quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Mensagem de Fátima e a evangelização dos Arautos do Evangelho no Brasil e no mundo

              
https://www.dropbox.com/s/olt2g53q60rhjae/A%20MENSAGEM%20DE%20FATIMA%20E%20SUA%20DIVULGACAO%20PELOS%20ARAUTOS%20DO%20EVANGELHO%20%E2%80%93%20PE%20JOSE%20MARIO%20DA%20SILVA%20EP%20-%20CONGRESSO%20FATIMA%202016.pdf?dl=0

            Texto da conferência do Revmo. Pe. José Mario da Silva no XXIV Congresso Mariológico Mariano Internacional, realizado em Fátima, no dia 07 de setembro de 2016.
No link abaixo, baixe o texto completo da exposição, em PDF.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A devoção dos Cinco Primeiros Sábados no contexto do Ano da Misericóridia

           

         Através deste link, você poderá baixar o texto completo da conferência: “A devoção dos Cinco Primeiros Sábados no contexto do Ano da Misericórdia”, proferida pelo Prof. Alexandre de Hollanda Cavalanti, no XXIV Congresso Mariológico Mariano Internacional, ocorrido em Fátima, entre os dias 6 e 11 de setembro de 2016.

https://www.dropbox.com/s/iaglyzdm31kz4uq/Devocao%20dos%20Cinco%20Primeiros%20Sabados%20no%20contexto%20do%20Ano%20da%20Misericordia.pdf?dl=0



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segunda-feira, 27 de junho de 2016

La Inmaculada Concepción en Santo Tomás de Aquino



Santo Tomás figura en la lista de los que negaron la Inmaculada Concepción de María, por no conseguir armonizarlo con el dogma de la redención universal de Cristo. Quizás Dios lo permitió así –afirma el P. Royo Marín– para recordar que la luz definitiva no la pueden dar los teólogos, sino el magisterio de la Iglesia, asistido directamente por el Espíritu Santo. 

Sin embargo, el erro de Santo Tomás es más aparente que real. Él lo aceptaría de inmediato si hubiera vislumbrado la solución de que María sí fue redimida. La inmaculada que él rechazó (creada sin pecado, pero nunca redimida), sería una doctrina inaceptable incluso en la actualidad.

Durante toda su vida, el Aquinate buscó la solución del problema, pues su corazón le empujaba a proclamar el privilegio mariano, pero su sinceridad intelectual no encontraba como armonizar con el dogma de la universalidad de la redención. 
Por eso, cuando se deja llevar del impulso de su corazón, parece proclamar el privilegio de María[1]. Pero cuando se abandona al frío razonamiento de la especulación científica, se siente coartado a manifestar lo contrario[2].
Lo último que escribió sobre este asunto, poco antes de morir, fueron las siguientes palabras en su comentario al Ave María[3]:

«La Santísima Virgen María fue purísima en cuanto a la culpa, porque no incurrió ni en el pecado original, ni en el mortal, ni en el venial»[4].


[1] La pureza se entiende por oposición a su contraria; por lo mismo, puede encontrar cosa creada tan pura que no pueda haber otra más pura entre las cosas creadas, si no fue manchada por el contagio del pecado; y tal fue la pureza de la Santísima Virgen, inmune del pecado original y del actual» (In I Sent. dist. 44 q. I a.3 ad 3).
[2] Tal ocurre en la Suma Teológica III, q. 27, 1-2.
[3] Expositio super salutationem angelicam. Este comentario, ciertamente auténtico, de Santo Tomás –como ha demostrado el P. Mandonet–, lo escribió el Doctor Angélico al final de su vida, en abril de 1273. Santo Tomás murió el 7 de marzo de 1274. (Cf. Rossi, J. F. C.M., en Divus Thomas [Pl.] [1931] pp. 445-479)
[4] Cf. Royo Marín, Antonio. Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1961, p. 221.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O orgulho e a humildade


Alexandre José Rocha de Hollanda Cavalcanti


O ser humano é criado para conhecer, amar e servir a Deus. Quem perde esta visão perde o verdadeiro sentido de sua vida. Portanto, uma vida dedicada a si mesmo ou a desejar ser admirado pelos outros é uma vida que se desvia de seu sentido real. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus será melhor quanto mais se assemelhe a Deus e pior quanto mais dessemelhante de Deus. É por isso que dizia Tomás de Kempis que ninguém é mais por que os outros o elogiam, nem menos porque os outros o critiquem. O que a pessoa é verdadeiramente o que ele é diante de Deus.
Quando consideramos esta realidade de nossa essência diante de Deus vemos que em verdade não somos nada, pois Deus existe sempre e nós nascemos um dia, vivemos alguns anos e depois deixamos de existir. Se nossa vida se volta só ao material, ao hoje, nos assemelhamos aos animais: vivemos para comer, beber e dormir... Porém, a vida humana tem um sentido de horizontes muito mais amplos. Nós vivemos para participar da grande obra de Deus, colaborando com sua criação e com o aperfeiçoamento das pessoas, de modo que cada um seja mais semelhante a Deus.
Os primeiros seres humanos, Adão e Eva, pecaram porque quiseram ser iguais a Deus, o que caracteriza seu pecado como um ato de soberba, que é a falta de verdade acerca de nossa posição verdadeira. Por isso, Adão e Eva, não reconhecendo sua verdadeira posição de criaturas de Deus, quiseram ser iguais a Deus, quiseram definir por sua própria vontade o que é bem e mal e não depender de Deus, e por isso pecaram e foram expulsos do Paraíso. A soberba está portanto na raiz do pecado original e na raiz de todo e qualquer pecado, conformando-se assim, como um dos piores pecados.
Da soberba nasce o orgulho, que é o “amor desordenado a sua própria excelência”. Tudo o que podemos ter de bom nos foi dado por Deus, portanto, é apropriar-se indevidamente do que é de Deus e apresentar como nosso. Em outras palavras o orgulho é roubar o que é de Deus e desejar aparecer diante dos outros com uma mentira, pois, como dizia Santa Teresa, “a humildade é viver na verdade” e portanto o orgulho é viver na mentira.
O orgulho é considerado um pecado capital, quer dizer, é cabeça de muitos outros pecados. Por isso é um dos pecados mais graves que uma pessoa pode cometer, pois a partir do pecado de orgulho nasce a vaidade, a arrogância, a impureza e até pecados mais graves.
Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou o perdão: perdoou a mulher pecadora, perdoou o ladrão que foi crucificado com Ele, mas não perdoou o orgulho dos fariseus, os chamou de “sepulcros caiados”, pois eles queriam parecer bonitos e limpos para os outros, quando no fundo estavam cheios de maldade e de orgulho.

O orgulho leva a pessoa a aparentar ser o que não é, portanto faz do homem falso e hipócrita, leva à comparação e a querer destruir os outros que podem ser mais do que ele. Como dizia Salomão, o orgulho é falta de sabedoria e por isso, onde há soberba, há ignorância e onde há humildade, haverá sabedoria.
 
O orgulho leva inclusive à timidez, pois o orgulhoso não aceita que pode errar e com o passar do tempo começará a ter medo que os outros o critiquem, gerando com isso até problemas emocionais. O orgulho acaba com a paz de alma, pois o orgulhoso a todo momento vai estar preocupado com o que os outros estão pensando dele: sua felicidade não depende dele mesmo, mas da opinião dos outros. O orgulhoso procura ser o centro das atenções dos outros e com isso, chega a querer tomar o lugar do próprio Deus, pois o centro de todas as atenções da humanidade deve ser sempre nosso Criador.
Por outro lado, a humildade, que é o reconhecimento da verdade, é a virtude que dá a verdadeira paz e equilíbrio ao ser humano, pois reconhecendo suas fraquezas pessoais e que tudo que tem de bom foi recebido de Deus, a pessoa humilde procurará ser cada vez mais semelhante a Deus e com isso cumprirá o verdadeiro sentido de sua vida.
A humildade é a raiz de todas as virtudes, porque é a ausência do egoísmo que é o produtor de todos os vícios. A humildade é o caminho mais seguro para encontrar a Deus, pois a pessoa humilde não procura a felicidade onde ela não existe, mas a procura onde ela existe em plenitude.
Muitas vezes fazemos uma ideia falsa da humildade, pensando que ela nos rebaixa, mas é exatamente o contrário. A humildade –ensina Santa Teresa– nos dá a verdadeira grandeza que em vão procuramos fora de Deus, pois não existe nada mais elevado que estar diante de Deus e com Deus. Somente sendo humildes vamos encontrar a Deus. Por esta razão a humildade é uma virtude teologal, quer dizer, uma virtude que nos assemelha a Deus e nos une diretamente com Ele.
A humildade não consiste portanto em atitudes artificiais, em covardias, em tristeza, mas em conhecer a nós mesmos com os olhos de Deus, quer dizer, conhecer-nos verdadeiramente. A verdadeira humildade é a virtude que nos faz semelhantes Deus pois passamos a considerar a verdade e não desejamos ser iguais a Ele como Adão e Eva queriam, mas procuramos cada vez mais, reconhecendo nossa realidade pecadora, assemelhar-nos a Deus pela prática da virtude.
São Francisco de Sales ensina que existe um vínculo indissolúvel entre a humildade e a generosidade, que estão juntas e unidas uma à outra. Assim, a humildade reconhece que por si mesma não pode nada e a generosidade confere que confiando em Deus tudo podemos e por isso nos abrimos para ajudar ao próximo, quando o orgulho nos fecha sobre nós mesmos. Por isso o humilde é sempre alegre: pensa nos outros, ajuda os outros, vive para Deus. O orgulhoso é sempre triste: vive para si mesmo, está sempre buscando aparecer, está sempre dependente da opinião dos outros e se separa de Deus.
A humildade como raiz de todas as virtudes é a porta da felicidade. O orgulho, como raiz de todos os pecados e filho do egoísmo, é a porta da infelicidade.
Santa Teresa ensina que a humildade é a lucidez própria do amor e é o que faz com que o bem seja verdadeiramente bem. A humildade é assim a essência de todas as virtudes e a condição para receber todos os dons divinos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vida de São Francisco Xavier


Conheça a emocionante e original vida de São Francisco Xavier, um dos maiores discípulos de Santo Inácio de Loyola e grande missionário da Índia e do Oriente.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

sábado, 17 de outubro de 2015

O Milagre de Calanda

               




Jean Martin Charcot, famoso líder do positivismo “religioso” do século XIX, certa vez comentou: “Ao consultar o catálogo de curas chamadas milagrosas, nunca se tem podido comprovar que a fé tenha feito reaparecer um membro amputado”.
            Pois bem, foi isso exatamente o que aconteceu em Calanda: uma perna amputada foi reimplantada miraculosamente depois de mais de dois anos de enterrada. Este acontecimento extraordinário, sobrenatural, foi estudado exaustivamente, com todo o rigor científico, por Messori no seu livro “O grande milagre”.
            Entre as dez e onze da noite do dia 29 de março de 1640, enquanto Miguel Juan Pellicer, camponês de 23 anos, dormia em sua casa foi-lhe “reimplantada” – repentina e definitivamente – a sua perna direita. A perna, feita em pedaços pela roda de um carro e posteriormente gangrenada, foi-lhe amputada no fim de outubro de 1637 (2 anos e 5 meses antes da impressionante “restituição”), no hospital público de Zaragoza.
            Cirurgiões e enfermeiros realizaram sucessivamente a cauterização do toco da perna com um ferro em brasa. O processo e a investigação foram abertos 68 dias depois e se prolongaram por muitos meses, sendo presidido pelo Arcebispo de Zaragoza, assistido por nove juízes, com dezenas de testemunhos e um rigoroso respeito às normas prescritas pelo Direito Canônico.
            A sentença do processo declarou que a perna reimplantada de maneira tão repentina era a mesma que fora cortada e em seguida enterrada. Este fato foi certificado apenas 3 dias depois de que ocorrera e no mesmo lugar do acontecimento, por um notário (de outra cidade e, portanto, sem relação com o caso), por meio do habitual instrumento legal, garantido igualmente pelo juramento de muitas testemunhas oculares.
            A partir do testemunho do protagonista e de outros testemunhos, se chegou à conclusão de que o milagre foi devido à intercessão de Nossa Senhora do Pilar, a quem o jovem sempre fora particularmente devoto, à qual se havia encomendado antes e depois da amputação de sua perna, e em cujo santuário de Zaragoza tinha pedido e obtido autorização para pedir esmola.
            Quando pode enfim sair do hospital com uma perna de madeira e duas muletas, untava diariamente o seu toco de perna com o azeite das lâmpadas acesas na Santa Capela do Pilar. Isto é precisamente o que sonhou que estava fazendo, em Calanda, na noite em que adormeceu com uma única perna e foi despertado por seus pais poucos minutos depois, possuindo outra vez as duas pernas.
            Sobre a verdade do fato nunca se levantou voz alguma de dúvida, nem na ocasião, nem depois, nem no povoado, nem em nenhum outro lugar. Após a conclusão positiva do processo, o próprio Rei da Espanha, Felipe IV, ordenou que chamassem ao seu palácio de Madrid o jovem do milagre, ajoelhando-se em sua presença para beijar-lhe a perna milagrosamente “restituída”.
            A forma como aconteceu o acidente, em julho de 1637, está assentado no livro de registros do Hospital Real de Valência, no dia 3 de agosto do mesmo ano, detalhando como ia vestido, e autenticado com a assinatura do encarregado do registro (Pedro Torrosellas). A constatação do processo avançado de gangrena no Real Hospital de Nuesta Senora de Gracia, em Zaragoza, consignado na consulta médica presidida pelo professor Juan de Estanga, diretor daquele departamento da universidade de Zaragoza; a amputação da perna direita feita pelos cirurgiões Estanga e Millarnelo; a maneira como foi depositada a perna pelo praticante Juan Lorenzo Carcia na capela do hospital e mostrada ao capelão e administrador do mesmo hospital, Pascual do Cacho, etc., etc…
            O médico lhe advertia que, além da possível infecção, o óleo mantinha uma umidade que retardava a completa cicatrização da ferida. Durante toda sua estadia em Zaragoza, Miguel Juan Pellicer passava o dia pedindo esmola na porta da Basílica do Pilar. À noite ia dormir no “Mesón de las Tablas” quando tinha dinheiro para pagar ao proprietário; se não, dormia num banco do hospital. Em marco de 1640, Miguel Juan Pellicer, esgotado pela vida miserável que levava, decidiu voltar a Calanda apesar do seu desejo de ficar junto à Basílica de “La Virgen del Pilar.”
            Todos em Calanda e nas vilas limítrofes por onde Miguel Juan Pellicer, montado num jumento, ia pedindo esmola, conheciam o jovem sem a perna direita.
            Dois anos e quase cinco meses após a amputação da perna direita, precisamente no dia do 16º centenário da visão que teve de Nossa Senhora, ainda viva, o Apóstolo Santiago e do aparecimento do Pilar na quinta feira 29 de marco de 1640, por volta das dez horas da noite, Miguel Juan Pellicer abandonou a conversa e, foi deitar, pois se encontrava especialmente cansado.
            Pouco depois, Dona Maria Blasco, a mãe, foi ver se o filho mutilado estava bem coberto. Deu um grito de estupor, e acudiu o pai. Por baixo das cobertas apareciam dois pés! Após os primeiros instantes de surpresa, levantou as cobertas: aí estava de novo, inteira e sadia, a perna direita, da qual até momentos antes lhe faltava a metade. Miguel Juan só sabia explicar que se havia encomendado, como todas as noites, à Virgem do Pilar, e que sonhara que estava na Basílica untando a ferida uma vez mais com o óleo das lâmpadas.
            Nessa mesma noite acudiram a ver o incrível milagre o soldado Bartolomé Ximeno, e os vizinhos Miguel Barraxina e esposa Úrsula Means.       Os três, minutos antes, estiveram conversando com o coxo e vendo como tirara a perna de madeira e os panos antes de retirar-se a dormir. Naquela mesma noite foi chamado e veio o Pároco, Pe. José Herrera.
            No dia seguinte de manhã a Igreja estava cheia de pessoas que viram e agradeceram a Deus a recuperação da perna direita de quem todos conheciam privado dela até a véspera. Reconhecimentos posteriores mostraram que a perna direita, milagrosamente recuperada, conservou sempre cicatrizes perfeitamente fechadas das feridas que tivera antes de ser amputada, principalmente a da grande ferida provocada pela carreta e que ocasionara a gangrena. Havia também a cicatriz, perfeitamente fechada como todas as outras, onde se havia feito a amputação. Tratava-se da mesma perna que havia sido amputada!
            A mesma perna que havia sido enterrada quase três anos antes! Ficara “a marca”, a conhecida condescendência divina para uma insuperável observação científica.
            Quando a notícia do milagre chegou a Zaragoza, mandou-se verificar no Cemitério do Hospital Real.         Sob a direção do Dr. Juan Lorenzo García comprovou-se que a perna, ou os ossos que deveriam ficar dela, havia desaparecido, sem que ninguém antes tivesse mexido na terra!
            A recuperação de Miguel Juan Pellicer, como em todo milagre, foi instantânea, e também “por etapas”. A perna direita, durante os três primeiros dias após a recuperação instantânea, estava fria. Sua cor era apagada, algo roxa. E os dedos do pé estavam permanentemente curvados, os nervos contraídos, de forma que durante estes três dias Miguel Juan Pellicer, perante todas as autoridades e numeroso povo que o visitava, não podia apoiar a perna firmemente no chão, nem podia prescindir da muleta que usava.
            Passados esses três dias, as mesmas autoridades e o povo puderam constatar que Miguel Juan Pellicer agora caminhava perfeitamente, o pé ficara normal. Mas faltava ainda outra etapa? A largura ou espessura da perna direita, a recuperada, era claramente menor que a grossura da perna esquerda. Miguel Juan Pellicer, a 25 de abril, viajou com seus pais a Zaragoza para agradecer à Virgem do Pilar.
            Durante o trajeto, um cirurgião lancetou o talão nas suas pesquisas, fato que obrigou Miguel Juan Pellicer a mancar um pouco novamente. Mas logo passou. Miguel Juan quis permanecer em Zaragoza por algum tempo. Ia com frequência à Basílica do Pilar, onde confessava e comungava cada sete dias, e comprazia-se em continuar ungindo sua perna direita, mais débil, com o óleo das lâmpadas.
            “Pouco a pouco a perna direita ficou igual à esquerda (…). Quando voltou a Calanda, os vizinhos maravilharam-se de vê-lo caminhar e correr alegremente. Como deram testemunho (…). Notaram também que o jovem podia realizar movimentos de esticamento até levantar o pé à altura da cabeça. Assim completara-se o milagre até a perfeição total”(48).
            A Prefeitura de Zaragoza, a 8 de maio de 1640, reuniu-se em conselho extraordinário e plenário, e nomeou três procuradores para pesquisar o caso, além de solicitar do Sr. Arcebispo que instaurasse um acurado processo canônico, a expensas da Prefeitura. Conservam-se todas as atas de ambos os inquéritos.
            O inquérito da Prefeitura começou só dois meses depois do milagre. O canônico, só após três meses. Bem contemporâneos dos fatos. Inquéritos detalhadíssimos. Muitas comprovações. Depoimentos de multidão de pessoas que conheceram e conviveram com Miguel Juan Pellicer, antes e depois do acidente, antes e depois da amputação.
            Vi um grande tapete que há no Palácio Real de Madri, representa o Rei Felipe IV beijando a perna regenerada de Miguel Juan Pellicer. Lord Hopton, embaixador da Inglaterra na Espanha, certificou independentemente que esteve presente quando El-Rei se ajoelhou, descobriu a perna recuperada e beijou a cicatriz da amputação.
            Foram realizadas recentemente novas pesquisas históricas a respeito, com levantamento abundante e irrefutável de documentos.
            O milagre com “O coxo de Calanda” ocorreu em 1640. Somente em 1959 se realizou com sucesso a primeira operação de recolocar uma perna cortada. Os cirurgiões do Hospital Mont-Eden, de Hayward (Califórnia – USA), conseguiram recolocar uma perna, mas imediatamente ao acidente (não quase três anos depois), sadia (não gangrenada) e que ficara ainda unida ao corpo por consideráveis partes de carne (não uma perna enterrada!). E o maravilhoso êxito da cirurgia humana precisou meses de cuidados médicos antes de o paciente receber alta.
            Miguel Juan e seus pais examinaram a perna amputada descobrindo imediatamente sinais inconfundíveis que permaneciam nela. “O mais notório e principal, a cicatriz originada pela roda do carro que lhe fraturara a tíbia; outra cicatriz, menor, ocasionada pela extirpação, na adolescência, de um abcesso; e, por último, dois profundos sinais de cortes provocados por um arbusto de espinhos, e as marcas da mordida de um cachorro”.
            Quando amanheceu o 30 de março, e se difundiu a notícia por todo o povoado, Pe. Jusepe se aproximou da casa dos Pellicer com muita gente. Entre estas o primeiro magistrado, o juiz que era ao mesmo tempo o responsável da ordem pública, Martín Corellano. Acorreram também o jurado maior, o prefeito Miguel Escobedo, o “jurado segundo”, Martín Galindo, e o notário real Lázaro Macario Gomez. Encontravam-se também os dois cirurgiões locais, que certificaram o fato de maneira profissional. Ambos declarariam ter que render-se à evidência, que havia deixado por terra sua instintiva incredulidade. O notário lavrou uma ata notarial constatando o fato ocorrido.
            Tratava-se de uma expedição inesperada à que devemos um documento extraordinário, para não dizer único, como único é o caso que aparece neste documento legal. Estamos ante uma intervenção divina testemunhada por uma ata notarial, diante de um milagre com a garantia de um documento ajustado à normativa vigente e corroborado por dez testemunhas oculares, escolhidos entre os de maior confiança e melhor informados dos muitíssimos disponíveis. E como se não bastasse, a ata notarial  milagre foi escrita e autenticada, passadas algo mais de 70 horas depois do sucedido e no próprio lugar onde ocorrera.
            Observou o historiador Leandro Aína Naval: “trata-se de um Ato Público (ata notarial, diríamos hoje) documento de máxima autoridade em todo tempo, que se aproxima ao ideal exigido por alguns racionalistas para a comprovação dos milagres na sua vertente histórica”.
            Mais tarde em outubro de 1641, Felipe IV, rei de Espanha, no meio da corte espanhola, rodeado de todo o corpo diplomático interrogou publicamente a Miguel e aos relatores do processo. Verificou ele próprio a reimplantação miraculosa da perna, e, diante do assombro de todos, ajoelhou-se e beijou a perna, fazendo com isso um verdadeiro ato de Fé.
            A homenagem de Felipe IV naquela manhã de outubro foi como o selo definitivo que a autoridade civil pode dar a um acontecimento. O rei da Inglaterra, Carlos I, (cabeça da seita anglicana, inimiga da Espanha), informado pelo seu embaixador, ficou convencido do milagre, até o ponto de defendê-lo perante os “teólogos” da sua corte, que ficaram escandalizados.
            Não consegui descobrir nenhum argumento para dar um mínimo de credibilidade à suspeita ou à dúvida do milagre. Quem rejeitasse a verdade do acontecido em Calanda teria que pôr também em dúvida toda a História, incluindo os fatos certos que estão mais comprovados. Quantos fatos existem que possam fundamentar-se numa ata notarial outorgada de imediato? Quantos com um processo levado com todo rigor com dezenas de testemunhos sob juramento e, além disso, com a total exclusão de qualquer tipo de interesse pessoal dos envolvidos na causa? [Este comentário parece ser de Messori, pelo que deveria vir entre aspas. Como, entretanto, estas faltam no original, o texto foi copiado aqui tal como se encontra no mesmo. A frase seguinte reforça essa impressão].
            Messori assim termina o seu estudo: “Se Calanda nos apresenta como o cume do poder da intercessão e da misericórdia mariana, não é sem dúvida o único. Em outras muitas pequenas e grandes “Calandas” de todos os tempos e países, um povo fiel e confiante experimentou, e experimenta, que não iam dirigidas apenas a João as palavras de Jesus agonizante na Cruz: “Mulher, eis ai teu filho… eis ai tua Mãe” (Jo 19, 26-27). Este povo sabe que Maria é a Mãe benigna e amável para todos que filialmente solicitam a sua intercessão.”

Fonte: Texto disponível em diversos sites na internet, baseado num estudo de Vittorio Messori, escritor italiano, jornalista e historiador, publicado em 1998, sobre o Milagre, oficialmente reconhecido pela Igreja, ocorrido no ano de 1640 em Calanda, um vilarejo de Zaragoza, na Espanha.