra os faz voltar em si, e que sejam guias suas, fazendo-os pregadores de seu Evangelho, para vencer e destruir os amalecitas, que são os mundanos que estão ociosos, banqueteando-se e entretendo-se nos deleites e passatempos do mundo.

aProc. c. 3, v. 5
bBula de Julio III
c2 ad Cor. 3, v. 4
gAugus. Tradct. 7. sup. Joan. I, v. 47.
eI ad Cor. I, 17.
fGreg. I. 5 mor. Cap. 29. 1 Reg. 30.

Então começareis a dizer: Comemos e bebemos em tua presença...


por Mons. João S. Clá Dias

26 Então começareis a dizer: Comemos e bebemos em tua presença, tu ensinaste nas nossas praças.
É bem verdade. Quantas vezes nós nos aproximamos da mesa da Comunhão e nos beneficiamos dos demais Sacramentos, ouvimos boas pregações sobre o Evangelho, além dos conselhos em particular, no seio da Igreja fundada pelo Redentor. Porém, que proveito tiramos de todos esses privilégios? Eles nos são dados para melhor cumprirmos os Mandamentos. Insensatos são aqueles que se entregam a uma vida de pecado até a hora da morte, arriscando- se a ouvir dos lábios de Jesus a sentença irrevogável de eterna reprovação. Só então entenderão as palavras do Divino Mestre: “Pois, que aproveitará a um homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma?” (Mt 16, 26).
27 Ele vos dirá: Não sei donde sois; afastai-vos de mim vós todos os que praticais a iniqüidade.
Esta resposta contém duas afirmações:
1. “Não sei donde sois...”Não devemos imaginar que somente serão objeto da rejeição de Jesus os não-batizados. Também a nós, batizados, poderá ser ela aplicada se não cumprirmos nossos deveres. Neste caso, Jesus se dirigirá a nós de maneira ainda mais explícita: “Eu vos arranquei das trevas do pecado e vos redimi às custas de meu próprio sangue, elevando-vos à dignidade de filhos da Igreja. Mas vós quisestes as vias do orgulho e, seguindo o conselho de Satanás, obedecer à lei do mundo e entregar-vos às paixões. Não ouvistes a voz da graça e a de meus Ministros”...
2. “... afastai-vos de mim vós todos que praticais a iniqüidade”. Ser repelido por Deus é o mais terrível dos tormentos eternos, segundo nos ensina a Teologia. Nós somos criados com vistas à felicidade eterna, ou seja, a conhecer a Deus face a face e amá-Lo como Ele mesmo se ama – sempre guardadas as devidas proporções. Nossa alma tem sede desse convívio com Deus e só n’Ele repousaremos. Ora, o vermo-nos expulsos por Aquele que é a única Causa de nossa alegria, significaria para nós um tormento sem comparação. Que terrível palavra: “Afastai-vos de mim...”

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Vida de São Pio de Pietrelcina



         São Pio de Pietrelcina foi um grande taumaturgo que marcou o Século XX com seu amor à Eucaristia e sua dedicação à Santa Igreja. Passava horas no Confessionário ministrando o Sacramento da Penitência, com tão grande santidade que pessoas do mundo inteiro vinham confessar-se com ele. Conheça um pouco da história deste grande santo da Igreja Católica assistindo este vídeo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Maria, modelo de Mãe


O amor de todo bom filho é permanente. Mas no Dia das Mães é justo que ele se manifeste de modo efusivo.

Alexandre de Hollanda Cavalcanti

Mãe... uma palavra tão pequena, um significado tão profundo! Símbolo, sobretudo, do mais entranhado e desinteressado amor.
Para efeitos de amor, o coração materno não faz distinção entre o bom e o mau filho. Ele é carne de sua carne, sangue de seu sangue, fruto de suas entranhas, por isto ela o ama com largueza, sem esperar qualquer tipo de retribuição.
Seu amor paira sobre o filho desde o berço até a sepultura, quer ele atinja o píncaro do sucesso, quer seja um medíocre ou um fracassado na vida. Se ele subir o caminho da santidade ou, pelo contrário, deixar-se rolar pelas sendas da degradação moral ou mesmo do crime, ela o amará sempre.
E se alguém lhe perguntar o porquê desse amor, ela certamente responderá surpresa: "Ora! Eu sou a mãe!..."
A ninguém ocorre negar que o pai tem seu papel indispensável no desenvolvimento e na formação da criança, e seria uma monstruosidade desconhecer a importância do amor paterno. Mas as manifestações do amor materno fazem vibrar com muito mais intensidade as fibras do coração humano.
Assim, nenhuma recordação marca tão profundamente uma pessoa como a dos momentos felizes da primeira infância, envolvida pelo afeto, carinho e proteção de sua mãe. E as obras literárias de todos os tempos põem mais em relevo a lembrança saudosa da mãe que a do pai.
Em prosa e verso, cantam os literatos a doçura, o carinho a dadivosidade materna. Apresentam-na como o mais precioso dom concedido por Deus a cada um de nós. Muitas vezes, descrevem o pranto amargo daqueles que não souberam dar à própria mãe o devido valor enquanto a tinham viva junto a si. E as saudades de quantos, após sua morte, desejariam revê-la uma vez mais, receber dela pelo menos um olhar, um sorriso... Tarde demais!
Tarde demais mesmo? Não inteiramente.
A qualquer momento, podemos depositar aos pés da Virgem Santíssima, a Mãe das mães, nossos sentimentos de afeto e de gratidão: eles chegarão com segurança à amada destinatária.
Para todos os que têm ainda a felicidade de contemplar o semblante materno, este mês é a época adequada para reparar pelas eventuais atitudes de ingratidão, de distanciamento, de desamor.
Esses pensamentos ocorreram-me a propósito de um poema de Casimiro de Abreu cuja leitura comoveu-me profundamente, porque trouxe-me de um jato à memória a figura serena e carinhosa de minha tão querida mãe! Minha reação imediata foi a de rezar ardentemente por ela, pedindo a Nossa Senhora para recompensá-la por todo o bem que ela me fez.
Na esperança de que o poema lhe será benéfico, transcrevo-o abaixo, fazendo-lhe uma sugestão, leitor: reze também por sua mãe e, se você tem ainda a alegria de vê-la e de conviver com ela, aproveite a ocasião para lhe manifestar todo o seu carinho e gratidão filial.
Da pátria formosa, distante e saudoso,
Chorando e gemendo meus cantos de dor,
Eu guardo na alma a imagem querida,
Do mais santo, mais puro amor:
Minha mãe!
No berço, pendente dos ramos floridos,
Em que eu pequenino feliz dormitava,
Quem é que esse berço com todo o cuidado
Cantando cantigas alegre embalava?
Minha mãe!
De noite, alta noite, quando eu já dormia,
Sonhando esses sonhos dos anjos dos céus,
Quem é que meus lábios dormentes roçava,
Qual anjo da guarda, qual sopro de Deus?
Minha mãe!


Por isso eu agora, na terra do exílio,
Sentando sozinho co’a face na mão,
Suspiro e soluço por quem me chamava:
"O filho querido do meu coração!"
Minha mãe!