quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

São José de Cupertino



A vida em nossos dias é muitas vezes difícil, sobretudo para aqueles que, por seus poucos meios de sustentação, ou por suas dificuldades pessoais, não conseguem alcançar um alto nível de estudos que lhes permita vencer a concorrência de uma sociedade globalizada e consumista, onde o homem é medido por sua capacidade financeira. Esta situação leva muitas vezes o homem hodierno a esquecer-se do mais importante que é a vida de oração, o amor de Deus e caridade para com o próximo. O egoísmo é, na maioria dos casos, a vela enfunada que impulsiona os anelos da vida.
Muitas vezes nos vamos, entretanto, diante da constatação do vazio do egoísmo, das coisas materiais, e buscamos um sentido mais sólido e verdadeiro para nossas vidas. Este sentido só vamos encontrar quando o buscarmos onde ele de fato se encontra: em Deus, nosso Criador.



Não são as coisas materiais ou os próprios dons de inteligência e talento que nos podem trazer a verdadeira felicidade, senão o amor e a dedicação ao serviço de Deus. Um grande exemplo desta verdade encontramos na vida dos santos: muitas vezes desprezados pelos homens, porém agraciados por Deus com dons de amor e dedicação.
Os estudiosos destacam como um dos santos «mais simpáticos» da hagiografia católica, um homem desprovido de talentos materiais, com uma inteligência abaixo dos níveis hoje aceitáveis nos testes de Q.I., porém com um amor e uma devoção que rasgam os tempos e sobrepassam a muitos outros nas páginas da História: São José de Cupertino, o patrono dos estudantes, dos aviadores e dos paraquedistas.

Na pequena Cupertino, cidade pertencente naquele tempo à Diocese de nardo, no antigo reino de Nápoles, Itália, havia um humilde carpinteiro que procurava, com seu trabalho, sustentar sua família e ajudar aos amigos em dificuldades. Porém, estes amigos não foram fiéis à sua generosidade e não honrando seus compromissos, deixaram ao pobre Félix Maria Desa, cheio de dívidas e procurado pela justiça, pois não tinha como pagá-las.
Sua esposa, a bondosa senhora Francisca Panara Desa, aguardava seu sexto filho, quando as preocupações e a doença contribuíram com o chamado do carpinteiro à eternidade, o que lhe impediu de contemplar o nascimento do último de seus filhos. Os credores não tiveram piedade da infeliz viúva e a expulsaram da casa, uma vez que não tinha como pagar o aluguel. Com seus filhos, a senhora Francisca não tinha onde ficar, encontrando tão somente um estábulo, onde deu à luz seu último filho, que, à semelhança do Redentor da humanidade, foi reclinado sobre as palhas onde comiam os burros e as vacas. Na pequena e pitoresca Matriz de Cupertino, o menino foi batizado com o nome de José, em honra ao esposo de Maria. Ao escutar os nomes de Jesus e de Maria, o menino se alegrava nos braços de sua dedicada mãe. Na mesma Igreja José foi mais tarde crismado, aprendendo de sua mãe todas as verdades da religião católica e aí recebendo também sua Primeira Comunhão.
Em sua casa fez um pequeno altar, onde rezava o Santo Rosário, contemplando os mistérios da vida do Salvador. Porém, sua vida santa nãos seria um caminho de rosas sem espinhos... Já aos sete anos um tumor maligno o deixou praticamente desenganado. A devoção à Virgem Santíssima, a quem pedia ardorosamente o auxílio, alcançou a cura do pequeno José, porém, com isto e também pelos problemas financeiros, retardou seus estudos, agravando as dificuldades naturais de sua desprovida capacidade natural. Mesmo assim, conseguiu entrar no colégio, onde muitas vezes, durante as aulas, entrava em contemplação dos mistérios divinos, chegando a entrar em êxtase. Seus companheiros, vendo-o parado, com o olhar fino no infinito, e não compreendendo a razão de seu êxtase, o apelidaram de «boccaperta» (boca aberta).
Em sua adolescência tentou aprender o ofício de sapateiro, porém não tinha a concentração suficiente para a profissão e foi despedido. Continuava sua vida de oração e penitências, jejuando, algumas vezes, até por três dias seguidos na mesma semana. Com 17 anos, o chamado à vocação religiosa se fez mais presente em sua vida, procurando, então, o convento dos franciscanos de Grotella, próximo a Cupertino, onde havia uma belíssima imagem da Virgem maria, a quem José chamava carinhosamente «Mamma Mia», porém como aí viviam seus tios que eram monges muito cultos, decidiu buscar o convento dos capuchinhos de Cupertino, onde foi recebido como irmão leigo para trabalhar na manutenção do mosteiro. Porém, com seus contínuos êxtases e sua pouca capacidade intelectual, foi mandado de volta para casa, sendo rechaçado pelo conselho conventual. Tentou abrigar-se na casa de um tio, porém este o despediu pouco depois por considerá-lo inútil. Sua mãe procurou o apoio de seus tios de Grotella e José foi finalmente aceitado para cuidar da mula do convento, trabalhando no estábulo. Mesmo desastrado e sem concentração para o trabalho, passava muitas horas em oração e era sempre bondoso e humilde para com todos seus irmãos e superiores. O conselho dos frades, vendo a bondade e a fé que habitavam seu humilde coração o aceitaram na ordem terceira dos frades menores conventuais, por votação unânime.
O desejo de poder tornar-se um instrumento da misericórdia divina para celebrar o mistério da Eucaristia e reconciliar os pecadores com Deus através do sacramento da Penitência, lhe fizeram desejar, com muito ardor, o dom do sacerdócio. Porém era necessário estudar filosofia e teologia... o que para Frei José era uma dificuldade praticamente intransponível. Os anos da filosofia foram duros, porém a Providência não o desamparava. Estudava dia e noite com grandes dificuldades e ao final parecia que não havia aprendido nada. Na hora de prestar os exames não encontrava apoio nas faculdades da inteligência e não se lembrava de nada do que havia estudado. 
A única saída era rezar. E o fazia com grande devoção, pedindo o auxílio de Maria e dos santos, conseguindo, pouco a pouco, tirar as notas necessárias para a aprovação. Em um dos exames finais, dos mais importantes, o Frei José por mais que estudasse não guardava nada na memória. A única coisa que conseguia se lembrar era da frase dita por Santa Isabel a Nossa Senhora: «Bendito é o fruto de teu ventre». Sobre isso, tivera uma tal admiração que se lembrava perfeitamente de todos os comentários exegéticos e teológicos sobre o tema.
Entra o examinador, com um olhar sério e cara de «poucos amigos». Olha fixamente para José, que tremia interiormente, e disse sem clemência:
Vou abrir o Evangelho, um dos quatro, em uma página qualquer e você vai explicar-me a exegese do texto que meus olhos vejam primeiro.
A oração de José não parava de subir aos céus pedindo o auxílio necessário. Daí poderia depender toda sua vocação ao sacerdócio...
O examinador abre o Evangelho, olha detidamente em silêncio, apontando com o dedo para não perder a frase exata que primeiro encontrou e pergunta a José:
Qual é a exegese exata do texto evangélico: «Bendito é o fruto de teu ventre?»
A resposta brotou fácil, pois era o único texto que José sabia explicar.
Todos os anos da teologia foram também cheios de apuros e dificuldades, até que chegou o exame final, que em nossos dias seria o exame de Bacharelado, ou seja, um exame de toda a teologia, onde se pergunta qualquer tema dos quatro anos estudados. Não bastava saber uma frase do Evangelho... O pobre José já via seu desejo de ser sacerdote voar sem haver como segurá-lo. Rezava com devoção, sem cessar, enquanto os primeiros candidatos eram examinados pelo Bispo. José era o décimo primeiro da fila.
Um, dois, três, quatro, cinco... todos foram tão bem nas respostas, que quando saio o décimo, o Bispo chamou o formador e declarou-lhe que via os seminaristas tão bem formados que não havia necessidade de examinar os outros. Estavam todos aprovados!

São José de Cupertino foi ordenado sacerdote em março de 1628, encontrando sempre muita dificuldade em pregar e ensinar, porém com seu exemplo e com a sabedoria do Espírito Santo, tinha sempre respostas sábias e claras, resolvendo as mais intrincadas questões postas às vezes por teólogos dos mais famosos de seu tempo, inclusive tornando-se conselheiro de padres, bispos, cardeais e chefes de estado, apesar de ser considerado o «frei mais ignorante de toda a Ordem Franciscana». Sua virtude e amor a Deus e ao próximo eram exemplares. Muitas vezes era visto em êxtase durante a oração, elevando-se em levitação caminhando pela igreja sem colocar os pés no chão. Seu corpo exalava um odor fino e delicado, curando muitos enfermos e ajudando a muitas pessoas em suas dificuldades espirituais. 


Durante seus êxtases, ninguém o conseguia despertar, senão a voz da obediência. Os vôos em seus êxtases o fizeram patrono dos aviadores e paraquedistas.


Porém, sua fama despertou também a inveja e a incompreensão de muitos, ao ponto de chegar ao Santo Ofício a denúncia contra Frei José, dizendo: «Há nas apúlias um frei de 33 anos que se faz passar pelo Messias e arrastar multidões». Foi chamado a Nápoles, diante do tribunal da Inquisição, onde escutou todas as acusações sem procurar defender-se. Ao final das acusações, não disse nada em contrário, senão, se pôs a falar de Deus e de suas maravilhas. Enquanto falava, entrou em êxtase diante dos juízes que não sabiam o que decidir e remeteram o caso ao Vaticano. 




Frei José foi recebido pelo Papa Urbano VIII e foi tal sua alegria em poder beijar os pés e as mãos do Vigário de Cristo, que começou a elevar-se em êxtase diante do Papa.
Foi então transferido para Assis, onde ficou por 14 anos, passando depois para o convento de Ósimo, no qual permaneceu por 6 anos, entregando sua alma a Deus no dia 18 de setembro de 1663, aos 60 anos de idade. O Papa Bento XIV, historicamente conhecido por seu rigo em aceitar a autenticidade dos fatos milagrosos, depois de sério e acurado exame de toda a vida daquele que se auto-denominava «o Frei Brurro», declarou que «todos os fatos não se podem explicar sem uma intervenção muito especial de Deus». Assim, o beatificou em 1753. Em 1767 o Papa Clemente XIII canonizou São José de Cupertino, cujo corpo repousa hoje no Santuário de Ósimo, na Itália, como exemplo de virtudes e amor de um homem que, desprovido dos auxílios materiais, confiou sua vida a Deus e nunca foi desamparado.
Rezemos a São José de Cupertino em nossas dificuldades, porém também para alcançar dele um benefício de máxima importância em nossa vida: que nossa confiança não esteja posta nas coisas materiais e caducas, senão em Deus, eterno, todo-poderoso e compassivo, que nos ama a ponto de fazer-se homem e morrer na Cruz para nossa salvação.
Fontes:
www. Cancaonova.com
TONIOLO, Carlos Eduardo, Revista Arautos do Evangelho, n. 57, Dezembro de 2006, pp. 32-34
franciscodeassis.no.sapo.pt
REISER, Marcio Antonio, O.F.S.
Portal Angels

5 comentários:

Richard projectoeng disse...

Boa tarde,

Onde posso conseguir uma escultura ou uma medalha de são cupertino??

Alexandre Cavalcanti disse...

Infelizmente não saberia responder com segurança. Evidentemente você poderia procurar na internet. Caso algum de nossos leitores saiba, por favor coloque aqui a indicação. Obrigado!

Aline Serra disse...

Qual a oração para ele?

Alexandre Cavalcanti disse...

Aline Serra, esta é a oração a São José de Cupertino:

Primeira Oração

Oh, grande São José Cupertino que, enquanto estáveis na terra, obtivestes de Deus a graça de ser arguido em vosso exame justamente sobre a única questão que sabíeis, obtende-me igual favor no exame para o qual eu estou me preparando. Como gratidão, eu prometo fazer-vos conhecido e invocado.

Segunda Oração

Oh São José Cupertino que por vossa prece obtivestes de Deus ser arguido em vosso exame apenas sobre a materia que sabíeis. Concedei-me obter o mesmo êxito que vós na prova de... (mencionar o nome ou tipo do exame ao qual se há de submeter, por exemplo, prova de história, etc.).
São José Cupertino, rogai por mim.
Espírito Santo, iluminai-me.
Nossa Senhora, Imaculada Esposa do Espírito Santo, rogai por mim.
Sagrado Coração de Jesus, sede da Divina Sabedoria, iluminai-me.

Lembre-se de que quando você for bem sucedido nas provas, deverá agradecer a São José Cupertino.

Cássio Adr. Paula disse...

poxa... faz um tempão que estou procurando uma medalha de são jose de cupertino... mas não encontro.. nem na internet...