quinta-feira, 29 de setembro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O «santo» que foi para o inferno


O Padre Alonso Rodríguez, da Companhia de Jesus, conta a história de um monge chamado Heron, que era um homem de tanto recolhimento e abstinência, tão absorto em penitências e jejuns que mesmo no dia solene da Páscoa, quando  todos se juntavam na igreja e tomavam alguma recreação e comiam alguma coisa mais, ele não queria sair de sua cela, nem quebrar sua abstinência, comendo apenas algumas ervas além do simples pão e água que mesmo assim tomava com muita moderação e medida.
Suas orações eram fervorosas e prolongadas... passava horas diante do Santíssimo Sacramento em contemplação. Rezava por si mesmo, pelos outros e sobretudo por sua comunidade. Todos o consideravam um santo. Até milagres e expulsão de demônios o monge Heron fazia para os que o procuravam. 
Em todas as tentações que lhe assaltavam o demônio saía sempre perdedor, pois era motivo para que ele crescesse ainda mais nas virtudes e na prática da oração, do jejum e da penitência. 
Reuniram-se os demônios no inferno... «Não era possível permitir que este exemplo influenciasse tanto ao convento e à sociedade... era preciso fazer alguma coisa!» Mas todas as tentativas eram em vão. Até que um velho e experimentado tentador se ofereceu a derrubar o «santo». Esta arma, dizia ele, já derrubou muitas estrelas do céu e fez cair muitas colunas dos templos sagrados. É uma tática que aprendi daquele antigo «mestre» que, travestido de serpente, convenceu Eva a desobedecer a ordem de Deus. Todos estavam curiosos e calados para ouvir sua conclusão: que arma seria capaz de derrubar aquele «santo»? A soberba!
Mãos à obra, disse Lúcifer, não perca mais tempo! Vá à terra e use a soberba para trazer para nós este tal Heron que tantas perdas nos tem causado.
Discretamente, pouco a pouco, o velhaco tentador foi induzindo no pensamento de Heron a soberba e um juízo de si mesmo tão grande, que lhe convenceu, que era realmente um santo, a tal ponto que imaginou que todo o convento, ou melhor, toda a humanidade era sustentada por sua virtude e suas orações. Estava posto o «anzol» na alma do pobre monge e um dia, enquanto meditava em suas próprias virtudes, acreditou que já para ele não havia perigo nenhum nesta vida que o pudesse abalar. Mesmo que se lançasse em um poço, não sofreria dano algum, pois os anjos do céu o receberiam nas palmas de suas mãos, para que não lhe fizesse mal. Assim, em uma noite se lançou em um poço muito profundo, para provar sua virtude e grandes merecimentos, ferindo-se gravemente.
Acudiram logo os monges ao ruído e, com grande trabalho o retiraram meio morto e, vendo, claramente o dano que havia recebido, tentaram todos persuadi-lo de que se arrependesse. Não houve remédio que o fizesse crer que havia sido uma ilusão, e assim três duas depois morreu sem querer confessar-se pois dizia que não havia nenhum pecado de que arrepender-se. Tal foi a sua soberba que acabou miseravelmente.
O exemplo do monge Heron é importante para que entendamos o grande perigo que há em fiar-se de seu próprio juízo e não se render e sujeitar a quem deve, e isto por muito antigo e espiritual que seja a pessoa.
Assim, veio a dizer um santo e, com muita razão: «Quem se crê a si mesmo, não há necessidade de demônio que o tente; porque ele é demônio para si».

Cf.: RODRIGUEZ, Alonso, S.J., Exercícios de Perfeição e virtudes Cristãs, parte Terceira, Tratado Quinto, da virtude da obediência, Capítulo VII – Da obediência que se deve ter nas coisas espirituais, Pág. 237.

O homem a quem Deus chamou de pai


Mons. João Scognamiglio Clá Dias

Deus escolhe sempre o mais belo

Deus Todo-Poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1, 37) e que tudo governa com sabedoria infinita, possui algo que poderíamos chamar de sua “única limitação”: ao criar, Ele nada pode escolher de menos belo e perfeito, ou que não seja para sua glória. Desde toda a eternidade, ao determinar a Encarnação do Verbo, quis o Pai que — apesar das aparências de pobreza e humildade através das quais Se mostraria, e que contribuiriam para sua maior exaltação — a vinda de seu Filho ao mundo se revestisse da suprema pulcritude conveniente a Deus. Assim, dispôs que Ele fosse concebido por uma Virgem, concebida por sua vez sem pecado original, unindo em Si as alegrias da maternidade à flor da virgindade. Porém, para completar o quadro, tornava-se necessária a presença de alguém que projetasse na terra a própria “sombra do Pai”. Para tal missão Deus destinou José, ao qual poderíamos aplicar as palavras da Escritura, referindo-se a seu antepassado Davi: “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13, 14).

Varão justo por excelência

Levando em conta o axioma latino: “ne-mo summus fit repente” e o acertado dito de Napoleão: “a educação de uma criança começa cem anos antes de ela nascer”, é provável que, em atenção à sua missão e ao seu papel de educador junto ao Menino-Deus, José tenha sido santificado já no seio materno, como o foi João Batista no ventre de Santa Isabel. Essa tese é defendida por diversos autores e pode sintetizar-se nas palavras de São Bernardino de Sena: “Sempre que a graça divina escolhe alguém para algum favor especial ou para algum estado elevado, concede-lhe todos os dons necessários à sua missão; dons que a ornam abundantemente”.
O louvor de José, tal como o Evangelho no-lo traça, encerra-se numa única e breve frase: era justo. Tal elogio, à primeira vista de um laconismo desconcertante, nada tem de medíocre. Na linguagem bíblica, o adjetivo “justo” designa todas as virtudes reunidas. No Antigo Testamento, justo é aquele a quem a Igreja dá o nome de santo: justiça e santidade exprimem a mesma realidade.
Ao serrar a madeira, fabricar um móvel ou um arado, José mantinha sempre seu espírito voltado para o sobrenatural, elevando-se para o aspecto mais sublime das coisas e considerando tudo sob o prisma de Deus. Suas atitudes refletiam a seriedade e a altíssima intenção com a qual sempre agia, e isso contribuía para o maior primor dos trabalhos por ele executados. Sua humilde condição de trabalhador manual em nada lhe diminuía a nobreza. Reunia em si, de forma admirável, as duas classes sociais: como legítimo herdeiro do trono de Davi, conservava em seu porte e semblante a distinção e a elegância próprias a um príncipe, aliando-as, porém, a uma alegre simplicidade de caráter. Para ele, mais importante do que a nobreza de sangue é aquela que se alcança pelo brilho da virtude; e esta, ele a possuía largamente.
A Providência, entretanto, o destinava a alcançar a mais alta honra que se possa dar a uma criatura concebida no pecado original e o colocava em desproporção com todo o restante dos homens. Diz São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo quanto os outros santos têm, em conjunto, de luz e de esplendor”. Todas as glórias acumulam-se neste varão incomparável, cuja existência terrena transcorre dentro de uma sublimidade ignorada por seus conhecidos e compatriotas, num silêncio e apagamento quase completos.

Admirável consonância entre duas almas virgens

No Antigo Testamento, a virgindade ainda não adquirira o prestígio do qual passou a gozar na Era Cristã. Muito pelo contrário, quem não constituísse família, ou se visse impossibilitado de gerar filhos, era considerado maldito por Deus. “A espera do Messias dominava a tal ponto os espíritos, que o desprezo do casamento equivalia a uma recusa desonrosa de contribuir para a vinda d’Aquele que havia de restaurar o reino de Israel” (1). De acordo com a opinião generalizada, José, movido por uma especial moção do Espírito Santo, decidira permanecer virgem por toda a vida. Porém, não querendo singularizar-se, contrariando os costumes de seu tempo, resignara-se a contrair matrimônio, convencido de que o Senhor,tendo lhe inspirado esse bom propósito, o ajudaria a levá-lo a cabo.
 Cedendo, pois, às exigências sociais, resolveu pedir a mão de Maria, a qual ele provavelmente já conhecia, pois ambos pertenciam à mesma tribo e habitavam na mesma aldeia. Tudo indica que naquela época os pais de Maria haviam falecido e Ela vivia sob a tutela de algum parente. Sem levar em conta a opinião da jovem, seu tutor apenas Lhe comunicou ter aceito o pedido de um pretendente a ser seu marido.
 É sabido que Maria, desde a infância, consagrara ao Senhor sua virgindade. Entretanto, acostumada a obedecer, inclinou-Se ante a decisão de seus parentes, acreditando ser essa a manifesta vontade da Providência. Se conservava algum receio, deve este ter-se dissipado quando soube que o escolhido era José, o nobre descendente da estirpe de Davi, em cuja alma Ela já vira, por seu aguçado dom de discernimento, as altíssimas qualidades postas por Deus.
 Antes dos esponsais, Maria precisava dar a conhecer ao seu noivo o voto de virgindade, sob pena de o matrimônio ser nulo. Fê-lo de forma séria e decidida, falando com toda a simplicidade de seu inocente coração. José pensou estar ouvindo uma voz do Céu e reconheceu, emocionado, a mão da Providência atendendo às suas preces. É impossível ter idéia do grau de concórdia dessas duas almas, ao se revelarem mutuamente seus mais íntimos mistérios. Desde esse instante, José passou a ser o modelo perfeito do devoto de Nossa Senhora. Podemos bem imaginar que, já nesse primeiro encontro, a graça o tocou de maneira especial, levando-o a consagrar-se como escravo de amor Àquela que, mais do que esposa, já considerava como Senhora e Rainha.



Escrito por Mons. João S. Clá Dias, Fundador e Presidente Geral dos Arautos do Evangelho

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Papa chega à Alemanha


Berlim (Quinta-feira, 22-09-2011, Gaudium Press) Às 10h30, horário da Alemanha, o avião com o pontífice aterrissou no aeroporto internacional de Berlim, dando início a sua 21ª viagem ao exterior e a terceira visita à sua terra natal. Ao descer da aeronave, o pontífice foi recebido com honras militares e flores de crianças que o aguardavam. No aeroporto estavam presentes a Chanceler alemã Angela Merkel, o presidente Federal, Christian Wulff e sua esposa, Bettina Körner, e também o presidente da Conferência Episcopal Alemã, Dom Robert Zollistsch.
Conforme Bento XVI, liberdade deve ser vivida também para a sociedade

     A cerimônia de boas vindas ao Santo Padre aconteceu no Castelo de Bellevue, residência oficial do presidente Federal, que fica localizada no centro da capital alemã. Na ocasião, após ser aplaudido pelos presentes e de serem executados os dois hinos nacionais, o alemão e o do Vaticano, o Papa Bento XVI deu início ao seu discurso, afirmando que "embora essa viagem se trate de uma visita oficial que reforçará as boas relações entre a República Federal da Alemanha e a Santa Sé, em primeiro lugar não vim aqui para perseguir determinados objetivos políticos ou econômicos, como justamente fazem outros homens de Estado, mas para encontrar as pessoas e lhes falar de Deus".
     Tratando especificamente do tema da religião, Bento XVI afirmou que vem se constatando uma "indiferença crescente da sociedade, que tende a considerá-la como um obstáculo". Por outro lado, acrescentou o pontífice, "há necessidade de uma base vinculante para a nossa convivência; caso contrário, cada um vive só para o seu individualismo". Conforme o Santo Padre, a religião é fundamento para uma verdadeira convivência social. "Assim como a religião precisa da liberdade, assim também a liberdade precisa da religião", disse o Papa, citando palavras do bispo alemão Wilhelm von Ketteler, que viveu no país no século XIX.
     Dando prosseguimento ao seu discurso, o Papa afirmou que "há valores que não são absolutamente manipuláveis", e que por isto são "a verdadeira garantia da nossa liberdade; liberdade que se desenvolve somente na responsabilidade diante de um bem maior e nas relações sociais vividas e que necessitam de uma ligação originária e de uma instância superior". Conforme o pontífice, na convivência humana não se dá liberdade sem solidariedade.
     Nesta perspectiva, a liberdade, conforme Bento XVI, deve ser vivida não somente para o âmbito privado, mas também para a sociedade. "Segundo o princípio de subsidiariedade, a sociedade deve dar espaço suficiente às estruturas menores para o seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, deve ser de suporte, de maneira que essas, um dia possam se manter mesmo sozinhas".
     Depois da cerimônia de boas vindas o Papa se reuniu, em separado, com o presidente Federal alemão e em seguida com a chanceler alemã, no "Katholisches Büro". À tarde, o pontífice discursará no Reichstag aos membros do Parlamento alemão (Bundestag). O segundo acontecimento importante do dia será a Santa Missa no Estádio Olímpico de Berlim. (AA).

Vida de São Pio de Pietrelcina


       Um Santo do Século XX, nosso contemporâneo, foi um homem que viveu tão intensamente o amor de Cristo que teve a honra de ter em seu próprio corpo as marcas da Paixão de nosso Redentor.


       São Pio não teve uma vida fácil. Enfrentou-se desde pequeno com o inimigo da humanidade, o próprio demônio. Sua vida de oração, penitência e devoção a Nossa Senhora são um modelo para toda a humanidade.


       Grande taumaturgo e confessor cheio de unção e piedade, era procurado por milhares de pessoas do mundo inteiro.
       
       Clique no link abaixo e conheça neste vídeo, a vida desde grande modelo para a humanidade: São Pio de Pietrelcina, o único sacerdote que tinha em si os estigmas da Paixão de Cristo.


http://www.arautos.org/tv/interna.html?id=322&title=São+Pio+de+Pietrelcina+

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Oração a São João Diego


Beato Papa João Paulo II
homilia de 31 de julho de 2002



Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino. 
Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. 


Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apóia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. 

Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada. 
Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro.


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São João Diego e a Virgem de Guadalupe



Pe. Leonardo Barraza

Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança.
A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias.
Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo.

De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo.
Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o “Deus do conquistador” em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo.

Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse.
Nossa Senhora aparece a São João Diego
Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe.

Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.”

Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo.
Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia.
Segunda e terceira aparições
Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. 
Outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.”
No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado.
Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte.
Ele foge, Ela vai ao seu encontro
Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote.
 Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.”
Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. 
Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. 
Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.”
Sinal para o “Mensageiro da Virgem”
Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). 
Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma.
“Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.”
João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo.

 O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe.
Profundo sentido eclesial e missionário
Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002).

Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). 
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Voz do Silêncio


Por Mons. João S. Clá Dias

Quão misterioso e fundamental é o silêncio! Deus mais nos visita no recolhimento do que nas atividades externas. Em geral, nossa vida sobrenatural dá passos mais firmes e decididos no silêncio do que em meio às ações. Os Sacramentos também produzem a graça em nossas almas sob o manto do silêncio. Este nos ensina a falar, como afirmava Sêneca: “Quem não sabe calar, não sabe falar”.
Importantes, também, são a serenidade e a calma no relacionamento humano ou na contemplação. Jesus, no Evangelho, nunca dá a impressão de estar asfixiado pela pressa. Às vezes até “perde tempo”: todos O procuram e Ele não Se deixa encontrar, tão absorto está na oração. No trecho evangélico de hoje, convida seus discípulos a “perderem tempo” com Ele: “Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco”. Recomenda freqüentemente não se agitar. Quantos benefícios recebe nossa saúde da “lentidão”!
A esse respeito, observa com acerto o Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa: “Se a lentidão tem conotações evangélicas, é importante dar valor às ocasiões de descanso ou de demora que estão distribuídas ao longo da sucessão dos dias. O domingo, as festas, se são bem utilizadas, dão a possibilidade de cortar o ritmo de vida demasiado excitante e de estabelecer uma relação mais harmônica com as coisas, as pessoas e, sobretudo, consigo próprio e com Deus” (8).
Os Apóstolos deviam estar exaustos depois de tantas atividades e por isso — comenta o Pe. Manuel de Tuya OP —, terminadas as narrações das viagens, “Cristo quer proporcionar-lhes uns dias de descanso, levando-os a um ‘lugar solitário’, que estava ‘perto de Betsaida’ (Lc 9, 10). A causa era que nem mesmo depois de seu trabalho missionário, particularmente intenso, deixavam-nos sozinhos: as pessoas afluíam para Cristo. Marcos descreve esse assédio das turbas com sua linguagem realista: ‘Porque eram muitos os que iam e vinham, e nem tinham tempo para comer’. Talvez essas multidões que vêm, nessa ocasião, possam ser um indício do fruto dessa ‘missão’ apostólica” (9).

Fugir da agitação para se encontrar com Deus
Conta-nos São Jerônimo que Davi, em sua infância, fugia da agitação da cidade e buscava a solidão dos desertos. Ali vencia os ursos e os leões. E as Escrituras nos contam que Judite tinha, na parte mais elevada de sua casa, um quarto recolhido onde permanecia enclausurada com suas fiéis servas (Jt 8, 5). Os homens contemplativos, sempre que possível, abandonam o bulício do mundo e abraçam o isolamento para viver de Deus, com Ele e para Ele (10). Também para Jesus e os Apóstolos tornava-se impossível o repouso em Cafarnaum, onde eram muito conhecidos.
À agitação ordinária, decorrente da pregação e das curas — escreve o Cardeal Goma y Tomás — , acrescentava-se a proximidade da Páscoa, que transformava a cidade marítima em centro de confluência das caravanas que subiam para Jerusalém: ‘Porque eram muitos os que iam e vinham, e nem tinham tempo para comer’. Por isso se dirigiram à praia e, entrando numa barca, ‘retiraram-se à parte, a um lugar solitário’ do território de Betsaida. Havia duas cidades com este nome: uma na parte ocidental do lago, pátria de Pedro e André, e a outra na parte oriental, em direção ao norte, junto à foz do Jordão. Recebera o nome de Betsaida Júlias, porque o tetrarca Filipe, que a tinha embelezado, quis que se chamasse Júlias, em homenagem à filha de César Augusto. 


A barquinha que conduzia Jesus e os Apóstolos aportou no outro lado do mar da Galiléia, ou seja, de Tiberíades, junto à planície solitária que se abre ao sul de Betsaida. João escreve para os fiéis da Ásia, que desconheciam a topografia da Palestina, indicando-lhes a localização do mar pelo nome da cidade que lhe dá origem ao nome” (11).


A caridade pode ser definida como a própria vida de Deus em nós. Ora, Deus é ao mesmo tempo contemplação e ação. Por outro lado, a virtude é eminentemente difusiva. Por isso afirma São Tiago ser morta a fé quando não frutifica em obras (Tg 2,17). De onde decorre ser a vida mista, segundo São Tomás de Aquino, a mais perfeita, por conjugar ação e contemplação.

Jesus nos ensina quanto devemos ser perfeitos no convívio com Deus, quer no isolamento, quer no relacionamento com os outros.

por Pe. Pedro Rafael Morazzanni Arráiz
São Bernardo de Claraval, denominado pelo Papa Inocêncio II de “muralha inexpugnável que sustenta a Igreja”, passou para a História com o título de “Doutor Melífluo”, porque a unção de suas exortações levava todos a afirmar que seus lábios destilavam puríssimo mel.
Quem, no mundo cristão, não conhece a incomparável e doce prece “Lembrai-vos”, a ele atribuída? Foi um dos primeiros a chamar de “Nossa Senhora” a Mãe de Deus. Conta a tradição que, escutando certa feita seus irmãos cantarem a Salve Regina, irrompeu de seu coração pervadido de enlevo a tríplice exclamação que hoje coroa esta oração: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria!”
Foi também um dos primeiros apóstolos da mediação universal de Maria Santíssima, deixando esta doutrina claramente consignada em numerosos sermões:
Porque éramos indignos de receber qualquer coisa, foi-nos dada Maria para, por meio d’Ela, obtermos tudo quanto necessitamos. Quis Deus que nós nada recebamos sem haver passado antes pelas mãos de Maria. (...) Com o mais íntimo de nossa alma, com todos os afetos de nosso coração e todos os sentimentos e desejos de nossa vontade, veneremos a Maria, porque esta é a vontade d’Aquele Senhor que quis que tudo recebamos por Maria.”
Vinde, bendito de meu Pai”
Retornando de uma missão apostólica, quando já estava com 63 anos de idade, curou uma mulher cega, na presença de uma enorme multidão que acorria para venerá-lo. Foi o último milagre realizado na sua existência terrena.
Ao chegar a seu amado mosteiro de Claraval, sentia-se desfalecer. Mas transbordava de sua alma a serena confiança do navegante que finalmente avista o porto anelado.
Ele mesmo, numa carta, dá conta de sua derradeira moléstia, pouco antes de partir para a eternidade: “O sono foge de mim, para que a dor não se mitigue estando os sentidos adormecidos. Quase tudo o que padeço são dores no estômago. Para nada ocultar a um amigo que deseja conhecer o estado de seu amigo, e falando não como sábio, segundo o homem interior, digo-vos que o espírito está pronto, na carne fraca. Rogai ao Salvador, o qual não quer a morte do pecador, que não atrase mais o meu fim, mas o guarde e ampare”.
Bispos, abades e monges circundavam o leito onde agonizava aquele profeta do Senhor. Choravam eles o superior que aconselhava, o doutor que ensinava, o pai que os amava, o varão de Deus que os santificava. Mas este até o último alento os animou e consolou, e com grande despretensão dizia que já era tempo de um servo inútil passar a outro aquele cargo, e uma árvore estéril ser arrancada...
No dia 20 de agosto de 1153, às nove horas da manhã, entregou sua puríssima alma a seu Criador e Redentor.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Colecionador de répteis é morto por uma de suas cobras


19 de setembro de 2011  14h50  atualizado às 15h40


Um colecionador de répteis morreu quando um de seus 89 animais, uma cobra-cuspideira-vermelha, cuspiu veneno em seu rosto no momento em que a estava fotografando, informou a polícia sul-africana.
O jovem de 29 anos, que estava na companhia de um amigo no momento dos fatos, tomou medicamentos na mesma hora, mas o ataque acabou sendo fatal e ele morreu 24 horas depois. Membros da Secretaria de Meio Ambiente agora devem resolver o que fazer com as cobras órfãs.
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Sudanês decapitado


Sudanês acusado de bruxaria é decapitado na Arábia Saudita19 de setembro de 2011  14h40  atualizado às 14h55


Um sudanês acusado de bruxaria foi condenado à morte e decapitado com uma espada nesta segunda-feira, em Medina, oeste de Arábia Saudita, anunciou o Ministério do Interior.
Abdelhamid Husein al-Feki foi declarado culpado de "praticar bruxaria e magia" proibidas no reino, indicou o ministério em um comunicado publicado pela agência oficial Spa.
Com esta decapitação, sobe para 42 o número de execuções na Arábia Saudita desde o começo do ano, segundo uma contagem da AFP e da Anistia Internacional.
Estupro, assassinato, apostasia, assalto a mão armada e tráfico de drogas são castigados com a pena capital nesta monarquia ultraconservadora do Golfo que aplica estritamente a sharia, a lei islâmica.
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Mais católicos vão à Missa nas igrejas da China do que toda a Europa



     Os relatórios da BBC sobre o fenômeno do rápido crescimento do catolicismo na China, afirmam:




     «É impossível dizer quantos cristãos existem na China de hoje, mas ninguém nega que os números estão explodindo».



    

     O governo diz que  são 25 milhões, sendo 18 milhões de protestantes e seis milhões de católicos. Porém todas as estimativas independentes concordam que esta é uma enorme subestimação. 


      O número sem risco de exageros é de pelo menos 60 milhões. Já existem mais chineses na igreja em um domingo do que em toda a Europa, conclui a notícia.

Fonte:http://www.bbc.co.uk/news/magazine-14838749 - By Tim Gardam - Radio 4's God in China

Os irmãos de Jesus


     Muitas pessoas hoje em dia se dizem irmãos de Jesus, porém não aceitam a Maria por sua Mãe. Porém, como se pode ser irmão, quando a mãe não é a mesma?
    Estes que não se consideram filhos de Maria, a quem Jesus nos entregou como filhos, são filhos de quem? Por certo de alguém que não é irmão de Jesus e não gosta muito dEle. É melhor não mencionar o nome para não sujar nossa página...
     Veja aqui o que a Bíblia diz sobre Maria:


«Viram o Menino com Maria, sua Mãe» (Mt. 2, 11)

«Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo» (Lc 1, 28)

«Bendita es tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Lc 1, 42)

     Como vemos a Bíblica nos fala da Virgem Maria e por isso não podemos ter dúvidas em rezar por meio dEla.
     Ela é a Mãe de Jesus e por isso é a Mãe de Deus. Ademais é nossa Mãe.
     Jesus mesmo nos disse: «Eis aí tua Mãe» (Jn. 19, 27)

     Cada diz reza assim:

«Virgem Santíssima, ajudai-me a ter em meu coração a Jesus único Redentor do mundo, que veio a nós por vosso intermédio».

Nós católicos, veneramos com profundo amor à Virgen e não a adoramos, se adora só a Deus.


Fonte: Padre Dr. Carlos Rosell de Almeida, Reitor do Seminário Diocesano Santo Toríbio de Mongrovejo e Diretor de Estudos Teológicos da Faculdade de Teologia Pontifícia e Civil de Lima - Perú.

      Mais textos interessantes sobre Maria, os Santos e a Igreja, você encontrará no Blog: http://www.teologicopastoral.com - Visite e compartilhe com seus amigos.

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sábado, 17 de setembro de 2011

Corrida pelo próximo

      
     Recebi este vídeo de um amigo e não sei quem o terá produzido, pelos escritos, creio que é feito na índia ou algum país da região. É interessante no sentido de vermos a necessidade de amor ao próximo. 
     Como dizia um sacerdote numa homilia que assisti recentemente: «O egoísta diz sempre: “eu, eu, eu...”, enquanto que Nosso Senhor Jesus Cristo sempre diz: “tu, tu, tu...”».
     O exemplo maior é sempre o de nosso Salvador, que tomou a sua Cruz, morreu entre dois ladrões e sofreu todas as dores da Paixão por nossos pecados.

São Roberto Belarmino



IGNACIO IPARRAGUIRRE, SI


São Roberto Belarmino (†1621), grande Doutor da Igreja, consagrou-se a Deus com seus primeiros votos, pouco antes do final do Concílio de Trento. As conversações dos primeiros anos de sua vida religiosa tiveram muitas vezes que girar em torno ao grande Concílio que havia alcançado estruturar os problemas básicos da teologia em forma orgânica e ditar sábias medidas de autêntica e verdadeira reforma da Igreja. Não aquela suposta e divisora pseudo-reforma propugnada pelos primeiros revoltosos guiados pelo espírito orgulhoso de Lutero.
O que agora era urgia era levar à prática os decretos do Concílio. Esta foi a missão de Belarmino. Toda sua vida girará em torno à órbita de Trento.
Já sua vocação à Companhia de Jesus havia nascido sob o signo da renovação espiritual. Sobrinho do Papa Marcelo II, quando estava no auge o fausto pontifício, amante da literatura, musica, arte, se sentiu atraído para as belezas do mundo clássico. Virgílio constituía suas delícias desde os primeiros anos.
Por ser de nobre família, estava destinado para pompa e brilho da corte papal. A chama de sua inteligência parecia brilhar no firmamento do Renascimento italiano. Mas a sua santa mãe, Cynthia Cervini, foi tomando conta dele e formando-o na fé e no amor a Cristo e a sua Santa Igreja, afastado-o dos perigos daquela ilusória «escada de ouro» das glórias mundanas.
«Estando durante muito tempo pensando na dignidade a que podia aspirar, me sobreveio de modo insistente el pensamento da brevidade das coisas temporais. Impressionado com estes sentimentos, cheguei a conceber horror de tal vida y me determinei a buscar una ordem religiosa em que no houvesse perigo de tais dignidades».
Mistérios de Deus. A firme decisão de fugir do episcopado e da honra cardinalícia foi o motivo de escolher a vocação religiosa jesuítica do santo bispo e cardeal.
Deus concedeu a este homem sedento de humilhações triunfos inesperados, como pouquíssimos homens têm experimentado. Foi o ídolo de amplos setores, recebeu o aplaudo frenético das multidões, que saíam de si por ouvir sua palavra e devorava seus livros com avidez.
Em Florência, como em Mondovi e sobretudo em Lovaina, antes ainda de ser sacerdote, se revelou como orador excepcional. O superior de Roma chegou a escrever que «nunca homem algum havia falado como o jovem Belarmino». Desde 1569 se converte em pregador nado dos universitários. Professores e estudantes se apertavam em torno ao púlpito do santo.
Sua pregação retórica e carregada de metáforas ao principio, conforme o gosto da época, se transforma, graças a um incidente fortuito —o extraordinário fruto que alcançou um sermão, por força, improvisado—, em singela e eminentemente evangélica. Mesmo de nações vizinhas, e inclusive da Inglaterra, vinham hereges a ouvi-lo. Cada vez conseguia maior fruto. Conversões de jovens que se retiravam a exercícios espirituais e se decidiam a abraçar a vida de perfeição.
As principais Universidades da Europa, incluindo a de Paris, disputavam por contá-lo entre seus professores. Porém os superiores julgaram mais conveniente que irradiasse seu saber a partir do coração da Cristandade. Ali se esperava sua grande obra. Fundou a cátedra de controvérsias para impulsionar o momento teológico e dar a verdadeira doutrina sobre os erros que pululavam então pelos centros universitários.
O êxito proveio principalmente do método que adotou. Passava em revista todos os erros dos escritores de seu tempo. Porém não se limitava a refutá-los. Os hereges ficavam propriamente como na Summa Teológica de São Tomás, postos de lado, serviam unicamente para delimitar o questionamento vital do problema. Ele ia direto à doutrina verdadeira, expunha organicamente – seguindo o caminho do Concílio de Trento – a verdade positiva, íntegra, total.
Belarmino não tinha caráter de polemista.
Alma singela, quase ingenua, caráter compassivo, estava feito para a compreensão. O amor íntimo e apaixonado à Igreja —supremo ideal de sua vida— foi o grande motivo que o levou a estudar os erros dos heresiarcas.
Seus discípulos, que acorriam a suas aulas, como antes em Lovaina, haviam afluído aos sermões, pediam-lhe insistentemente que levasse à imprensa suas exposições. Chegou a editar até vinte vezes em trinta anos o livro das Controvérsias.
Penetrou em todas as Universidades européias e chegou aos mais distantes centros de ensino. São Francisco de Sales, em sua grande campanha contra os calvinistas, subia ao púlpito armado da Bíblia e de Belarmino, como se chamava em todas as partes o grande livro.
Afirma-se que um dos grandes corifeus do luteranismo exclamou: «Este libro nos perdeu».
O santo não se limitou a instruir os doutos. Seu amor à Igreja o levou a atenter também ao povo simples, tão ignorante no campo religioso. Para eles compôs a Doutrina cristã breve, dirigida diretamente às crianças, e acompanhada de outra declaração mais densa para os mestres.
Este pequeno livro alcançou um êxito surpreendente, comparável ao que alcançaram os livros mais lidos da humanidade. Até quase nossos dias se editaram sem cessar. Vasta dizer que se traduziu a mais de cinquenta línguas e que as edições chegam ao longo de três séculos e meio a uma edição por ano.
As facetas de orador, professor e escritor não esgotam a atividade de Belarmino. O geral da Companhia de Jesus, Cláudio Aquaviva, quis que os jovens jesuítas se beneficiassem de seu conselho e influência. Designou são Roberto para a direção espiritual dos que estudavam no Colégio Romano e depois para reitor do mesmo centro. Teve Belarmino a alegria de contar entre seus filhos espirituais a São Luís Gonzaga, o «lírio de pureza» que perfuma até hoje a história.
Ia crescendo de tal modo a estima do Papa para com este douto e santo jesuíta, que o Geral da ordem começou a temer que o nomeassem cardeal. Para afastar este perigo decidiu tirá-lo de Roma e designá-lo provincial de Nápoles. Não lhe valeram ao Padre Aquaviva estas medidas. Clemente VIII o criou cardeal.
«O elegemos, disse, porque não há na Igreja de Deus outro que se equipare em ciência e sabedoria».
Belarmino se negou ao princípio a aceitar a alta dignidade. Alegou a incompatibilidade de seu voto. O Papa o anulou com sua suprema autoridade e o mandou aceitar o cardinalato «em virtude da santa obediência e sob pena de pecado mortal». Por obediência mudou seu hábito, porém não o teor de sua vida. Com o mesmo desinteresse e abnegação de antes se dedicou ao trabalho das comissões cardinalícias. Interveio nas questões mais espinhosas, como as de Galileu e a reforma do calendário.
Trabalhou febrilmente na edição definitiva da Vulgata. Assessorou o Papa em toda classe de negócios com plena franqueza. Levado, sem dúvida, de sua alma singela e reta, que não entendia de astúcia diplomática e de dilações, expôs alguns pareceres com demasiada sinceridade.
Parece que por isso caiu no desagrado do Papa, que decidiu distanciá-lo de Roma e nomeá-lo Bispo de Cápua.
O novo pastor se deu a seus diocesanos com zelo sem igual. Em Cápua pôde simultaneamente pregar, ensinar, escrever, organizar, explicar a doutrina cristã. Abraçou toda classe de atividades.
Realizou uma reforma comparável, em pequeno, à de São Carlos Borromeu.
Entrou em três conclaves. Chegou a ter em alguns até 14 votos para Papa. Talvez o houvessem elegido se não tivesse sido jesuíta. Nesses momentos em que se falava de sua ascensão ao trono pontifício, sua jaculatória favorita e sua oração ininterrupta era: «Senhor, elege o mais apto e livra-me do papado». Deus não o havia feito para o pontificado. Tinha o santo que realizar sua última missão. Dar ao mundo inteiro exemplo de humildade e pobreza. Ao recém-eleito Gregório XV, pediu como grande graça o poder retirar-se, ao menos longas temporadas, ao noviciado dos jesuítas. Tinha já cerca de setenta e oito anos. Ao mesmo tempo cumpria as atividades de cardeal e de um noviço.
Desgastado em sua luta pela defesa da Igreja, suas forças iam falhando. Contudo, lhe ficou ainda uma arma: a pluma. A piedade que transbordava de sua alma foi impregnando seus últimos opúsculos espirituais, cheios de suave unção.
Assim se consumou a vida deste grande herói. Havia amado à Igreja com amor santo. Deus lhe chamou a si em 17 de setembro de 1621. O Sacro Colégio quis deixar assinalado os méritos do defunto cardeal. Escreveram nas Atas, entre outros elogios: «Varão esclarecido, teólogo eminentíssimo, defensor acérrimo da fé católica, martelo dos hereges. Varão piedoso, discreto, humilde, extraordinariamente generoso para com os pobres».
Pio XI o beatificou em 13 de maior de 1923, o canonizou em 29 de junho de 1930 e o declarou Doutor da Igreja em 17 de setembro de 1931.

Bibliografia
Art. en A. BAUDRILLART - R. AUBKRT (dirs.), Dictionnaire d'bìstoire et degéograpbie eccté- sìastìque. VII: Bapière-Benoist (París 1934) cols.798s.
San Pedro de Arbués
483
Art. en A. VACANT - E. MANGENOT - E. AMANN, et al. (dirs.), Dictionnaire de théologe catholique. II/l: baader-Bu^etti {Paris 31932) cols.560s.
Autobiografia, escritaen1613ainstanciasdeM.VITELLESCHI,juntoconotrosdocu- mentos importantes. Se halla en gran parte en X. M. LE BACHELET, Beiiarmin avant le Cardinalat (París 1911).
BRODRICK, J., SI, The life and work of blessed Robert Francis cardinal Bellarmin, Si (1542-1621), 2 vols. (Londres 1928).
FIOCCHI, A., Vida de San Roberto Belarmino (Santander). LA SERVIÈRE, J . DE, La théologie de Bellarmin (Paris 1909). LE BACHELET, X. M., Auctarium bellarminianum (Paris 1913). RYAN, E. A., SI, The historical scholarship of Saint Bellarmin (Lovaina 1936). • Actualización:
GALEOTA, E. (ed.), Ruberto Bellarmino, arcivescovo di Capua, teologo epastore della riforma cattolica. Atti del Convegno internazionale di studi, Capua 28 sertembre-1 otto- bre 1988, 2 vols. (Capua 1990). ,
GODMAN, P., The saint as censor. Robert Bellarmin between inquisition and index (Leiden 2000). ':'"• LUJAMBIO ARIAS, L., Origin y destinación de la copiosa declaración de la doctrina cristiana ik



Roberto Bellarmino (Roma 1987).