sábado, 24 de agosto de 2013

À sombra da guilhotina

Vida do Padre José Coudrin

Paris, 4 de março de 1792. A capela do seminário irlandês está ocupada por jacobinos. O santuário há meses está transformado em clube. Os “heróis” da revolução, sentados diante do altar, de gorros vermelhos, arremessam cartas de jogar sobre a mesa sagrada da comunhão e agitam os copos com os dados. Furiosos e vociferando pragas, passam as cédulas de dinheiro de mão em mão. Origina-se uma contenda. Desembainham os punhais. Um bêbado cambaleia por entre os altercantes. Na mão vacilante tem um cálice sagrado que contém aguardente. A um canto está um indivíduo acocorado, com um arenque numa patena.
- Comportai-vos, cidadãos! Comportai-vos! Balbucia o embriagado.
Não alterqueis por causa de dinheiro. Ainda há que chega a Paris. Cantai! Cantai cidadãos! E com voz animalesca, berra:
- Ah, ça ira, ça ira, ça ira! ...
Todos entram em côro. A matinada que levantam faz estremecer os vitrais da capela com os seus santos.
- A, ça ira, ça ira, ça ira! Les aristocrates à la lanterne! (À forca os aristocratas!).
Enquanto esta cena se passa, na biblioteca da mesma casa está ajoelhado, aos pés do Bispo preso, um jovem com vestes seculares.
No silêncio, o venerando Príncipe eclesiástico impõe-lhe as mãos trêmulas. De leve se movem os seus lábios em oração fervorosa. Em seguida, toma as mãos do recém ungido sacerdote e pergunta com voz trêmula: - Prometes-me a mim e a meus sucessores reverência e obediência?
- Prometo! Responde o ordenado com voz firme.
O Bispo inclina-se então para ele e dá· lhe um ósculo na testa, proferindo as palavras: A paz do Senhor esteja sempre contigo!
Da capela ecoam gritos esganiçados e infernais: - Ah, ça ira, ça ira, ç"a, ira! Les aristocrates à la lanterne! Les prêtres à la lanterne!
- À forca os sacerdotes! Ruge uma voz de permeio e todo o bando repete aos gritos e gargalhadas: - Les prêtres à la lanterne!
- A paz do Senhor seja sempre contigo diz mais urna vez o Bispo.  O neo-sacerdote responde: Amém!
Em seguida, o Bispo fá-lo levantar-se, dizendo-lhe: - José Coudrin, foste ordenado à borda do inferno!
- E, contudo, temos aqui o Céu, volve o sacerdote; e eram sinceras as suas palavras.
- A forca os padres! Uiva a corja de embriagados.
Meio ano mais tarde, as ruas de Paris tingem-se de rubro com o sangue dos mártires. Em França, o inferno está solto. A guilhotina escolhe as suas vítimas de quase todas as aldeias. Como animais, farejam os sacerdotes e arrastam-nos ao cadafalso.
Atrás de um destes, os esbirros e patriotas dão caça especial; invisível, nunca se deixa apanhar e sempre de novo surge por toda parte, nas cidades e aldeias das Dioceses de Tours e Poitiers.
Lá vai andrajoso mendigo pela estrada da aldeia. Em cada porta, estende a mão, pedindo esmolas. Por vezes lhe é concedida a entrada, e, momentos depois, ele profere as palavras da absolvição junto a um moribundo, administrando-lhe os Santos Óleos.
Na praça do mercado ergue-se a guilhotina, que projeta longas e negras sombras sobre a terra. Junto da guilhotina se acha um soldado, que lê um manifesto pregado ao poste dela: "Mil francos de gratificação para aquele que denunciar ao tribunal revolucionário o sacerdote Pe. José Coudrin. Patriotas, cumpri o vosso dever. À forca o sedutor do povo!" Aproxima-se um segundo soldado.
- Boa soma essa, mil Francos! Murmurou o primeiro. Isso eu gostaria de ganhar.
- Tens razão, camarada, concordou o segundo.
- O carrasco saberá onde está escondido o padre.
- Precisamente não o sabe, disse, brusco, o primeiro.
- Como? Ah! Sim! Tens razão, camarada!
E cada qual seguiu o seu caminho. O segundo entrou numa taverna, o primeiro numa casa qualquer, perto do mercado. Breve sua mão benfazeja derramava água batismal sobre a fronte de uma criança. Mais uma vez escapou à guilhotina. Mas algum rasto os esbirros sempre tinham, e, aonde quer que se dirigisse o sacerdote, ameaçava-o a guilhotina.
Um vendilhão vai de casa em casa com uma cesta cheia de ratoeiras.
Nas casas onde entra, depõe as bugigangas, tira do bolso sobre o peito uma patena brilhante e diz: "Ecce Agnus Dei! Eis o Cordeiro de Deus". Reverentes, os homens ajoelham-se e recebem o Pão dos fortes.
José Coudrin, o sacerdote, continua caminhando à sombra da guilhotina. Certa vez, descobrem lhe o rasto. Cercam a casa em que se acha. O sacerdote refugia-se, subindo uma escada, num quarto escondido, situado mais alto. Os revolucionários penetram na casa. Um deles descobre a escada. Já punha o pé no primeiro degrau, quando seu camarada o chamou:
- Cidadão, és um macaco. Julgas que ele teria deixado a escada se tivesse subido por aí?
Momentos depois, os perseguidores, que passam revista em toda a casa, até nos últimos recantos, retiram-se.
Em Paris todos os demônios andam soltos. A cabeça do Rei rola no pó. A Rainha sobe ao cadafalso. Por toda parte se degolam sacerdotes. As igrejas são profanadas. O sacerdote José Coudrin, entretanto, continua andando a sombra da guilhotina. Muitas vezes, precisa descansar durante o dia em cavernas, paióis e touceiras. Não raro, só de noite pode realizar as suas visitas. Os patriotas de Poitiers já o condenam à morte em sessão judicial. Falta, porém, o acusado. De novo pensam tê-lo seguro. Os esbirros já tiram a sorte com colmos de capim a ver quem dentre eles o deveria conduzir à guilhotina. Mais uma vez, porém, Coudrin lhes escapa.
Até nos cárceres penetra, e, confundido com os presos, celebra a Santa Missa, ministrando-lhes o Santo Viático. Ainda desta vez consegue subtrair-se aos seus inimigos. Mas anda sempre à sombra da guilhotina. Os “heróis” da revolução apunhalam-se uns aos outros. Um monstro devora outro. Chega o tempo do Diretório.
Vêm os dias do Bonaparte. Passa o tempo dos horrores. A Igreja ressurge das catacumbas [pensam os ingênuos]. A guilhotina não chegou a pegar José Coudrin.
Seguem-se, contudo, novas e graves perseguições. Napoleão, o corso, engana a Igreja. O Papa é feito prisioneiro em Fontainebleau.
Mas, num recanto de França, o sacerdote José Coudrin levanta altaneiro nova bandeira, que leva como sagrado símbolo os Corações de Cristo e da Mãe de Deus, Corações esses que receberam indizíveis opróbrios nos dias dos jacobinos, Corações a que os mártires se consagravam no patíbulo da morte. E o derradeiro grito das vítimas: Viva o Sagrado Coração de Jesus! Tornou-se um brado de combate.
José Coudrin funda a Ordem dos Sagrados Corações. A Condessa Henriette Aymer de Ia Chevalerie funda, sob o mesmo nome, uma congregação para mulheres. Também ela passava pelo inferno da revolução, chegando a conhecer de perto os horrores da prisão, em que a todo o momento esperava o carro fatal, até que, por fim, a morte de Robespierre lhe abriu a porta da liberdade.
Homens agrupavam-se, decididos a tentar o extremo, possuídos daquele mesmo ardor indômito que enchia o sacerdote que vagava pela França à sombra da guilhotina. Brancas eram as suas vestes. Um manto como o dos Cavaleiros do Sepulcro descia-Ihes dos ombros. Sobre o peito traziam a divisa - os Sagrados Corações, cercados da Coroa de Espinhos e de chamas. Nos dias do terror, todo aquele que trouxesse tal imagem era levado ao cadafalso. Em culto blasfemo, os jacobinos veneravam o coração de Marat para escarnecer do Coração de Jesus. Agora era chegado o tempo da reparação. Reparações queriam prestar os homens e mulheres da nova congregação. Reparação pelas igrejas profanadas, pelos altares derrubados, pelos cálices calcados aos pés e pelas Hóstias profanadas. Aonde chegavam os sacerdotes e irmãos de hábito branco, acendiam-se novamente as velas do Tabernáculo; ali Cristo, em ostensório precioso, sobe novamente ao trono mais alto. Lá não se apaga a chama eucarística da Hora Santa.
No centro de Paris, na Rua Picpus, pulsa o coração da nova grei. Lá está a casa-mãe. É o lugar onde se acham sepultadas as 1307 vítimas de junho de 1794, executadas na Barriere du Trône. Sobre as catacumbas dos mártires queima novamente a chama da caridade e do sacrifício. A toda parte envia José Coudrin a sua milícia branca. Onde quer que a indigência e a miséria clamem por auxílio, pode-se encontrá-la, e, de fato, após os anos do terror, não é preciso procurá-Ia, pois em todas as ruas e caminhos de França se encontra a miséria. Mas por toda parte também se curvam, cheios de compaixão, os samaritanos, enquanto a misericórdia traça o seu caminho ao encalço da miséria. A caridade palmilha as ruas pelas quais se esgueiravam o terror e o desespero.
Crianças andrajosas e abandonadas, que já não sabem benzer-se, encontram mestres carinhosos. Os asilos e as escolas que a chama da revolução reduziu a cinzas são reconstruídos. De povoado em povoado, vão os padres. Em muitas igrejas pregam, prescrevem exercícios espirituais e missões. Vida nova e forte surge dos abismos. Um homem, porém, nem agora encontra descanso. Também nesses anos é insultado, escarnecido, perseguido, expulso de cidade em cidade o grande sacerdote que não temeu os revolucionários, que também não se curva ante o conquistador - José Coudrin, o caminhante à sombra da guilhotina.
O grande [sic!!!] imperador [sic!!!, refere-se a napoleão] passa pelo mundo. Por toda parte marcham os seus exércitos e tremulam as suas bandeiras. Outro personagem, porém, envia os seus soldados muito mais longe que Napoleão os seus exércitos. Também ele é conquistador. Para Coudrin as fronteiras da França são estreitas demais. A maldade no Velho Mundo é demasiada. Dirige o seu olhar para novas terras. Envia os seus discípulos através de todos os mares.
No arquipélago de Havaí, na ilha abandonada da Páscoa, em todas as ilhas do Mar do Sul, implantam o sinal de campanha do Grande Rei. Na América do Sul, no Chile e no Peru pregam esses arautos de Deus o do Evangelho.
Também os soldados da paz vertem o seu sangue. Sangue de mártires derrama-se em todo o mundo. O Padre Aleixo Bachelot é escorraçado das ilhas de Sandwiche. O Padre Claro Fouqué é apunhalado nas ilhas Tuamoto.
No arquipélago do Marechal, dão suas vidas por Cristo um Bispo, sete padres e dez irmãos. Um vagalhão arrebata o Padre Paulo Terlyn do altar onde estava dizendo Missa sobre uma ilha baixa. O vasto oceano tornou-se a sua sepultura, mas todo o rebanho pelo qual o sacerdote reza à vista da morte fica ileso.
Meus filhos serão sempre filhos da Cruz, disse uma vez José Coudrin.
Em toda parte, pelo mundo afora, esta profecia se está realizando. Sobre os túmulos dos mártires levanta-se o reino do Rei eterno. Houve conquistadores que sobre o sangue dos trucidados, sobre montes de caveiras erigiram o seu trono. A tempestade da história varreu-os. O Reino de Deus, que nasceu do Sangue de Cristo e dos seus mártires, é invencível.
Após longo exílio, volta José Coudrin em 1833 para a casa-mãe na Rua Picpus. Aqui o perseguido sem tréguas, o caluniado caminhante à sombra da guilhotina, encontra, após três anos, morte tranquila. O semblante do moribundo encrespa-se num sorriso. Como dissera o Bispo no dia da sua ordenação no seminário irlandês?
- A paz do Senhor seja sempre contigo!
Da capela gritavam então os jacobinos - À forca os sacerdotes! Agora, enfim, tinha a paz, a última e grande paz, para morrer. A primeira luz primaveril espalhava-se sobre os tetos de Paris, mandando um clarão para dentro da cela do convento. Eis que se desenha sobre a cama do doente uma grande cruz. É a sombra da cruz da janela. O doente vê-a. A sua mão mirrada estende-se para agarrar a sombra.
- À Cruz, fala com voz fraca: "Eu morro à sombra da Cruz!"
Ou serão mastro e verga que ali se desenham? Os pensamentos do moribundo transpõem o oceano, procurando os irmãos nas missões.
- Trazei-me um mapa, diz o superior geral. Algo hesitantes, os irmãos desdobram diante do moribundo um grande mapa-múndi. Os dedos brancos deslizam sobre os países e mares. Em alguns lugares se detém:
- Aqui estão os meus filhos e ali também! Senhor, tomai-os sob a vossa proteção!
E os dedos indicam novos países e mares. Erguendo-se um pouco no leito, o moribundo diz:
- A messe é grande, mas os ceifeiros são poucos! Pedi ao Senhor que mande operários para a sua messe.
A sombra da Cruz cai agora sobre o mapa. José Coudrin, pensativo, olha para ela:
- A Cruz se estende sobre todo o mundo, diz. Mas olhai o ponto em que os dois braços se cortam, onde estão as ilhas de Sandwich. A Cruz cai sobre o Mar do Sul.
Será que os seus cuidados mais uma vez querem aproximar-se do leito mortuário? Quererão roubar-lhe a paz da última hora os cuidados pela congregação? Será a sua obra duradoura? Onde estão os recrutas que cerrem fileiras sob a sua bandeira? Onde crescem os homens de que ele, o general moribundo, necessita? Homens com força indestrutível e valor a toda prova? Novamente deslizam os dedos do moribundo pelo mapa. Agora encontraram.
- Irmãos, chama o doente com voz prestes a extinguir-se. Vede cá, irmãos! Aí deveis construir um convento, em Flandres. Lá moram os homens por quem outrora São Francisco Xavier tanto clamava. Lá estão, os novos soldados.
Cansado, reclina-se para trás sobre os travesseiros. Em seguida, mais uma vez se ergue na cama. Sua voz soa não como o balbuciar de um moribundo, mas como a de um general em chefe que dá sua última ordem.
- Erigi um mosteiro em Flandres! É a minha última vontade. O rosto do moribundo ilumina-se.
- A paz de Deus seja convosco! Diz com voz muito sumida e com um sorriso.
A paz de Deus! Amém!
Os irmãos de ordem fecham-lhe os olhos para o sono eterno. A sombra da janela avançou mais, desenhando um retângulo bem definido sobre a coberta.
- Como uma guilhotina, dizem entre si os irmãos.

Três anos após a sua morte, em 1840, a congregação dos Sagrados Corações fundou um convento em Lovaina. A três de janeiro de 1859, dia do seu aniversário, José de Veuster [futuro São Damião] tocou a sineta na portaria desse claustro.
Fonte: Wilhelm Huenermann, "Vida de São Damião". Tradução de Aloysio Sehnem, SJ. Trecho sobre a vida do Padre José Coudrin, Fundador da Ordem à qual pertence São Damião de Veuster. Com pequenas adaptações.


sábado, 22 de junho de 2013

Mais alguma coisa?


Por Lamartine de Hollanda Cavalcanti Neto
            
      Um bilionário que estava muito contente com o nascimento de sua filhinha resolveu comprar um presente para ela. Mas queria que fosse um presente muito especial. Tão especial que ninguém pudesse sequer perguntar se poderia haver algo melhor.
            Dirigiu-se, então, à maior loja de sua cidade, a qual vendia praticamente de tudo. Depois de muito procurar, escolheu uma jóia caríssima. O vendedor, um jovem calmo e atencioso, ao terminar a venda, perguntou-lhe: “Mais alguma coisa?”
            Por dentro, o ricaço se indignou e pensou: “Como mais alguma coisa?! Quer dizer que este rapazinho aqui acha que isto não basta? Bem... Se ele acha isso, o que acharão meus amigos, ricos como eu? Vou comprar mais algo, então”.
Aborrecido, explicou que estava comprando um presente para sua filhinha recém-nascida, e que queria o artigo mais caro que a loja tivesse. Depois de procurarem bastante, encontraram um automóvel de luxo, caríssimo, do qual só existiam 4 exemplares no mundo. O homem o comprou no ato.
            O vendedor, sem entender como a criancinha iria usar o presente, terminou a negociação e novamente indagou: “Mais alguma coisa?”
            O nababo ficou vermelho. Quase explodiu com o rapaz, mas acabou se controlando. Pensou: “Será possível? Se este simplório aqui está achando que isto não basta, o que dirão os meus colegas?”. Quase gritando, falou: “Olhe aqui! Não quero nem saber o preço. Quero que você encontre o produto mais caro que sua loja vende, vendeu ou venderá! Não me faça perder mais tempo”.
            O rapaz pediu-lhe, então, que fosse com ele ao departamento de imóveis, pois tinha ouvido dizer que havia uma ilha à venda há vários anos, cujo preço era tão caro que nem os maiores magnatas do petróleo tinham podido comprar.
De fato, ela era tão grande, tão rica em belezas naturais, em edificações suntuosas, plantações, animais e outras benfeitorias, que ninguém conseguia pagar seu preço. “Eu compro! Eis aqui o cheque!”.
O vendedor respondeu: “Muito obrigado, senhor. E... mais alguma coisa?”
O ricaço passou mal. Ficou pálido e quase desmaiou. Enquanto se recuperava, ajudado pelo jovem, pensou: “Já sei! Vou mandá-lo procurar o artigo mais caro do mundo. Quero ver se depois dessa alguém ainda vai perguntar se posso dar mais alguma coisa!”
            Dito e feito, o endinheirado e o jovem passaram o resto da tarde pesquisando pela internet, até encontrarem o produto mais caro que puderam. Tratava-se de uma nave espacial novinha em folha que nenhuma potência mundial tinha conseguido comprar, e por isso estava à venda num leilão internacional. Via internet, o milhardário a arrematou, deixando o jovem preocupado com o risco que o bebê passaria nas viagens interplanetárias que fizesse.
            Terminada a operação, o comprador se virou para o rapaz e disse: “Agora chega! Você não vai me perguntar se quero mais alguma coisa! Não é possível encontrar nada mais caro para eu comprar!”
            O balconista respondeu: “Não diga isso, senhor. Se meu patrão ouvir, ele vai me mandar embora. Porque ele obriga todos os vendedores a perguntar sempre ao freguês se deseja mais alguma coisa no final da venda”.
            “Ah, então é isso? Pois amanhã vou comprar essa loja e vou mandar o seu patrão embora! Onde já se viu? Depois do que eu comprei para minha filhinha, não se pode perguntar se posso dar mais alguma coisa para ela! Ou você ainda acha que pode?”
            Embaraçado, o moço respondeu: “Bem... se o senhor me pergunta, eu sou obrigado a responder que sim... Mas por favor, não vá se aborrecer...”
            “Como!? O que é que se pode dar a mais para minha filha do que isso tudo que já dei? Você está querendo que eu compre o mundo inteiro e dê para ela?
            “Não, senhor. Porque por mais que o senhor procure, sempre encontrará alguma coisa a mais que possa comprar e oferecer”.
            “O que você acha que pode ser dado a mais, então?”, disse o cliente.
            Com serenidade, o jovem respondeu: “O Criador de tudo o que o senhor comprou ou possa imaginar comprar”.
            “Não brinque comigo, rapaz”, retrucou o homem. “Você não está vendo que sou uma pessoa importante? Como é que eu posso dar o próprio Deus à minha filha?”
            “Perdoe, senhor, não tenho a intenção de ofendê-lo”, disse o rapaz com seriedade. “Na realidade, o senhor não pode dar o Criador para ela, mas Ele pode e quer dar-Se a Si mesmo. Permita-me perguntar-lhe: sua filha já é batizada?”
            “Como? Batismo? Eu... eu... eu não tinha pensado nisto ainda. De fato, preciso organizar uma festa muito grande, para chamar a atenção de toda a sociedade e...”
            “Não, senhor. Não é disso que falo. Se o senhor me pergunta qual o maior presente que pode dar à sua filhinha, eu lhe respondo sem hesitação: é o próprio Deus, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim. Quando uma pessoa é batizada, o próprio Deus vem habitar nela e a transforma num templo, onde reside a Santíssima Trindade”.
            “No momento em que a pessoa é batizada”, continuou o vendedor, “Deus a adota como Sua própria filha, e lhe dá o direito de receber por herança eterna tudo o que pertence a Ele mesmo. E adotando-a, a faz participar da Sua própria natureza divina, comunicando-lhe Sua própria vida eterna e sobrenatural”.
“Deus é de tal maneira a própria Bondade, que ainda que a pessoa no futuro venha a perder esta vida da graça, devido ao pecado, ela pode recuperá-la através da Confissão, além de poder aumentá-la através da Comunhão, dos outros Sacramentos e da oração”.
“Dar Deus a alguém é um presente tão grande, tão insuperável, que apesar de ser onipotente, nem Ele poderia dar um presente maior”, concluiu o jovem.
            O bilionário calou-se. Ficou pensativo um momento, levantou-se, deu um abraço no rapaz e lhe disse: “Muito obrigado, meu filho. Você tem toda razão. Reze por mim para que não só eu possa dar esse tesouro incalculável para minha filha o quanto antes, como possa recuperá-lo para minha própria alma”.

sábado, 18 de maio de 2013

Por que tem sempre água benta nas portas das Igrejas?


Muitas vezes as pessoas se queixam de que se distraem muito na igreja, sobretudo durante as leituras na Missa. O demônio tem grande interesse em nos distrair justamente quando vamos estar em contato com as realidades sagradas. Por isso é tão útil a Água Benta na entrada das igrejas e capelas. Mesmo usando a Água Benta pode acontecer que nos distraiamos, porém teremos a segurança de que as distrações procedem de nós mesmos e não do demônio.
Se uma pessoa se bendize com Água Benta com devoção, isso produz três efeitos: atrai a graça divina, purifica a alma e afasta ao demônio. Este gesto de persignar-se com esta água nos atrai as graças divinas pela oração da Igreja. A Igreja rezou sobre essa água com o poder da Cruz de Cristo. O poder sacerdotal deixou uma influência sobre essa água. Ao mesmo tempo purifica parte de nossos pecados, tanto os veniais, como o reato que tenha permanecido em nossas almas. O terceiro poder da Água Benta é afastar o demônio. O Maligno pode entrar perfeitamente em uma igreja, seus muros e paredes não o impedem, o solo sagrado não o freia. Sem embargo, a Água Benta o afasta.  
Ainda que nós com os olhos do corpo não alcancemos ver a cruz que forma a Água Benta em nosso corpo ao nos persignar com ela, o demônio a vê perfeitamente. Para ele essa cruz é de fogo, é uma couraça que não consegue ultrapassar. Insisto em que persignar-se com a Água Benta ao entrar em uma igreja não é um mero símbolo. É um símbolo, porém esta água tem um poder, um poder que Cristo ganhou com os sofrimentos na Cruz e que o Sacerdote administra com toda facilidade.

Fonte: Padre José Antonio Fortea, Suma daemoniaca. Tratado de demonología y manual de exorcistas.

sábado, 4 de maio de 2013

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA EM RECIFE




Não Perca!

     Preparamos para você e sua família uma linda cerimônia. Venha participar conosco no próximo dia 13 de maio, domingo, dessa ação de graças e pedir também a Nossa Senhora todos os dons e bênçãos de que precise.


Data: 13 de maio (Segunda-Feira)Horário: 19:30End.: Rua Dom Bosco, 551 – Boa Vista (ver mapa)Local: Basílica Sagrado Coração de Jesus (Salesiano)

Esperamos por você!

Para maiores informações ligue:
(81) 3267-5332







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Missas em outras cidades: Clique aqui

quarta-feira, 20 de março de 2013

Domingo de Ramos




Ramos bentos no Domingo de Ramos


              
Os ramos bentos no Domingo de Ramos devem ser guardados com respeito, e colocados em algum lugar decente do lar.  Servem  para proteger os cristãos contra raios e incêndios, e para afugentar o demônio.

               Em alguns países fazem-se com eles cruzes pequenas, que se cravam nos vinhedos, olivais, hortas e sementeiras, para preservá-los das pestes e saraivadas miúdas.

               Efetivamente, podem-se usar para todos estes fins, uma vez que são coisas bentas e, como tais, veículos de celestial proteção, como bem indica a Liturgia no Cerimonial da Bênção:

               " Ó Senhor Jesus Cristo, Rei e Redentor nosso, concedei propício que, aonde quer que forem levados estes ramos, aí desça a graça de vossa benção, E que, desbaratada toda iniquidade e ilusão diabólica, protejeis com vosso poder aqueles a quem redimistes ".

       ( Cfr. Missal Diário para América, Don Andrés Azcarate, OSO Editorial ).