S.
João Clímaco foi Pai e Mestre do Mosteiro do Monte Sinai, no século
VII. Naquele deserto viviam centenas de monges que
passavam santamente a vida a rezar e a trabalhar. Certo dia chegou ao Mosteiro um rapaz. Bateu e abriram-lhe
aquelas portas que para ninguém se fechavam. Dirigiu-se ao Superior, a
quem disse:
-- Meu
Padre, sou um grande pecador, mas Deus tocou-me o coração. Venho
arrependido, fazer penitência neste Mosteiro. Quero que o exemplo de
tantos santos que aqui vivem me encoraje, a fim de me fazer santo
também. Meu Padre, tenha pena de mim e receba-me no número dos seus
servos. -- Meu filho, - respondeu S. João
Clímaco - bendito seja Deus que te abriu os olhos para conheceres a
gravidade das tuas culpas. Entra neste santo abrigo e procura com a
oração e a penitência reparar os antigos erros. -- Meu Padre - acrescentou o jovem penitente - Deus lhe
pague tanta caridade. Vou pedir-lhe um favor: quero que me dê licença de
fazer uma confissão pública. Quero confessar todos os meus pecados
diante destes piedosos monges. Ao ouvirem tantas misérias, terão
compaixão de mim e rezarão pela minha perseverança.
S. João Clímaco julgou conveniente satisfazer os desejos
daquele jovem arrependido, e mandou que os frades se reunissem na sala
do convento. Já estão todos sentados nos bancos de madeira, as cabeças
cobertas com os capuzes e as mãos escondidas nas mangas dos hábitos. O rapaz pôs-se de joelhos no meio da sala, e quando dos
olhos brotaram duas lágrimas, começou a declarar os seus enormes
desvarios.
Havia naquele grande salão um altar e sentado ao seu lado
encontrava-se um velho frade a quem todos veneravam como santo.
Enquanto o pecador ia dizendo as suas faltas, o santo velhinho tinha os
olhos cravados no altar, como se estivesse a contemplar alguma cena. E
sorrindo com muita suavidade, dava sinais de grata surpresa . Acabada a confissão pública, os piedosos monges voltaram
para a vida diária dando graças a Deus pela sua misericórdia, que assim
convertia os corações afundados no negro abismo dos pecados, fazendo
brilhar neles a luz da santidade. S. João Clímaco chamou à parte aquele santo velho que
tinha estado todo o tempo a contemplar qualquer coisa no altar com os
olhos radiantes de gaudio. E perguntou-lhe se o Senhor Deus o tinha
favorecido com alguma visão.
-- Sim, meu Padre - respondeu o velhinho - enquanto
aquele jovem penitente ia declarando suas faltas confessando-as com
tantas lágrimas, contemplei um Anjo no altar. Tinha um livro na mão no
qual estavam escritos todos os desmandos daquele jovem. À medida que ele
os ia declarando, vi que o Anjo os apagava com a sua mão bendita. E o
livro ficou limpo e branco, como a alma daquele pecador arrependido.
S. João Clímaco chamou o rapaz e contou-lhe aquela graça,
para que assim aumentasse a sua consolação e a confiança na
misericórdia de Deus. E concluiu:-- Coragem, meu irmão! Agora és santo.
Tens a alma branca como no dia do teu Batismo. Persevera na oração e na
penitência para agradeceres ao Senhor a sua infinita bondade.
Jesus veio ao mundo, como Ele próprio disse, “não para condenar, mas para salvar o mundo” (Jo 3, 16).
Plinio Corrêa de Oliveira(excertos de conferência de 31 de maio de 1975)
[...] Eu gostaria de dizer uma palavra a respeito
do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria.
Em primeiro lugar, eu devo lembrar aos Srs. que
hoje não é propriamente a festa do Imaculado Coração de Maria. Hoje é a festa
de Nossa Senhora Rainha.
Entretanto, eu creio que com toda legitimidade nós
podemos festejar o Imaculado Coração de Maria no dia de hoje. E isto por uma
razão muito simples, é que um dos modos pelos quais Nossa Senhora torna efetivo
o seu domínio na terra é exatamente o seu Coração Imaculado e Sapiencial. E há
até uma invocação muito bonita de Nossa Senhora, Regina Cordium, Nossa Senhora
Rainha dos Corações, que pode ser vista na perspectiva desses dois atributos ou
invocações de Nossa Senhora. Primeiro, Nossa Senhora Rainha e em segundo lugar
o Imaculado e Sapiencial Coração de Maria.
Como é que tudo isso se coloca, como é que tudo
isso se vê e se entende?
Nós sabemos que Nossa Senhora, de direito, é a Rainha
do Céu e da terra. Ela o é de direito por duas razões: em primeiro lugar porque
Ela é a Rainha-Mãe de toda a criação, Ela é Mãe de Deus e Ela tem, portanto, na
criação, uma situação parecida com a que tem as rainhas-mães nos países de
estrutura monárquica. Mas de outro lado também, porque Deus Nosso Senhor
entregou a Nossa Senhora a regência efetiva do Céu e da terra. Nossa Senhora
manda — porque Ele entregou esse poder — Nossa Senhora manda sobre os Anjos,
Nossa Senhora manda sobre os santos, Nossa Senhora manda sobre todas as almas
que estão no Purgatório, Nossa Senhora manda sobre todos os homens que estão no
mundo. Ela manda até sobre o inferno.
Tudo está completamente e inteiramente sujeito a
Ela pela vontade de Deus.
Uma rainha-mãe não é propriamente uma rainha
reinante. Ela tem as honras da realeza, mas ela não é a rainha reinante. A
rainha Mary, da Inglaterra, por exemplo, é rainha-mãe. Ela foi rainha, esposa
— ela nunca foi rainha reinante, ela nunca exerceu a realeza, ela teve as
honras da realeza, foi esposa do rei Jorge VI, depois faleceu o rei, a realeza
passou para a filha dela, a rainha Elisabeth II e ela passou a ser a
rainha-mãe. Ela passou a vida inteira, portanto, cercada das honras da realeza,
não portanto do mando da realeza. A rainha Elisabeth II é a rainha reinante,
porque na pequena medida de poder que tem uma rainha da Inglaterra, nessa
medida ela reina. De maneira que ela é a rainha reinante.
Nossa Senhora não é só a Rainha-Mãe porque é Mãe de
Nosso Senhor Jesus Cristo, mas Ela é Rainha reinante porque Deus Nosso Senhor
confiou a Ela esse poder.
Agora, esse poder que Ela tem, de direito, como é
que ela exerce? Como Ela transforma em fatos esse poder de direito que Ela tem?
No Céu Ela exerce de dois modos: em primeiro lugar,
porque Ela tem o direito de mandar e sendo todas as almas que estão no Céu
confirmadas em graça, elas não fazem senão a vontade de Deus. De maneira que é
certíssimo que Nossa Senhora mandando nelas em nome de Deus, Nossa Senhora tem
o direito de se impor a elas e elas obedecem.
Mas é também verdade que ainda que Deus não tivesse
mandado, elas quereriam obedecer a Nossa Senhora. E quereriam pelo extremo amor
que elas tem a Nossa Senhora, pelo conhecimento que elas tem de todas as
virtudes de Nossa Senhora, da superioridade de Nossa Senhora. Porque toda
superioridade confere um mando, ainda que não houvesse essa ordem de Deus, eu
estou certo que todos os Anjos e todos os Santos do Céu pela expressão de uma
leve, tênue vontade de Nossa Senhora, eles se moveriam todos nessa direção.
E aí é um império que é o império de um Coração
sobre corações. Em que sentido isso?
O coração é o órgão físico que é símbolo da mentalidade. Quer
dizer, do modo pelo qual a pessoa vê as coisas, e do modo pelo qual quer as
coisas.
O Sapiencial e Imaculado Coração de Maria é uma
expressão da mentalidade sapiencial e imaculada de Nossa Senhora. E exprime,
entre outras coisas também, a sua bondade inefável, sua doçura inefável, sua
misericórdia inesgotável.
Por todas essas razões, os Anjos e Santos do Céu,
considerando Nossa Senhora, a amam com toda a intensidade — abaixo de Deus, mas
a amam. Amam tanto quanto é dado a eles amar, mas a amam. E o resultado é que
esse amor é tal que Ela reinaria sobre eles — o Coração dEla sobre o coração
deles, — quer dizer a mentalidade dEla sobre a mentalidade deles. Quer dizer, o
modo dEla ver as coisas super sapiencialmente seria uma regra de sabedoria para
eles. A vontade dEla, santíssima, sem mancha, imaculada, seria uma regra para a
vontade deles ainda que não houvessem as ordens de Deus.
Quer dizer, simplesmente, de Coração a coração,
Nossa Senhora domina o Céu. Domina o Céu e domina o Purgatório, porque as almas
que estão no Purgatório também elas já não pecam mais. Também elas já estão
garantidas de irem ao Céu. Não há perigo de uma alma no Purgatório, por
exemplo, revoltar-se com os padecimentos extremos que no Purgatório se sofrem.
Por quê? Porque elas estão confirmadas em graça e elas vão para o Céu. E por
causa disso elas pensam como Nossa Senhora pensa, querem o que Nossa Senhora
quer, vivem para Nossa Senhora. E por isso, quando Nossa Senhora de vez em
quando aparece no Purgatório, há para elas uma alegria sem nome. Elas todas
cantam, satisfeitíssimas, de dentro de seus tormentos. E Ela leva sempre um
número enorme de almas para o Céu. E às que Ela não leva para o Céu, Ela
espalha em torno de Si como que um orvalho que diminui as penas, aumenta a
esperança de chegar ao Céu e alivia os padecimentos daquelas almas.
Mas é também de Coração a coração que Nossa Senhora
domina aquelas almas e reina. E não só pela vontade de Deus.
Na terra, como é que são as coisas? Nós temos na
terra, se os Srs. quiserem, a triste liberdade — que é de fato uma
servidão, — a triste liberdade de não fazer a vontade de Deus. Em outros
termos, nossas paixões nos arrastam. Elas são tiranas que nos levam muitas
vezes a fazer o que nós não quereríamos, por pecado nosso, mas nos levam a
fazer o que nós não quereríamos. E elas nos dão, assim, a triste liberdade de
dizer “não” para Deus.
Uma triste liberdade que é uma escravidão porque se
nós fossemos livres em nossas paixões nós nunca diríamos “não” a Deus. Mas
essas paixões existem. E nós temos que lutar contra elas. De maneira que, em
última análise, há essa servidão nossa: as paixões, que só com a graça de Nossa
Senhora nós conseguimos sacudir, conseguimos limitar, e extinguir até. Sem
isso, nós seríamos escravos de nossos defeitos.
E há na terra uma luta entre os que obedecem e os
que não obedecem a Nossa Senhora. Nossa Senhora tem o direito de ser obedecida
por todo o mundo. E nesse sentido, “de direito”, ela é Rainha do mundo inteiro.
Mas o mundo tem a possibilidade — se bem que não o direito — de desobedecer a
Nossa Senhora. De onde, um número enorme de pessoas que desobedecem a Nossa
Senhora.
Então, o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria
como é que torna efetiva a sua autoridade jurídica e indiscutível sobre todo
mundo? Torna efetiva de uma forma muito simples. Nossa Senhora, pelo seu
Coração, Ela toca os corações, Ela toca as almas, e faz com que as almas
recebendo graças muito abundantes, sigam a Ela.
É claro que isto não é automático. Uma pessoa pode
resistir à graça. Mesmo a uma graça muito abundante, a pessoa pode resistir.
Peca, mas pode resistir. Está bem, mas muitos não pecam por causa da abundância
da graça. E por esta forma, recebendo graças caudalosas, servem a Nossa
Senhora. Mas essas graças como é que são? É a graça que Ela dá a nossos
corações de vermos o Coração dEla. De conhecermos e amarmos a sabedoria dEla,
de conhecermos e amarmos a nota de Imaculada que existe em toda a Pessoa dEla.
E é por esta forma que Ela se torna obedecida por nós.
De maneira que o Coração dEla é um cetro com o qual
Ela governa todos aqueles que Lhe obedecem no mundo.
É claro que também, Nossa Senhora manda nos maus. O
demônio obedece, absolutamente. E por isso também muitas vezes, na história,
acontecem coisas desconcertantes para os bons ou para os que defendem o lado do
bem, acontecem coisas desconcertantes em última análise porque Nossa Senhora
mandou. E neste sentido, Ela pode também mandar. Mas não é um mandar que force
o livre arbítrio pelo qual a pessoa diz “sim” à graça de Deus. Isso não. Força
qualquer outra coisa, esse ponto não força.
Quer dizer, Nossa Senhora tem um império de direito
sobre todos. Que às vezes Ela torna efetivo e ninguém pode resistir. Mas que
muitas vezes é efetivo não por um império dEla mas pelo amor que Ela comunica
às muitas almas.
Aí os Srs. tem a razão pela qual tantas pessoas se
dedicam, tantas pessoas se imolam, tantas pessoas lutam etc., etc. É por causa
do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria.
Então, nessas condições eu tenho a certeza de que a
festa de Nossa Senhora Rainha é a festa do Coração dEla. O que, aliás, está
escrito em Fátima: Nossa Senhora disse “por fim o Meu Imaculado Coração
triunfará”. Triunfará quer dizer reinar. O Coração de Nossa Senhora é um Coração
régio. Se eu pudesse representar o Imaculado Coração de Maria, eu gostaria de
representá-lo encimado por uma coroa, para indicar bem o caráter régio do
Coração Sapiencial e Imaculado de Maria.
A festa, portanto, tem toda a propriedade – ainda
que seja a festa de Nossa Senhora Rainha – tem toda a propriedade para nós cultuarmos
e venerarmos o Imaculado Coração de Maria.
De que maneira? Fazendo nosso esse pedido: tornai
meu coração semelhante ao Vosso. Semelhante não quer dizer vagamente parecido,
não. Quer dizer parecido em tudo quanto está nos desígnios da Providência que
pareça. “Tornai-me sapiencial, de uma sapiencialidade que seja uma participação
da vossa; tornai-me puro de uma pureza que seja uma participação da vossa”. E,
sapiencial e puro: é preciso ser contra-revolucionário.
Por que? Porque a Revolução é o auge da insensatez
e da falta de pureza. É o contrário, de modo escandaloso, mas diretamente o
contrário da sabedoria e da pureza, sobretudo da pureza imaculada de Nossa
Senhora. Então, o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria é Nossa Senhora da
Contra-Revolução. É por onde a Revolução mais odeia Nossa Senhora, é por onde
nós, filhos da Contra-Revolução, mais nos afirmamos filhos dEla.
Os Srs. compreendem quantas razões há para nós
aproveitarmos os últimos minutos desta festa para pedirmos graças para nós. Sobretudo
essa transformação por onde nosso coração seja confiscado por Nossa Senhora,
seja tomado por Nossa Senhora. Isso nós podemos dizer: “Minha Mãe, eu não sou
bastante forte para me dar a Vós: dominai-me. Entrai na minha alma com graças
tais que eu praticamente não resistirei. Esta porta, minha Mãe, que eu por
miséria não abro, arrombai-a. Eu vos espero atrás dela com meu sorriso, meu
reconhecimento e minha gratidão”.
Leão XII, um dos Papas que governou
por mais tempo a Barca de Cristo, retornava à casa do Pai. Anunciado o
Conclave. Todos os Cardeias dirigiram-se a Roma a fim de eleger o novo Papa.
A
tão esperada fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina, sob os aplausos
entusiasmados do povo Cristo. O Patriarca de Veneza, Cardeal Giuseppe Sarto era
eleito o 259° Sucessor do Apóstolo Pedro.
Italiano de origem humilde, Giuseppe
desde pequeno demonstrou um grande fervor na oração.
Uma vez, durante a aula de catecismo,
o professor levantou uma questão: Darei uma maçã para quem me disser onde Deus
está.
Silêncio na sala. O pequeno Giuseppe
levanta sua mãozinha e diz: “Professor. Eu darei duas se o Sr. disser onde Ele
não está!”
Mesmo com dificuldades na família, o
menino fez seus estudos em sua cidade natal e depois estudou em Castelfranco,
onde entrou para o Seminário, sendo ordenado sacerdote aos 23 anos de idade.
Aos 46 anos foi sagrado Bispo de Mântua e depois Patriarca de Veneza.
Naquela época o Imperador do Sacro
Império tinha o direito de veto no Conclave e, sendo eleito o Cardeal Rampolla,
este foi vetado. Nas votações seguintes, apesar de pedir humildemente que não
votassem nele, o Cardeal Giuseppe Sarto foi eleito, escolhendo o nome de Pio X.
O Cardeal Sarto, de cabeça baixa,
ouviu o resultado da votação. Segundo o costume, aproximou-se dele o Cardeal
Decano e perguntou-lhe se aceitaria ou não a eleição à Sede Pontifícia. Com os
olhos banhados em lágrimas, e a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo,
respondeu: “Se não for possível afastar de mim esse cálice, que se faça a
vontade de Deus. Aceito o Pontificado como uma cruz”. Após cinco dias, teve
lugar a grandiosa cerimônia de posse do sucessor de São Pedro, para a glória da
Santa Igreja.
Assumindo o Trono Pontifício, a
primeira ação de São Pio X foi abolir o absurdo direito de Veto do Imperador,
penalizando com excomunhão maior, todo aquele que, no futuro, “ousasse formular
um veto no Conclave ou contribuíssem para fazê-lo.
Dois meses depois de sua posse,
publicou a sua primeira encíclica. Dominado por um espírito renovador, São Pio
X destinou todos seus esforços para renovar a Santa Igreja, cumprindo
plenamente o seu lema: “restaurar tudo em Cristo”, por isso, a primeira
preocupação de São Pio X foi a formação e santificação do Clero, através da
piedade, do estudo e da obediência.
Em seguida, era necessário levar a
doutrina católica, de maneira acessível, para todo o povo. Para isso, ele
promoveu a edição de um novo Catecismo e providenciou que fosse ensinado a todos,
desde as crianças até os idosos.
São Pio X tinha a certeza de que,
por mais que os homens trabalhem, só Cristo, com sua graça, é capaz de produzir
sinceras conversões. Por isso, este santo foi um valoroso propulsor da devoção
ao Santíssimo Sacramento, facultando comunhão freqüente e até mesmo diária e a
Primeira Comunhão para as crianças, tão logo sejam capazes de distinguir a
diferença entre o pão alimento e a Sagrada Eucaristia.
Havia na época um poderoso inimigo a
quem o Santo fora chamado a combater: a heresia modernista que procurava
infiltrar no seio da Igreja o relativismo religioso, visando adulterar o
Magistério tradicional e infalível da Santa Igreja Católica Apostólica Romana,
a fim de adaptá-lo aos “novos tempos”.
Mestre infalível da verdade, na
memorável Encíclica “Pascendi Dominici Gregis” , São Pio X denunciou e reprimiu
com o necessário essa heresia que era, na verdade, atriste síntese de muitos os erros.
Amante de todos seus filhos
espirituais, São Pio X tudo fazia para conseguir a conversão dos pecadores, mas
uma vez esgotados todos os recursos pastorais, era sua obrigação combater, com
íntegra severidade os lôbos, muitas vezes vestidos de ovelhas, que procuravam
destruir o rebanho de Cristo.
O equilíbrio santo de sua alma
destacava nele dois títulos dados a Jesus, Nosso Senhor: Cordeiro de Deus e
Leão de Judá. São Pio X era ao mesmo tempo um exemplo de extremada bondade e um
santo de indomável energia.
Uma vez ele foi procurado por dois
embaixadores a quem recebeu com inestimável bondade. Porém, a proposta que eles
traziam era gravemente ofensiva à Santa Igreja. São Pio X rejeitou a proposta
com tal energia que, dando um murro na mesa, quebrou a pedra de seu “anel de
pescador”.
São Pio X mantinha um absoluto
senhorio de si e dominava os impulsos de seu ardente temperamento. Estava
sempre disposto a considerar e aceitar a opinião de outros se isso não
implicasse em risco para algum princípio da Igreja; mas, sem nenhuma
debilidade, não hesitava em agir intrepidamente em defesa da Fé.
São Pio X reuniu todo o Direito
Canônico num só texto e procedeu à revisão da tradução latina das Sagradas
Escrituras. Criou o Instituto Bíblico, reformou o Breviário e orientou a música
sacra para formas de expressão mais puras.
Não vencido pelo trabalho, mas
esmagado de dor por causa da cruel guerra européia de 1914, começou a sentir-se
mal a 15 de agosto, desse mesmo ano, vindo a falecer santamente no dia 20 de
agosto.
A devoção ao Papa santo começou a
correr logo após seu falecimento. Não se tardou em falar de milagres devidos à
sua intervenção. Em 1923, os Cardeais residentes em Roma se reuniram em
comissão a fim de promoverem sua Beatificação.
Houve até a cura de um bispo
brasileiro, alcançada pela intervenção, ainda em vida, do Papa São Pio X.
Foi canonizado pelo Papa Pio XII em
1954 e é conhecido em toda a Igreja como“O Papa da Eucaristia”, o Papa da
bondade e da doçura.
Peçamos ao ínclito Papa São Pio X o
discernimento, a argúcia, a energia e a combatividade que ele teve ao enfrentar
destemidamente as raízes dos erros de nossa época.
Um dia Jesus estava sentado à beira de um poço e veio uma
mulher ali tirar a sua água e Jesus disse à mulher:
- Dá-me de beber.
A mulher perguntou: “tu és judeu e pedes água a mim, que
sou samaritana?”
Mas Jesus respondeu para ela: “- Se tu conhecesses o dom
de Deus, e soubesses quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente tu mesma
pedirias e Ele te daria uma água viva”.
Jesus aqui quis ensinar e tirar uma lição para nós: a sede do
corpo é um símbolo da sede de felicidade que todo homem tem. A água, que só
satisfaz temporariamente o corpo, representa as alegrias humanas sempre
limitadas e água que Jesus promete significa a graça, que é uma participação na
vida de Deus, destinada a nos satisfazer eternamente.
(Adaptado do Livro Deus e o Sentido da Vida, de D. Rafael Llano Cifuentes)
«Era
de tardinha na leprosaria de Fontilles, Espanha. Depois de atender os
meus leprosos, saí da enfermaria para espairecer um pouco. E rezar o
terço. O meu caminho passava diante da capela. Entrei e ajoelhei-me num
dos bancos.
Na
penumbra do santuário percebi que lá na frente junto ao presbitério
havia alguma coisa, alguma figura que se movia pouco. Os contornos
foram-se definindo e, finalmente, não havia dúvida: era uma mulher
ajoelhada e com os braços em cruz.
Aquela
cena mexeu comigo, me chamou a atenção e fiquei a olhar aquele
espetáculo, sobre o qual todo o céu devia estar debruçado. Os dois
braços pareciam terminar em mãos fechadas.
Observando
melhor percebi que eram mãos sem dedos! Eram mãos leprosas. E estavam
em cruz! Como se a lepra não fosse já uma cruz e a pobre mulher não
estivesse já crucificada. De vez em quando, os braços caíam para um
breve descanso; depois subiam de novo...
A mulher estava absorta em oração diante do crucificado, alheia ao que se passava em torno de si.
Lembrei-me
aí de Moisés no alto do monte a rezar. Só que o velho patriarca tinha
dois homens a segurar-lhe os braços, e aquela mulher estava só,
crucificada na sua lepra.
Senti
uma vontade enorme de trazer o mundo inteiro para dentro daquele
pequeno templo. Especialmente o mundo elegante e vazio, que vende a alma
ao conforto e à preocupação com o corpo.
Depois
da comoção, comecei a sentir vergonha. Vergonha por mim mesmo e pelo
mundo, pelos homens e mulheres do meu tempo. Vergonha por ver que nós,
pecadores, não fazemos a penitência de que precisamos...»
O
mês de julho nos traz uma data muito importante: a festa de Nossa Senhora do
Carmo.
Esta
invocação está intimamente ligada à primeira manifestação de Maria na história
da humanidade.
O
Monte Carmelo fica na Galileia e foi lá que o profeta Elias estava rezando após
três anos e meio de seca que afligia todo o povo de Israel.
Uma
pequena nuvem, do tamanho da palma de uma mão apareceu por cima do mar e o
profeta mandou avisar ao rei que a chuva cairia sobre o país, salvando o povo
da miséria e da seca.
Aquela
nuvem era um sinal da Virgem Maria, pois assim como ela anunciava a chuva
salvadora, a humilde Maria anunciou e trouxe em si mesma a grande chuva de
graças de nossa Redenção que foi Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma
antiga tradição diz que os discípulos de Elias, em lembrança daquela visão,
fundaram uma congregação no próprio Monte Carmelo para homenagear a Mãe do
Messias que viria para salvar a humanidade.
Segundo
a mesma tradição, esta Congregação no dia de Pentecostes, eles abraçaram o
cristianismo e erigiram no Monte Carmelo um santuário à Santíssima Virgem,
naquele mesmo lugar, onde Elias vira aparecer a nuvenzinha. Adotaram eles o
nome de Irmãos da Bem-Aventurada Maria do “Monte Carmelo”.
Em
1225, o inglês Simão Stock tornou-se carmelita e no ano seguinte viajou a Roma
onde a Ordem foi oficialmente reconhecida em 1.226, depois de uma aparição da Santíssima
Virgem ao Papa Honório III.
Os
carmelitas sofreram terríveis perseguições, mas a Virgem Santíssima sempre teve
uma predileção especial pela primeira Ordem erigida em seu louvor e por isso,
em 16 de julho de 1251, enquanto São
Simão Stock, já superior geral, rezava, diante dele apareceu Maria Santíssima,
rodeada de uma multidão de anjos, e trazendo, em suas mãos, o Escapulário da
Ordem, dizendo essas palavras: “Meu
filho, eis o meu escapulário, que será o distintivo de minha Ordem. Aceita-o
como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da
Ordem do Carmo. Todo aquele que morrer revestido deste santo Escapulário, não
arderá nas chamas do Inferno. Este hábito é um sinal de salvação, uma segurança
de paz e aliança eterna”.
Em
pouco tempo o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo já cobria desde os mais
humildes camponeses até Papas, Cardeais e Bispos.
Em
1314, Nossa Senhora aparecendo ao Papa João XXII e prometeu especial proteção
aos que trouxessem o Escapulário, acrescentando que os livraria do purgatório,
no primeiro sábado após sua morte. Este Papa publicou a Bula Sabatina,
estabelecendo os privilégios e condições do uso do Santo Escapulário.
Um
costume muito salutar é beijar o Escapulário todo dia, e rezar 3 Ave-Marias,
pedindo a graça de não cair em pecado grave.
A
morte, por dolorosa que seja, é inevitável. Todos nós passaremos por ela. Por
isso, é preciso nos prepararmos, pois será nossa última e principal batalha.
O
Escapulário que Deus nos entrega pelas mãos de Maria será a melhor arma para
esse momento tão difícil, porque Ela prometeu estar presente para acompanhar
seus devotos nessa hora em que disputamos a posse eterna do céu.
Às
vezes somos tendentes a empobrecer a devoção a Nossa Senhora do Carmo
imaginando que o Escapulário é uma espécie de amuleto que dá sorte. Entretanto,
ele é um símbolo de algo que precisamos viver em profundidade: sermos devotos
de Maria Santíssima e imitar suas virtudes, sendo verdadeiros cristãos.
A
principal condição que Nossa Senhora colocou foi a guarda da castidade, segundo
o estado de cada um. Além disso, desapegar-se das coisas materiais, guardando a
pureza da alma e do corpo.
As
condições estabelecidas pela Igreja para a utilização do Escapulário, são as
seguintes:
-
Receber
o escapulário das mãos de um sacerdote habilitado para fazer a imposição e
usá-lo com devoção. Quando precisar mudar o escapulário, aí já não é mais
necessária a bênção.
- Convém rezar
diariamente algumas orações marianas, normalmente um terço ou, pelo menos sete
Pai-Nossos, sete Ave-Marias e sete Glória ao Pai.
Os
decretos pontifícios não estabelecem uma oração específica. Geralmente o
sacerdote indica no momento em que faz a imposição do escapulário.
- A pessoa deve conservar
a castidade própria ao seu estado e rezar as horas marianas. Quem não puder
cumprir esta segunda condição, observe a abstinência de carne nas
quartas-feiras e sábados. As duas obrigações de recitar o ofício mariano e a
abstinência de carne podem, se houver razões suficientes, ser comutadas em
outras equivalentes.
São
inúmeros os casos de milagres operados pela devoção ao Santo Escapulário:
1
- A revista americana THE SCAPULAR transcreve o seguinte episódio: “Há pouco
tempo, um capelão militar entrou em um vagão de trem onde se achava um soldado.
Este, não percebendo que o capelão era protestante, cumprimentou-o e entabulou
conversa, apresentando-se:
“Padre,
eu sou Billy Rive, o soldado que foi atingido pela bala que se achatou no Escapulário”.
E tirou do bolso o bentinho rasgado. A bala atravessou a roupa e eu caí.
Julguei que tivesse chegado o último momento. Quando voltei a mim, o capelão estava
curvado sobre mim: ele não era católico e quando viu o ocorrido, chamou o
sacerdote. Tiraram do bentinho a bala achatada e a única consequência foi uma
leve contusão”.
O
ministro tomou o bentinho das mãos do soldado e estudou cuidadosamente. Depois
de prolongado silêncio disse: “Não sou católico, mas será que eu poderia usar o
escapulário também?”. Billy Rice antes de ir para a guerra tinha abandonado sua
fé católica. Foi somente por insistência de sua mãe que prometera usar o
Escapulário do Carmo.
Nas
histórias de Santos, normalmente se contam casos que aconteceram com pessoas
que não conhecemos. Mas eu tenho um caso em que eu mesmo sou testemunha. Eu
tive um aluno, um rapazinho aqui em São Paulo que estudava, em regime de
semi-internato, num colégio católico e recebeu o escapulário. Pouco a pouco o
rapaz, iludido com os atrativos do mundo estava se afastando da Religião e se
percebia que, dentro alguns anos, sobretudo quando viessem as solicitações
próprias da adolescência, ele provavelmente se afastaria totalmente de Deus.
O
pai e a mãe dele rezavam sempre pedindo a proteção de Nossa Senhora para seu
filho. Ele ficava toda a semana no colégio e nos fins de semana ia para a casa
dos pais, de trem. Certa vez ele despediu-se do diretor do colégio e foi para
casa. Quatro dias depois o pai telefona para o colégio perguntando por que o
filho não foi para casa naquele final de semana.
-
Mas ele saiu daqui na sexta-feira à tarde! - Disse o diretor.
-
Até hoje não chegou em casa, disse o pai, já com a voz embargada.
O
diretor do colégio foi com o pai a várias delegacias e hospitais, mas nada.
Restava apenas um lugar: o IML.
Chegam
lá, perguntamao funcionário se tinha dado entrada o corpo de algum jovem falecido.
Imaginem
a aflição daquele pai, enquanto o funcionário procurava nas fichas...
Tem
aqui um rapaz de uns 14 ou 15 anos, mas não temos nenhum documento pois estava
sem nada nos bolsos.
O
pai, muito católico e também um homem de muita fibra, muito decidido estava
percebendo que tinha perdido seu filho, mas preocupava-se, sobretudo, como o
destino eterno do menino. Ele teria se salvado? Pedia a Deus um sinal.
Enquanto
o funcionário puxava a gaveta, comentava com o pai: “Não sei se o Sr. vai
conseguir reconhecer, foi atropelado por um trem...
Apareceram
primeiro as pernas, totalmente despedaçadas, o abdome, o peito... e aí o pai
viu o escapulário que o menino segurava com uma das mãos!
Entre
lágrimas o pai dizia. Perdi o meu filho, mas graças a Deus ele está no céu.
Nossa Senhora me deu o sinal!
Um
outro jovem, de 16 anos, também conhecido meu, que morava em Itaquera, São
Paulo, afogou-se na praia de Bertioga e foi levado pelo mar. Os bombeiros
encontraram seu corpo, três dias depois em uma ilha, segurando, com as duas
mãos o escapulário!
É
impressionante o fato narrado na vida de São João Batista Vianey, conhecido como
o Santo Cura D´Ars: Ele confessava uma moça. Em certo momento ele olhou para
ela e perguntou: “Não te lembras daquele baile em que entrou um rapaz muito
elegante e começou a dançar com as outras moças”
-
Como o Sr. sabe?
Sem
responder, continuou o santo: “Lembras como ele não te convidou, te sentiste
desprezada?” - Lembras que ao se retirar ele do salão, parecia saírem faíscas
de seus sapatos? - “Pois bem, aquele rapaz estava possuído pelo demônio, e não
se aproximou de ti porque trazias o Escapulário.
Em
Fátima, coroando todas as aparições, que foi o acontecimento mais importante do
século XX, Nossa Senhora quis mostrar-se a Lúcia vestida com o hábito dos
carmelitas, com o seu Escapulário, mostrando que o principal simbolismo do
escapulário é ser a veste da própria Virgem Maria.
Usemos o escapulário com toda a
devoção, com todo o amor e, sobretudo, sejamos fervorosos devotos de Nossa
Senhora, pois Ela é o caminho pelo qual Jesus veio até nós e Ela é o caminho
certo, pelo qual nós iremos a Jesus.